Jogo
Ace Combat 8: Wings of Theve
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Voar de avião pela primeira vez é uma experiência inesquecível. O nervosismo por sair do chão, as mãos suando frio enquanto apertam os braços da cadeira, o coração saltando pela boca, os ouvidos levemente entupidos pela pressão do ar, o frio na barriga por conta da gravidade zero momentânea ao decolar… Listar todos os sentimentos desse momento poderia consumir o espaço completo dedicado a esta análise. E é justamente disso que se trata Ace Combat 8: Wings of Theve: carregar e vivenciar todos os sentimentos de um verdadeiro ás da pilotagem.
Após sete anos de hiato, a franquia finalmente recebe mais um título inédito. E, se Ace Combat 7: Skies Unknown já foi uma experiência sólida para os entusiastas da aviação, Wings of Theve vai além, como uma verdadeira experiência cinematográfica à la Top Gun, junto de um gameplay frenético e, principalmente, divertido.
Ace Combat 8: Wings of Theve foi claramente construído para ter uma história mais elaborada e cinematográfica que a de seus antecessores. Não é à toa que a Bandai Namco investiu até mesmo em uma série de vídeos live-action que funciona como prólogo para a campanha (com direito à presença de Josh Holloway no elenco).
Na história, os jogadores assumem o papel de “Rex”, um piloto da Marinha da Federação de Usea Central (FUC) durante uma guerra contra a República de Sotoa. Bem, na verdade, o “Rex” aqui é um substituto do verdadeiro, que foi abatido em combate.

O personagem do jogador era originalmente apenas um oficial dos sistemas de armas de um F/A-18F Super Hornet de dois lugares. Certo dia, ele acompanha o verdadeiro Rex, uma espécie de herói nacional da FUC, em uma missão, mas o avião que ambos pilotavam é derrubado pelo inimigo, causando o falecimento da lenda. Você sobrevive e, para evitar um colapso no moral das tropas e da população, é obrigado por seus superiores a vestir seu capacete e manter viva a alcunha do chamado “Asas de Theve”.

O cenário é, obviamente, muito mais amplo do que apenas ser um substituto. A República de Sotoa está em posse de grande parte do território da FUC, incluindo a capital, Theve. Não só isso, mas as forças militares da FUC foram quase totalmente aniquiladas. As coisas não estão fáceis.
O papel de Rex é dar esperança a todo um povo de que a maré pode mudar (ou, no caso desse jogo de aviação, os ventos podem mudar). Para ajudar o protagonista nesta empreitada, ele é acompanhado por uma verdadeira equipe de sidekicks: Ellington Baxter, Tasha Severskya e William Coster.
Baxter, Tasha e Coster são seu esquadrão para o que der e vier. Há outros personagens memoráveis na trama de Ace Combat 8: Wings of Theve, mas, justamente por estarem com Rex o tempo inteiro (e lutando com e por ele), esses três destoam dos outros com suas personalidades marcantes. Baxter é sábio e calmo, Tasha é extrovertida, enquanto Coster é um roqueiro que adora ir para as missões com o som nas alturas (literalmente).

Do início ao fim, o jogador realmente se sente parte de um time que precisa lutar pelo seu país. Uma engrenagem importante de um maquinário que precisa funcionar. Sem Rex, o futuro está perdido. É aí que você se acha um Maverick, de Top Gun. É o mais próximo que chegaremos disso, né?
Ace Combat 8: Wings of Theve brilha na história da campanha, mas é o gameplay que realmente importa no fim das contas. A jogabilidade, em resumo, é uma delícia. Subir no avião pela primeira vez pode causar um certo nervosismo, mas isso rapidamente dá lugar a uma empolgação genuína.

Sim, o nervosismo existe, muito por conta das diversas informações que você precisa absorver de uma vez, além de todas as outras informações que já aparecem na tela. É necessário aprender a manobrar seu caça, perseguir inimigos, desviar de mísseis, evitar o perigoso estado de estol, esconder-se nas nuvens, atentar-se ao radar a todo momento, dar ordens aos seus companheiros… É realmente muita coisa.
Mas não se preocupe: embora sejam muitas coisas, o tempo é o seu melhor amigo. Ao longo da campanha (e com os vários tutoriais de treinamento), você vai encontrar a sua altitude correta. E, quando a encontra, é diversão pura.
Existem quatro tipos de aeronaves: caças, multitarefas, atacantes e eletrônicas. Elas têm funções específicas que se encaixam melhor de acordo com a sua missão e com a composição da sua equipe.

