MeuPlayStation | Tudo sobre PlayStation

Preview: Marvel’s Wolverine é brutal, linear e feroz

Brutal, ágil e bem mais linear que os jogos do Homem-Aranha, novo título da Insomniac acerta na pancadaria, mas ainda deixa algumas dúvidas sobre Logan

Preview: Marvel’s Wolverine é brutal, linear e feroz

Após uma longa espera, um brutal vazamento e até um rebuliço na Internet, finalmente Wolverine vai dar as caras no PlayStation. À convite da PlayStation, eu passei algumas horinhas com o jogo e tenho algumas coisinhas para contar.

Nossa demonstração de aproximadamente duas horas acontece antes de Wolverine fazer parte dos X-Men, em um período no qual ele ainda está ligado a figuras bastante diferentes daquelas que normalmente associamos ao Instituto Xavier. Wolverine, Dente de Sabre e Mística formam uma equipe que parece responder a Nathaniel Essex, o Sr. Sinistro. A missão apresentada durante a demonstração envolve justamente Essex e Bolivar Trask e acaba colocando o grupo no caminho de Ômega Vermelho.

É uma configuração que Logan em um momento bastante específico de sua vida. Ele já é Wolverine. Já carrega suas cicatrizes, seus poderes e boa parte de seus problemas. Mas ainda não é o Wolverine dos X-Men.

Wolverine não é Spider-Man com garras

A primeira coisa que você precisa saber é essa. Marvel’s Wolverine é, pelo menos considerando as duas horas que jogamos, um jogo linear. Existem momentos um pouco mais abertos, com pequenos espaços para explorar, mas estamos falando de algo equivalente a alguns quarteirões, casas e caminhos alternativos. Nada próximo da liberdade de Nova York vista nos jogos de Marvel’s Spider-Man.

E gostei bastante disso. A Insomniac parece ter entendido que não precisava simplesmente trocar Peter Parker por Logan dentro da mesma fórmula. A estrutura mais contida permite organizar confrontos, cenários e momentos cinematográficos de uma maneira muito mais direta. Isso também combina com a forma como Wolverine se movimenta.

Apesar de não atravessar uma cidade pendurado em teias, Logan está longe de ser um personagem pesado ou lento. Ele é ágil. Wolverine sobe paredes e escala obstáculos com facilidade. Mais importante, consegue diminuir rapidamente a distância para os adversários.

Pressionar Triângulo faz Logan se lançar sobre o inimigo com as garras à frente. É um movimento simples, mas fundamental para o ritmo das batalhas. Você elimina um adversário, identifica o próximo e imediatamente salta sobre ele. Não existe muita contemplação.

Wolverine avança com as garras de adamantium contra soldados armados durante um combate noturno em Marvel’s Wolverine, com tiros, fogo e a lua ao fundo.

Os combates são facilmente o melhor elemento da demonstração. A Insomniac não economizou na violência. Wolverine corta, perfura, chuta, soca e despedaça inimigos durante os confrontos. Os golpes rápidos permitem manter sequências de ataques enquanto movimentos mais fortes ajudam a quebrar a resistência dos adversários.

As garras parecem perigosas. Isso pode parecer óbvio para um jogo do Wolverine – Ora, ora… Temos um Sherlock Holmes aqui! -, mas era uma das maiores dúvidas desde o anúncio. Até onde a Insomniac estaria disposta a levar a violência? A resposta, pelo que jogamos, é: longe.

Tem sangue jorrando, membros sendo atingidos violentamente, inimigos sendo atravessados e Logan recebendo uma quantidade absurda de dano. Em alguns momentos, Wolverine é fuzilado. A pele vai sendo destruída diante dos seus olhos enquanto o personagem continua avançando. É justamente nesse contraste entre violência sofrida e violência causada que o jogo consegue vender muito bem a fantasia de controlar Wolverine.

Ele apanha de um jeito que provavelmente derrubaria qualquer outro personagem. Depois continua andando.

O chute é uma das melhores armas do jogo

Curiosamente, um dos golpes que mais gostei não usa as garras. É um chute. Parece simples, mas ele tem uma função dentro do combate. É possível lançar inimigos contra objetos, jogá-los de precipícios, arremessá-los contra campos de energia ou usar o golpe para quebrar determinadas defesas.

