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Prévia: Arknights: Endfield aposta em profundidade e estratégia para conquistar jogadores

Impressões do beta mostram que Arknights Endfield pode ser o próximo grande fenômeno chinês de ação tática em tempo real

Prévia: Arknights: Endfield aposta em profundidade e estratégia para conquistar jogadores

Los Angeles Confesso que cheguei com o pé atrás para conhecer mais de Arknights: Endfield. Nunca fui muito adaptado ao gênero gacha. Mesmo reconhecendo sua importância e impacto, meu interesse era só uma pontinha de curiosidade, sem aquele empurrão necessário para me envolver de verdade. Esse empurrão finalmente veio, e na hora certa.

E assim como eu, você também deve estar se perguntando: que jogo é esse? O que ele propõe e tenta trazer de novo para o cenário?

Para minha surpresa (e, talvez, para a sua também), o jogo já tem uma base de fãs bem ativa e os números dos seus vídeos ajudam a comprovar isso. O trailer do novo beta test já bateu 4,3 milhões de visualizações no YouTube, enquanto a livestream mais recente, que trouxe novidades, passou das 670 mil. Tem muita gente de olho no game.

E depois de experimentar boas horas do teste, tenho certeza de que muito mais gente ainda vai embarcar nessa. Ouso dizer que vem aí mais um sucesso chinês do gênero. Se eu fosse algum líder da HoYoverse, ficaria, no mínimo, com as sobrancelhas em alerta.

Mas antes de entrar em mais detalhes sobre o que experimentei, acho que vale explicar o básico do básico, né? First things first.

A aposta da Hypergryph para além do tower defense

Arknights: Endfield é um jogo de ação e estratégia em 3D que mistura combates em tempo real com construção de base e gerenciamento de recursos. Ele é um spin-off de Arknights, mas deixa de lado o tower defense para explorar uma jogabilidade mais aberta, com exploração de mapas, missões táticas, combates em equipe e vários sistemas entrelaçados.

Você joga como o Endministrator, um tipo de comandante encarregado de expandir a presença humana em Talos-II, um planeta hostil cheio de monstros, anomalias e áreas corrompidas. A missão é explorar territórios, construir estruturas, recrutar operadores e sobreviver aos perigos do mundo.

No combate, você controla até quatro operadores, podendo alternar entre eles em tempo real. Cada um tem ataques básicos, especiais e uma habilidade final. O diferencial está na barra tática compartilhada entre os personagens, que limita o uso dos poderes especiais e exige planejamento. Se você gasta tudo com um operador, pode ficar sem resposta na hora de um ataque inimigo mais forte. Além disso, há um sistema de desequilíbrio: ao receber muito dano concentrado, alguns inimigos ficam vulneráveis a ataques de execução, o que adiciona um elemento interessante ao ritmo dos embates.

Arknights: Endfield
Arknights: Endfield: trama promete ser elaborada e repleta de escolhas.

E aqui vale dar um exemplo prático. Durante uma batalha contra um chefão, percebi que alternar entre os personagens era essencial. Quando o inimigo entrava em estado de atordoamento, eu aproveitava para trocar para um operador com ataques corpo a corpo pesados. Depois, quando ele se recuperava e se mantinha à distância, assumia o controle de um personagem focado em dano à distância, enquanto um terceiro, com habilidades de cura, mantinha a equipe viva. Esse tipo de troca constante faz toda a diferença, principalmente em batalhas mais longas.

Também existem reações elementais. Os personagens podem causar efeitos físicos e elementais, que vão se acumulando em até quatro níveis (stacks) e, quando bem combinados, geram resultados devastadores. A montagem do time ideal considera essas interações. Usar personagens que combinem entre si para ativar esses efeitos avançados é parte da graça. Embora seja um sistema complexo, ele é apresentado de forma gradual, então não assusta logo de cara.

Aliás, isso vale para o jogo como um todo. Ele começa simples, com mecânicas acessíveis e controles fáceis de aprender, mas rapidamente escala em profundidade. E essa escalada pode ser até um pouco intimidadora. Em pouco tempo, você se vê lidando com múltiplas camadas de estratégia, troca de personagens em tempo real, leitura de padrões dos inimigos e uma tonelada de sistemas que se desbloqueiam conforme o jogo avança.