Os caças são perfeitos para combates ar-ar, ou seja, se seus oponentes também forem aviões. Os atacantes são excelentes se sua missão envolver alvos no chão, sendo efetivos contra instalações terrestres e alvos navais, além de possuírem forte blindagem contra danos antiaéreos. Os eletrônicos são suportes, servindo para buffar seus companheiros ou atrapalhar o armamento inimigo. Por fim, os multitarefas são o que o próprio nome indica: uma espécie de faz-tudo.
Escolher o seu tipo de avião (e o de seus companheiros) é essencial para o sucesso de uma missão. Felizmente, o jogo indica, por meio de medidores “ar-ar” e “ar-terra”, se sua equipe está capacitada para superar os desafios antes de uma surtida.
Claro, os sistemas de Ace Combat 8: Wings of Theve vão muito além de uma simples seleção de classes de aviões. O jogador pode equipar armas especiais para cada aeronave (mísseis, bombas etc.), adquirir naves mais poderosas, bem como aumentar o poder de fogo delas comprando peças.
Dentro das missões, Rex e sua equipe terão uma série de tarefas a cumprir. Escoltar aliados, derrubar naves inimigas, destruir navios e instalações terrestres e por aí vai. Não espere facilidade: a curva de aprendizado é alta e certas quests são bastante punitivas. Inclusive, se você é daqueles jogadores mais “esquentadinhos”, é possível sofrer um “rage” aqui ou ali por falhas nos objetivos e, consequentemente, resetar até o checkpoint obtido dez minutos antes.

Felizmente, Ace Combat 8: Wings of Theve não se resume apenas ao single-player. Durante o período de testes, tivemos a oportunidade de participar de uma sessão multiplayer online organizada pela Bandai Namco.
O gameplay online é bastante satisfatório e divertido (especialmente se o jogador possui um esquadrão com os amigos). Nas partidas que jogamos, não houve qualquer lag ou queda de frames (as únicas coisas que caíram foram aviões).
Por outro lado, fica o aviso: organizar uma partida e convidar um amigo para uma sessão é um tanto confuso. A Bandai Namco poderia tornar as coisas mais intuitivas, como acontece, por exemplo, nos lobbies de Call of Duty, onde basta se juntar a um companheiro e clicar em um botão de “Buscar Partida”.
A Bandai Namco merece o maior dos “air shows” no quesito técnico e sonoro. Os gráficos são de ponta: os aviões estão lindos, o céu e o mar são um deleite para os olhos, enquanto os personagens têm designs bastante marcantes e chamativos (no bom sentido da coisa).

A trilha sonora não deixa a desejar, sendo bastante agradável aos ouvidos. William Coster que o diga! O trabalho de áudio todo, na verdade, é primoroso. Os efeitos sonoros dos aviões, das explosões e dos tiros chamam a atenção pelo realismo.
O desempenho também é de se elogiar. Não há quedas notáveis de FPS, mesmo dentro de nuvens, em meio a tempestades ou em cenários grandiosos cheios de aeronaves e navios e com várias partículas na tela.
Vale muito a pena. Seja para veteranos, seja para quem nunca pilotou uma aeronave, Ace Combat 8: Wings of Theve é um verdadeiro deleite em sua jogabilidade.
Com uma história muito mais atrativa em relação às que já vimos em outros jogos da franquia, Wings of Theve agrada aos lobos solitários do single-player. Ao mesmo tempo, o jogo oferece um multiplayer consistente e que certamente vai gerar horas de diversão com os amigos online.
Como se essas coisas já não bastassem, vale mencionar que, ao adquirir uma cópia de Ace Combat 8, o jogador leva de presente uma cópia de Ace Combat Zero: The Belkan War, clássico de PlayStation 2. Que beleza!
Ace Combat 8: Wings of Theve promete acabar com a sua aerofobia. Prepare-se para a decolagem!
Veredito
85
Desenvolvedor
Bandai Namco
Consoles
PlayStation 5
Jogadores
1
Veredito
85
Jogo
Ace Combat 8: Wings of Theve