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Jogamos: Exodus dá propósito e emoção à exploração espacial

A história de Exodus acontece 40 mil anos no futuro, com uma abordagem rejuvenescida para temas que já conhecemos muito bem.

Jogamos: Exodus dá propósito e emoção à exploração espacial

O MeuPlayStation foi convidado para ir até Austin, no Texas, e conhecer um pouco mais sobre o ambicioso projeto Exodus. Archetype Entertainment e Wizards of the Coast estão investindo bastante para fazer com que o game seja uma referência no gênero de ficção científica e exploração especial. E se a primeira impressão é a que fica, parece que estão no caminho certo.

Êxodo significa “saída” ou “partida”. Na Bíblia, a palavra dá nome ao segundo livro do Antigo Testamento, que acompanha a libertação dos israelitas após anos de escravidão no Egito. Conduzido por Moisés, o povo enfrenta o poder do faraó, atravessa o mar e inicia uma longa caminhada pelo deserto em direção a uma nova terra. Mas reduzir o Livro do Êxodo a uma história de fuga seria ignorar boa parte de seu significado. A jornada também fala sobre abandonar uma existência conhecida, atravessar o desconhecido e construir uma nova identidade.

Depois da libertação, vêm o deserto, as provações, a aliança no Monte Sinai e os Dez Mandamentos. A liberdade, portanto, não encerra a caminhada, só permite o início de uma nova história. Talvez seja por isso que a palavra “êxodo” continue poderosa milhares de anos depois. Ela representa uma partida pela necessidade, uma ruptura entre passado e futuro. Poucos territórios traduzem tão bem essa ideia quanto o espaço, o desconhecido que há séculos alimenta a curiosidade humana e inspira histórias sobre exploração, sobrevivência e a busca por um novo lar entre as estrelas.

É nesse ponto que Exodus encontra obras como Star Wars, Star Trek, Duna e, principalmente, Interestelar e o conceito dilatação do tempo. As referências são claras, e os desenvolvedores não as negam. Ao viajar em velocidades próximas à da luz, o protagonista pode viver apenas alguns dias enquanto semanas, meses ou até anos se passam para quem ficou em casa. Viajar pelo espaço deixa de ser apenas percorrer uma distância. Também significa abrir mão de um pedaço da própria vida, trazendo uma narrativa com profundo significado emocional para o jogo.

A história de Exodus acontece 40 mil anos no futuro, muito depois de a humanidade abandonar uma Terra à beira da destruição em enormes naves-arca. Por causa da dilatação temporal, algumas dessas embarcações chegaram ao Aglomerado de Centauri milhares de anos antes das demais. Seus ocupantes tiveram tempo para construir impérios, dominar tecnologias inimagináveis e evoluir até se tornarem praticamente irreconhecíveis. Eles agora são conhecidos como Celestials.

Nós assumimos o papel de Jun Aslan, um resgatador que descobre possuir uma capacidade rara de interagir com a tecnologia Celestial. Seu mundo natal, Lidon, está sendo consumido pela Ruína, um tecnovírus capaz de destruir justamente os sistemas que sustentam a civilização. Para impedir a extinção de seu povo, Jun precisa se tornar um Viajante e explorar ruínas, planetas hostis e antigas estruturas em busca dos poderosos Resquícios deixados pelos Celestials.

Os 12 trabalhos de Jun

Há também algo de Hércules na construção de Jun Aslan. Assim como o herói grego transitava entre o mundo dos homens e o dos deuses, Jun ocupa uma posição singular entre a humanidade e os Celestials. Descendente de um Viajante lendário e capaz de interagir com uma tecnologia inacessível às pessoas comuns, ele inicia sua trajetória como um simples resgatador, mas logo se vê diante de provações dignas de um herói mitológico.

Cada planeta hostil, criatura monstruosa e artefato ancestral funciona quase como um novo trabalho, capaz de testar não apenas sua força, mas o tipo de líder que ele escolherá se tornar. Afinal, a missão o coloca ao lado de uma tripulação formada por soldados, mercenários, especialistas e animais Despertos, criaturas modificadas por engenharia genética e cibernética que convivem com os humanos. Cada integrante possui motivações, habilidades e opiniões próprias.

