Preview | Nekome: Nazi Hunter mistura vingança, violência e alguns sinais de alerta
Nekome: Nazi Hunter é um tanto quanto preocupante
A proposta de tratar dinossauros como animais selvagens, e não como monstros, é o grande diferencial de The Lost Wild
Eu sei que você queria um Dino Crisis, mas preste um pouco de atenção em The Lost Wild, mais uma aposta da Annapurna Interactive. Ele pode não ser o que você esperava, mas talvez seja exatamente o jogo de dinossauros de que precisamos.
Durante o Summer Game Fest, pude conferir um pouco do jogo em uma sessão fechada de hands-off e saí interessado no projeto da Great Ape Games.
Apesar de começar com o bom e velho clichê de uma personagem que acorda em uma ilha sem saber como foi parar lá, o que vem depois é bem mais interessante. Dá para perceber que o estúdio não quer contar sua história por meio de longas cutscenes. A impressão é que a ilha vai falando com o jogador aos poucos, seja pelos cenários abandonados, pelas instalações tomadas pela natureza ou pelos pequenos detalhes espalhados pelo caminho.
Saskia, uma jornalista investigativa, se vê presa em uma floresta repleta de dinossauros. Mas é aí que mora o pulo do gato. Ou melhor, o pulo do réptil. As criaturas não são monstros tenebrosos sedentos por sangue.

Elas mantêm um comportamento muito mais próximo do de animais selvagens. Isso quer dizer que podem simplesmente te ignorar se estiverem alimentadas ou não enxergarem você como uma ameaça. Mas, mesmo assim, você não é maluco de chegar perto para conferir se um velociraptor está de bom humor, não é? De qualquer forma, eles continuam sendo animais brutais, e qualquer movimento estranho pode chamar a atenção.
E acho que esse é justamente o que mais me interessou no jogo. Em vez de transformar os dinossauros em máquinas de matar que perseguem o jogador o tempo todo, The Lost Wild parece querer construir tensão pela incerteza. Você nunca sabe se aquele animal vai continuar andando, se percebeu sua presença ou se simplesmente resolveu mudar de direção.
Por isso, a jogabilidade gira muito em torno da furtividade. É preciso esperar o momento certo para avançar, atravessar a mata com cuidado, tentar se localizar, usar a lanterna, ouvir os sons ao redor e permanecer atento o tempo todo. Em alguns momentos da demonstração ficou claro que observar o ambiente é tão importante quanto observar os próprios dinossauros. A vegetação, a iluminação e até o relevo fazem parte da sobrevivência.
O mais interessante é que os dinossauros não seguem uma rota específica ou pré-programada, o que obriga Saskia a ficar 100% alerta, gerando uma constante sensação de desconforto e insegurança. Do absoluto nada, um raptor pode descobrir sua presença e te trucidar. Fora o susto que você leva, isso faz você se lembrar de que The Lost Wild é, acima de tudo, um jogo de terror.

Outro detalhe que me chamou bastante atenção foi a direção de arte. As instalações de pesquisa abandonadas, completamente engolidas pela vegetação, criam uma atmosfera muito legal. Em vários momentos eu me peguei lembrando do terceiro filme de Jurassic Park, mais curioso para descobrir o que aconteceu naquela ilha do que propriamente preocupado com o próximo dinossauro.
A demonstração foi bem curta, mas intensa o suficiente para me deixar intrigado com as possibilidades. Como sou muito fã de Jurassic Park, foi impossível não sentir uma forte vibe dos filmes de Spielberg. Não pela ação desenfreada, mas justamente por aquela sensação de estar invadindo um lugar onde o ser humano claramente deixou de ser o topo da cadeia alimentar.
O lançamento está previsto para algum momento de 2027. Até lá, ainda temos muito a aprender sobre o jogo, mas a primeira impressão foi positiva. Vamos aguardar pelos próximos passos da Great Ape Games.
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