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Quase nove anos depois de seu lançamento frustrante, No Man's Sky mantém presente e futuro brilhantes
Em 9 de agosto de 2016, o mundo dos videogames foi apresentado a No Man’s Sky, um ambicioso título de exploração espacial desenvolvido pela pequena equipe da Hello Games.
Com um universo gerado proceduralmente contendo mais de 18 quintilhões de planetas (um número exato de 18.446.744.073.709.551.616, para sermos precisos), o jogo prometia revolucionar o gênero com liberdade revolucionária e um senso de descoberta sem fim. Porém, quem acompanhou a história a fundo, sabe que as pedras no caminho foram consistentes.
Hoje, quase nove anos depois, o game não é apenas um sobrevivente, mas um exemplo vivo de perseverança. Sua jornada de um lançamento polêmico para um sucesso admirado por milhões foi dura, mas marca o trabalho notável dos desenvolvedores, especialmente quando se fala em transparência, compromisso e dedicação absoluta.
Quando No Man’s Sky chegou às lojas, as expectativas eram astronômicas. Anunciado em 2013 durante os Spike Video Game Awards, o jogo cativou o público com trailers surpreendentes e promessas de um universo compartilhado onde jogadores poderiam explorar, lutar e interagir.
No entanto, o lançamento foi um fiasco. 212 mil jogadores estavam ativos na Steam durante a estreia, mas, em menos de duas semanas, esse número caiu para 15 mil, uma queda de 92%, segundo dados do SteamDB.
No PlayStation 4, as vendas iniciais foram robustas, alcançando o segundo lugar entre os maiores lançamentos do console na época, atrás apenas de Uncharted 4. Porém, assim como no PC, a recepção não foi nem um pouco positiva.

As críticas eram contundentes: falta de multiplayer (apesar de promessas anteriores), jogabilidade repetitiva e um visual aquém do apresentado nos trailers. A Hello Games enfrentou acusações de propaganda enganosa, resultando em um processo judicial que, embora vencido pela desenvolvedora, não amenizou o impacto.
A ausência de comunicação por meses após o lançamento só intensificou a ira dos fãs, com ameaças de morte ao criador Sean Murray refletindo o tamanho da decepção.
O que poderia ter sido o fim de No Man’s Sky se transformou em um ponto de virada. Em vez de abandonar o projeto, a Hello Games, uma equipe que cresceu de apenas quatro membros iniciais para 13 durante o desenvolvimento, optou por ouvir os jogadores e reconstruir o jogo do zero — e tudo isso sem custo adicional aos compradores.
A atualização Foundation, de 2016, introduziu bases personalizáveis, seguida por Path Finder em 2017, que adicionou veículos terrestres, e Atlas Rises, com 30h extras de narrativa. Mas foi em julho de 2018, com No Man’s Sky Next, que o jogo deu sua maior guinada.
Next trouxe o tão aguardado multiplayer, gráficos aprimorados e uma experiência mais coesa. O impacto foi imediato: o número de jogadores simultâneos na Steam saltou de modestos 2 mil para 96.954 em um único mês, um aumento de quase 5.000%, segundo o SteamCharts.

Desde então, a média diária de jogadores na plataforma da Valve se estabilizou em cerca de 6 mil em 2021, com picos frequentes após novas atualizações. Em 2020, a expansão Origins dobrou os tipos de planetas e criaturas, enquanto Beyond adicionou realidade virtual, elevando as vendas físicas tanto no PS4 quanto no Xbox One.
Hoje, No Man’s Sky já ultrapassou 10 milhões de cópias vendidas globalmente, um marco impressionante para um estúdio independente. Pouco tempo depois de sua estreia, jogadores já identificaram mais de 10 milhões de espécies únicas pela aventura, superando as espécies conhecidas na Terra, conforme relatado pela Hello Games, e muito antes desse número aumentar bastante.
Esse número, embora difícil de verificar devido à geração procedural, reflete o engajamento inicial — e a persistência da equipe em manter o jogo vivo transformou esses dados em um símbolo de redenção.
A trajetória de No Man’s Sky é sustentada por números que mostram sua evolução. Em 2018, o jogo foi indicado ao Steam Awards na categoria “Labor of Love” (Trabalho de Amor), competindo com gigantes como GTA V e Dota 2.
Em 2019, a comunidade figurava como a terceira de maior crescimento entre jogos online, segundo o GameBlast. Até 2025, estima-se que o título tenha gerado mais de 200 milhões de dólares em receita, considerando vendas e microtransações introduzidas em eventos comunitários, como a moeda Quick Silver.
A base de jogadores também cresceu com ports para novas plataformas: Xbox One (2018), Nintendo Switch (2022), PlayStation 5 e Xbox Series (2020), e até macOS (2023). Cada versão trouxe um novo público, enquanto atualizações sazonais, como Expeditions, mantiveram os veteranos engajados com recompensas exclusivas e desafios em grupo.
Por trás dos números está a essência de No Man’s Sky: um projeto movido por paixão. Sean Murray, líder da Hello Games, já declarou que o jogo foi inspirado por obras de ficção científica como 2001: Uma Odisseia no Espaço e capas vibrantes de livros pulp, refletindo um desejo de recriar a maravilha da exploração espacial.
A equipe pequena, que hoje conta com cerca de 30 membros, continua lançando atualizações gratuitas — mais de 20 até 2025 —, um contraste gritante com a indústria dominada por modelos de DLCs pagos e assinaturas.

Essa dedicação ressoa com as pessoas. Em fóruns e redes sociais, é comum ver depoimentos como “eles não desistiram de nós, então não desistimos deles”. A comunidade ativa, que compartilha coordenadas de planetas e descobertas no Atlas (o banco de dados do jogo), é prova de que o amor da Hello Games encontrou eco.
O que esperar de No Man’s Sky nos próximos anos? Com a tecnologia avançando, especula-se que a Hello Games possa explorar mais integração com realidade virtual e aumentada, aproveitando o sucesso de Beyond.
Atualizações focadas em narrativas mais profundas ou eventos comunitários em larga escala também estão no radar, dada a popularidade das Expedições. A possibilidade de um No Man’s Sky 2 não é descartada, mas o foco atual parece ser expandir o universo existente — afinal, com 18 quintilhões de planetas, ainda há muito a descobrir.
Analistas preveem que o jogo mantenha uma base estável de 5 a 10 mil jogadores diários na Steam, com picos maiores a cada atualização, enquanto as vendas podem alcançar 15 milhões de unidades até 2030, caso o suporte continue.
A Hello Games também pode buscar parcerias, como a feita com a Alice and Smith para o ARG Waking Titan, para enriquecer a lore e atrair novos públicos. Tudo enquanto vai preparando o cenário para Light No Fire e busca, assim, realizar um lançamento com um sucesso mais do que merecido.
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Fonte: No Man's Sky
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