Mesmo durante o pequeno trecho que conhecemos, os personagens demonstraram carisma e uma dinâmica capaz de tornar os conflitos pessoais tão importantes quanto a luta para salvar Lidon. Ah, e temos animais que falam, o que também ajuda bastante.

Na prática, Exodus é um RPG de ação em terceira pessoa com combate baseado em armas, habilidades especiais, movimentação e comandos para os companheiros. A principal arma de Jun, chamada Reciclador, pode assumir diferentes configurações para combates a curta, média ou longa distância. A Manopla, por sua vez, utiliza tecnologia alienígena para liberar poderes ofensivos, manipular o cenário e criar novas possibilidades durante os confrontos.

O que mais nos chamou a atenção foi justamente a quantidade de combinações disponíveis. É possível alternar rapidamente as funções do Reciclador, usar habilidades da Manopla, explorar o posicionamento dos inimigos e acionar os poderes dos companheiros para montar diferentes sequências de ataque. Em vez de depender de uma única estratégia, o combate incentiva a experimentação. Cada encontro parece oferecer espaço para testar novos combos, trocar a ordem das habilidades e encontrar uma solução diferente para o mesmo problema.

As escolhas também prometem ocupar uma posição central. Decisões tomadas durante diálogos e missões podem alterar relacionamentos, definir quem permanece ao lado de Jun e influenciar o destino de comunidades inteiras. O alinhamento entre os caminhos de Paladino e Imortal também interfere na progressão e nas habilidades disponíveis. A dilatação temporal amplia ainda mais o peso dessas decisões, já que algumas consequências podem surgir imediatamente, enquanto outras somente serão percebidas anos ou gerações depois.

Visualmente, Exodus também deixou uma excelente primeira impressão. Os cenários conseguem transmitir a escala e o perigo de mundos desconhecidos, enquanto as ruínas e tecnologias Celestials reforçam a sensação de estar diante dos restos de civilizações muito mais avançadas. A ambientação, os efeitos durante os combates e o design dos personagens chamaram bastante a atenção. Não deu para ver muito neste teste em si, mas já sabemos que o jogo terá diferentes biomas e locais para explorar, tornando-o ainda mais completo.

Exodus é um universo

Toda essa ambição não está restrita ao videogame. Exodus já possui uma duologia literária escrita por Peter F. Hamilton, formada por The Archimedes Engine e The Helium Sea, além do episódio animado Exodus: Odyssey, disponível na antologia Secret Level do Prime Video. O universo também ganhou livros de RPG de mesa, enquanto Chronicles of Melayu prepara uma nova aventura dentro desse cenário. É muito mais do que “o jogo que foi revelado com um trailer com um ator famoso” ou “um novo game dos criadores uma tradicional franquia“.

Exodus

No site oficial, um extenso prólogo reúne contos sobre a fuga da Terra e a chegada a Centauri, guias sobre os Viajantes, os Celestials e a dilatação temporal, além de uma linha histórica que atravessa dezenas de milhares de anos. Somam-se a isso apresentações, vídeos de gameplay e atualizações detalhando diálogos, combate, exploração, companheiros e outras mecânicas. É uma quantidade impressionante de material para um jogo que ainda vai demorar para chegar às lojas e uma demonstração clara de quanto a Archetype está investindo na construção desse universo.

Ainda é cedo para entender até onde irão as consequências das escolhas, a evolução dos relacionamentos e as transformações provocadas pela dilatação temporal. Jogamos apenas uma missão, mas ela foi suficiente para deixar um enorme gostinho de quero mais. Exodus parece compreender que toda grande viagem cobra um preço e que, às vezes, salvar o futuro significa aceitar que o passado não estará mais esperando por você. Mal podemos esperar pelo lançamento, marcado para 7 de abril de 2027.

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Thiago Barros

Editor-Chefe

Dez anos de MeuPlayStation, 18 de jornalismo e produção de conteúdo. Muitas histórias para contar e muitos jogos para jogar!

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