Adversários protegidos por escudos, por exemplo, podem exigir justamente esse tipo de abordagem. Isso dá aos cenários alguma função durante as lutas. Nem sempre a melhor solução é continuar apertando os mesmos botões até a barra de vida desaparecer.

Se existe um precipício atrás do inimigo, por que gastar tempo cortando o sujeito? Chute. Problema resolvido.

Tem um pouco de Batman: Arkham aqui

Também é difícil jogar Marvel’s Wolverine sem perceber algumas ideias que lembram o sistema de combate criado pela Rocksteady para a série Batman: Arkham. Não estou dizendo que sejam sistemas iguais. Mas existe uma familiaridade no fluxo dos confrontos, principalmente na maneira como o jogador alterna rapidamente entre ofensiva, movimentação e contra-ataques.

Logan conta com um sistema de parry que permite responder imediatamente aos golpes dos adversários. Acertar o momento certo abre espaço para uma reação violenta. O resultado é um combate que funciona melhor quando você mantém o ritmo.

Ataca um inimigo, reage ao ataque de outro, avança sobre um terceiro e volta novamente para a ofensiva. A diferença é que Batman queria deixar todo mundo inconsciente. Wolverine só arrancar umas cabeças. Eles não são iguais.

Existe ainda um sistema de Fúria. Conforme Wolverine luta e derrota adversários, essa barra começa a encher e cria novas oportunidades para golpes mais poderosos. Jogamos apenas uma parte inicial do jogo, então não tivemos acesso suficiente ao sistema para entender todas as possibilidades, mas foi justamente o elemento que mais despertou minha curiosidade pensando na progressão do personagem.

Além de aumentar suas possibilidades ofensivas, a Fúria também tem uma função defensiva importante. Caso Logan seja derrotado, o recurso pode servir para recuperar sua energia e mantê-lo no combate. Isso combina bem com o personagem.

Wolverine enfrenta vários ninjas vestidos de vermelho em um combate corpo a corpo, usando suas garras de adamantium em um cenário urbano de Marvel’s Wolverine.

Wolverine não precisa necessariamente evitar todo o dano. Parte da fantasia está justamente em aceitar que ele vai apanhar e continuar lutando. Há também ataques especiais vinculados a uma barra de energia.

Quando ela está disponível, seguramos L2 e pressionamos um dos botões associados às habilidades. Como estávamos no começo da aventura, havia apenas uma opção liberada: um ataque giratório em que Logan abre as garras e acerta vários inimigos ao redor. É útil principalmente quando o personagem fica cercado.

A dificuldade normal é fácil demais

Aqui aparece uma curiosidade. Jogamos no modo normal e tudo foi muito, muito fácil. Na verdade, em vários momentos parecia que estávamos jogando em uma dificuldade equivalente ao modo história.

Os ataques inimigos são bastante previsíveis, os parries não exigiram muito esforço e Wolverine consegue destruir boa parte da oposição rapidamente. Felizmente, o jogo terá diferentes níveis de dificuldade. Considerando o que jogamos, se você já tem alguma experiência com jogos de ação, mesmo sem ser nenhum especialista no gênero, provavelmente vale começar acima do normal.

É claro que isso pode mudar conforme a campanha avança. Jogamos uma parte limitada do jogo e ainda estávamos conhecendo os sistemas. Mas a diferença de dificuldade precisará ser considerável para quem estiver procurando confrontos realmente exigentes.

Wolverine funciona muito bem. Logan preocupa

Existe, no entanto, uma diferença curiosa entre controlar Wolverine e acompanhar Logan durante as cenas. Como Wolverine, ele é espetacular. É rápido, brutal, agressivo e parece sempre estar a poucos segundos de um surto.

Como Logan, alguns diálogos me deixaram com uma pulga atrás da orelha. As conversas com Jean Grey e até mesmo algumas interações com personagens como Mística passam uma impressão diferente daquela personalidade que normalmente associamos ao personagem.

Wolverine costuma ser carrancudo. Carrega culpa pelas coisas que fez, mas responde a isso com irritação, provocações e impulsividade. Aqui, em alguns momentos, achei Logan meio bananão.

