Preview | Nekome: Nazi Hunter mistura vingança, violência e alguns sinais de alerta
Nekome: Nazi Hunter é um tanto quanto preocupante
Com visual artesanal e trilha de Hitoshi Sakimoto, o novo roguelite da Bandai Namco surpreende com charme e alma
Los Angeles – Alguns jogos não chegam até você com estardalhaço. Eles não gritam por atenção. Em vez disso, sussurram — em linhas desenhadas à mão, trilhas que abraçam e silêncios que falam. Towa and the Guardians of the Sacred Tree, novo roguelite da Bandai Namco desenvolvido pela Brownies Inc., se encaixa exatamente nesse perfil: uma obra que parece mais uma carta de amor ao encantamento, ao mistério e à sensibilidade dos detalhes.
Durante o Summer Game Fest 2025, entre encontros barulhentos, trailers grandiosos e corredores cheios de promessas, encontrei tempo para me sentar, respirar, e entrar em um mundo que mais parecia um livro de histórias ilustrado, onde cada traço e som pareciam ter sido escolhidos a dedo para aquecer algo que a rotina gamer moderna às vezes esfria: a alma.
Cheguei ao estande com um certo distanciamento natural. Não sou um entusiasta nato dos roguelites. As repetições, os resets, o ritmo acelerado que tantos elogiam — nunca foram meu habitat. Mas algo mudou quando peguei o controle e comecei a jogar.
O jogo não me lançou em um abismo de dificuldade, nem me sufocou com sistemas complexos. Pelo contrário: ele me guiou suavemente, com comandos simples, feedbacks imediatos e um ritmo que convida à experimentação. Controlamos os Guardiões, guerreiros místicos que empunham espadas sagradas e cajados arcanos, em missões que se moldam a cada nova tentativa. Um dos grandes charmes é justamente formar duplas com sinergias complementares: no meu caso, um combatente ágil de curta distância e um suporte de longa.
A inspiração em Hades é perceptível, especialmente no formato isométrico, no ritmo de progressão e na ênfase em runs únicas. Mas Towa nunca tenta ser uma cópia. Ele trilha seu próprio caminho, menos caótico, mais sensível. Existe tempo para observar, para testar, para se deixar envolver.
E aí entra o que mais me fisgou: a direção de arte. Tudo ali parece ter sido cuidadosamente desenhado à mão, como se cada frame fosse o recorte de uma animação artesanal. Os personagens exalam carisma, os ambientes vibram com tons vivos e contrastes suaves, e mesmo o mais simples dos ataques carrega um impacto visual cativante. Ao fundo, a trilha sonora de Hitoshi Sakimoto (Final Fantasy Tactics, Vagrant Story) funciona quase como uma extensão da narrativa: ela guia, emociona, anuncia, consola.
Fora das dungeons, há a vila de Shinju — um organismo vivo, que cresce e muda conforme avançamos por linhas do tempo distintas. Com o tempo, o jogador não apenas coleta recursos e melhora equipamentos: ele constrói vínculos. Com os moradores. Com as histórias. Com a sensação de pertencimento. É um toque narrativo que me remete a Children of Morta, mas com um viés mais contemplativo, mais suave, quase ritualístico.
Ao final da minha sessão de teste, deixei o controle com um sentimento raro em eventos como esse: o de que tinha vivido algo calmo, bonito e verdadeiro. Towa and the Guardians of the Sacred Tree não é um jogo que busca provar algo a alguém. Ele apenas é …e ser, nesse caso, já é encantador o bastante.
O jogo será lançado em 19 de setembro de 2025, com versões para PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e PC via Steam. Para quem deseja se aventurar por um mundo onde o combate encontra a contemplação, e onde cada pincelada importa, vale prestar atenção: Towa and the Guardians of the Sacred Tree pode te surpreender quando você menos esperar.
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