Preview | Nekome: Nazi Hunter mistura vingança, violência e alguns sinais de alerta
Nekome: Nazi Hunter é um tanto quanto preocupante
Entre Super Hornets, mísseis e nuvens, Ace Combat 8 mostra que a Bandai está preparando o capítulo mais ambicioso da franquia
Ace Combat me faz realizar um sonho que jamais seria capaz de viver na vida real: ser piloto de caça. Durante muito tempo, fortemente influenciado por Top Gun e Águia de Aço, fiquei imaginando como seria estar no cockpit de um jato supersônico, acelerando rumo ao horizonte e voltando para casa depois de mais uma missão cumprida.
Mas nunca cheguei a levar isso adiante. Primeiro porque me frustrei ao descobrir que dificilmente pisaria em um F/A-18 Super Hornet ou em um F-16 Fighting Falcon. O Brasil sempre negligenciou suas Forças Armadas quando comparado a outras potências e, por muitos anos, aviões desse nível pareciam algo distante da nossa realidade. Hoje temos o bom Gripen F-39, mas em números bastante limitados. Segundo: eu definitivamente não sou bom o suficiente em matemática e física para encarar a formação necessária para me tornar um piloto militar.
Ainda bem que existe Ace Combat para realizar esse sonho.

E com Ace Combat 8: Wings of Theve, eu tive um gostinho bastante convincente dessa experiência durante o Summer Game Fest.
A nova aposta da Bandai Namco impressiona logo nos primeiros minutos. Um dos elementos que mais me chamou atenção foi o novo sistema de nuvens multicamadas. Não é apenas um efeito visual bacanudo. Ao atravessar uma formação densa de nuvens, o windscreen do caça fica coberto por pequenas gotículas d’água, reduzindo a visibilidade e aumentando a sensação de velocidade. Em determinados momentos, a percepção de altitude muda completamente conforme você mergulha entre diferentes camadas atmosféricas.
É um daqueles detalhes que parecem pequenos, mas ajudam a transformar o céu em um elemento da experiência.
Naturalmente, os gráficos são a primeira coisa que saltam aos olhos. Porém, depois de alguns minutos, Wings of Theve começa a mostrar que existe muito mais acontecendo sob a superfície.
A história, por exemplo, parece bem mais elaborada do que a média da franquia. Os personagens têm mais espaço para se desenvolver, as interações são mais frequentes e existe um esforço da Bandai em criar conexões com o esquadrão.
No game, assumimos o papel de “Rex”, um piloto da Marinha da FCU durante uma guerra contra a poderosa República de Sotoa. Ou melhor, assumimos o legado de Rex.

O nosso personagem era apenas um oficial responsável pelos sistemas de armas de um F/A-18F Super Hornet de dois lugares. Após uma missão desastrosa, o verdadeiro Rex, uma espécie de herói nacional transformado em lenda viva, é abatido. Para evitar um colapso na moral das tropas e da população, nosso personagem recebe uma missão diferente de qualquer outra: assumir seu indicativo de chamada, vestir seu capacete e manter viva a lenda do “Wings of Theve”.
É um conceito muito mais interessante do que eu esperava encontrar em um Ace Combat.
Mas é quando assumimos os controles do caça que o jogo realmente mostra suas asas.
E que sensação divertida é pilotar um Super Hornet.
O modelo utilizado na demonstração transmitia muito bem a sensação de peso e potência de um caça embarcado. Durante as curvas mais fechadas era possível sentir a aeronave perdendo energia, obrigando você a administrar melhor a velocidade antes de tentar retornar para a posição de ataque.
Existe uma camada de profundidade interessante para quem gosta de aviação. O gerenciamento da sustentação, do ângulo de ataque e da energia da aeronave influencia diretamente sua capacidade de permanecer na luta. Ainda assim, a série continua fiel à sua filosofia arcade.
O jogo claramente utiliza diversos sistemas de assistência para evitar situações excessivamente punitivas, funcionando quase como um fly-by-wire invisível para o jogador. Você não precisa ser o Maverick para aproveitar a experiência. O foco continua sendo diversão, espetáculo e combate aéreo cinematográfico.
Nossa missão durante o teste era relativamente simples: proteger o espaço aéreo da frota e eliminar aeronaves inimigas que haviam invadido a região.
Na prática, porém, era impossível não se sentir dentro de um filme.

A adrenalina vinha da combinação entre gerenciamento de velocidade, evasão de mísseis, posicionamento e escolha do momento ideal para atacar. Após escapar de um disparo inimigo com uma curva agressiva, bastava inverter a direção, travar o alvo e lançar um AIM-120 AMRAAM. Segundos depois, o radar confirmava o impacto enquanto os destroços do MiG adversário atravessavam o céu iluminado pelo sol do fim de tarde. Absolute cinema.
E o novo sistema de destruição torna tudo ainda mais satisfatório. As aeronaves não simplesmente explodem. Elas se despedaçam em vários fragmentos, espalhando destroços pelo céu de maneira muito mais convincente do que nos jogos anteriores.
O encerramento da missão exigia um pouso em porta-aviões, algo que eu estava particularmente interessado em experimentar. Infelizmente, novas ameaças surgiram antes que eu pudesse concluir a aproximação final, e a demonstração seguiu com mais combates.
Mas, novos inimigos cruzaram os céus, companheiros pediram ajuda pelo rádio, interceptações de emergência e proteção de ativos estratégicos. Tudo acontecendo ao mesmo tempo. E então voltamos ao bom e velho estilo Ace Combat de ser.
Depois de jogar, saí com a impressão de que Ace Combat 8: Wings of Theve está muito próximo de entregar aquilo que os fãs esperam desde o lançamento de Ace Combat 7. A campanha parece mais ambiciosa, os personagens demonstram potencial, o sistema atmosférico impressiona e o combate continua divertido.
Se a versão final conseguir manter o ritmo apresentado nesta demonstração, a Bandai Namco tem nas mãos um dos candidatos mais fortes a destaque deste competitivo mês de outubro. Decolagem autorizada.
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