Existe certa insegurança e uma dependência emocional dos demais personagens que me lembraram o tratamento dado a Peter Parker pela própria Insomniac em Marvel’s Spider-Man 2. Naquele jogo, Peter passou boa parte da história questionando a si mesmo, dependendo das pessoas ao redor e chegando ao ponto de pedir desculpas por aquilo que era. Minha preocupação é ver Wolverine passar pelo mesmíssimo processo.

Close no rosto de Wolverine, com expressão séria e uniforme de combate amarelo e preto, em cena de Marvel’s Wolverine.

Isso não significa que Logan não possa ser vulnerável. Pelo contrário. O personagem funciona justamente porque existe um homem cheio de cicatrizes por trás de toda aquela violência. A questão é como essa vulnerabilidade será escrita.

Existe uma diferença enorme entre mostrar um Logan atormentado pelo que fez e transformar Wolverine em alguém inseguro. Duas horas são pouco para determinar para qual lado a história vai seguir. Mas…

A Sentinela não foi o grande momento que eu esperava

A última parte da demonstração colocou Wolverine contra uma Sentinela. Visualmente, é bacana. Estamos falando de uma das máquinas mais lembradas das histórias dos X-Men diante de um personagem que praticamente precisa subir nela para causar algum dano.

Na prática, porém, o confronto foi bem simples. O chefe permanece praticamente parado durante boa parte da luta. As oportunidades de dano envolvem atacar seus braços, escapar de golpes relativamente fáceis e esperar pelos momentos determinados pelo jogo para continuar a sequência.

Também existem quick time events durante o confronto. Não foi ruim, mas certamente não foi o ponto alto das duas horas. Faltou aquela sensação de estar enfrentando uma máquina gigantesca criada especificamente para caçar mutantes.

Conhecendo o histórico da Insomniac, seria muito estranho se essa fosse a referência para os principais chefes da campanha. O estúdio já mostrou que sabe construir grandes sequências de ação e acredito que veremos confrontos muito mais interessantes na versão final.

Wolverine encara um enorme robô de combate com olhos vermelhos enquanto se prepara para atacar com suas garras em Marvel’s Wolverine.

Afinal, o Marvel’s Wolverine da Insomniac funciona?

Marvel’s Wolverine deixou boas impressões. Tecnicamente, é um jogo muito bonito. Os ambientes possuem bastante detalhe, os personagens são muito bem construídos e a violência dá aos combates um peso que seria difícil imaginar em qualquer outro jogo recente da Insomniac.

Também gosto muito da decisão de abandonar a estrutura de mundo aberto de Marvel’s Spider-Man em favor de uma campanha mais linear. Wolverine não precisava de um mapa gigantesco cheio de atividades.

E é justamente quando Logan começa a avançar rapidamente pelos cenários, pula sobre um inimigo, atravessa outro com as garras, chuta alguém de um precipício e parte para a próxima vítima que o jogo mostra aquilo que tem de melhor.

Ainda existem dúvidas. A dificuldade normal me pareceu baixa demais. A batalha contra a Sentinela não empolgou. E quero entender principalmente qual será o tratamento dado à personalidade de Logan ao longo da história.

Mas nenhuma dessas questões foi suficiente para diminuir minha vontade de continuar jogando. A brutalidade dos combates, por si só, já seria suficiente para me convencer a acompanhar a aventura completa.

Se a Insomniac conseguir combinar esse Wolverine feroz que encontramos durante as batalhas com o Logan complexo, provocador e atormentado que existe por trás das garras, há algo bastante interessante sendo construído aqui. Agora quero descobrir se, quando chegar setembro, Wolverine continuará sendo tão bom quanto parece quando as garras finalmente saem.

 

Mais em Prévias

Autor

foto do author do artigo Daniel dos Reis

Daniel dos Reis

CEO

Fundador do MeuPlayStation, formado em Ciência da Computação e especialista na indústria de games, com mais de 15 anos de experiência e ampla cobertura do ecossistema PlayStation.

Mais artigos de Daniel dos Reis

icone representando um redirecionamento para outra pagina
Comunicar erro no artigo

Notícias