Arknights: Endfield
Arknights: Endfield: personagens mais avançados contam com opções mais robustas e menus diferenciados.

Inclusive, uma das dificuldades que senti foi com a navegação dos menus. A quantidade de janelas, submenus e interfaces específicas para cada sistema pode causar certa confusão no começo. Não chega a comprometer a experiência, mas certamente vai exigir um tempo de adaptação, principalmente para quem não está tão acostumado com jogos com tantos sistemas simultâneos.

Personagens são o coração do jogo

Os operadores (personagens jogáveis) são divididos por raridade, de 3 a 6 estrelas. Quanto maior o número de estrelas, mais complexas são suas habilidades e mais impacto eles causam no gameplay. Os de 3 e 4 estrelas podem ser obtidos jogando, enquanto os mais raros vêm dos banners de Headhunting, o sistema de gacha do jogo.

Há três tipos principais de banners: o gratuito (com garantias progressivas), o básico (que garante personagens fortes após 80 tentativas) e o premium (que oferece garantias ainda mais seguras, com até 120 pulls). Ao conseguir um operador, o jogador também recebe tickets que podem ser trocados por recursos e equipamentos.

Arknights: Endfield
Arknights: Endfield: é muito importante criar um grupo consistente.

Personagens 5 e 6 estrelas contam com tutoriais próprios, árvores de habilidades mais profundas e sistemas que exigem dedicação. Há até sinergias visuais e funcionais que afetam a equipe como um todo. São menus distintos, habilidades múltiplas e talentos com efeitos condicionais. Tudo isso influencia diretamente no jeito de jogar e evoluir.

Na build de testes, infelizmente, não foi possível experimentar o sistema de gacha real. Os operadores já estavam liberados no nível máximo, o que impediu de testar o balanceamento da progressão. Mas a complexidade e variedade estavam todas ali.

Construção e gestão fabril: muito além de um mini game

Um dos elementos mais inesperados (e surpreendentes) do jogo é o Automated Industry Complex (AIC), o sistema de fábricas. Ele é muito mais que um mini game de crafting. É praticamente uma simulação industrial com peso real dentro da progressão do jogo.

Você constrói linhas de produção, extrai matérias-primas, refina materiais, controla rotas e gerencia distribuição. Tudo com impacto direto na criação de equipamentos, recursos de progressão e expansão territorial. As fábricas abastecem as bases e as bases destravam novas missões e territórios.

E, se parecer complexo demais, o jogo oferece o sistema de Blueprint, que permite usar layouts prontos para fábricas, desbloqueados conforme o jogador avança em simulações e pesquisas. Além disso, os projetos podem ser compartilhados com outros jogadores, o que deve agradar bastante quem curte comunidade e otimização.

Cada região do jogo tem sua própria variação de fábrica. Wuling, por exemplo, usa fluídos como base da sua produção. A estética muda, os recursos também, e até as estratégias de gerenciamento precisam ser adaptadas.

No fim, investir nas fábricas reduz a dependência de sorte no gacha, o que é ótimo para quem prefere controlar sua progressão. Mas o custo disso é a curva de aprendizado. E como tudo está amarrado à jogabilidade, ignorar esse sistema não é uma opção.

O que vem por aí

Depois de boas horas jogando, testando personagens, mexendo nas fábricas, experimentando combinações e acompanhando a história, saí do evento com um interesse genuíno por Arknights: Endfield. Ele começa como um jogo de ação simpático e acessível, mas logo mostra que há muito mais ali.

É bonito, exigente, denso, cheio de sistemas interconectados e personagens. Pode assustar um pouco no começo, mas recompensa quem mergulha fundo. Talvez agora eu finalmente entenda o motivo de tanta gente estar de olho nesse jogo. E talvez você também entenda, quando der a primeira chance. O novo teste beta é logo ali.

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Autor

foto do author do artigo Daniel dos Reis

Daniel dos Reis

CEO

Fundador MeuPlayStation, Daniel dos Reis é formado em Ciência da Computação com mais de 15 anos de atuação em tecnologia e games. Especialista no ecossistema Sony, acompanha a marca desde o primeiro console, unindo visão técnica e análise crítica para liderar uma das maiores comunidades de PlayStation do Brasil.

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