Preview | Nekome: Nazi Hunter mistura vingança, violência e alguns sinais de alerta
Nekome: Nazi Hunter é um tanto quanto preocupante
Com combate mais técnico, builds versáteis e visual gótico
Na cidade dos anjos, onde o sagrado convive com o espetáculo, fomos recebidos não por um coral ou missa, mas por uma demo gótica e sangrenta. Dentro da centenária catedral de St. Vibiana, agora transformada em um espaço de eventos, empunhamos espadas, absorvemos memórias e enfrentamos horrores com o selo estiloso da Bandai Namco. Ironia ou destino, é difícil imaginar lugar mais simbólico para testar Code Vein 2, um jogo onde fé, sacrifício, dor e redenção se entrelaçam em cada passo.
Entre uma premiação e outra do The Game Awards, eu pude experimentar em primeira mão um pouco mais de Code Vein 2. A convite da Bandai Namco, fomos até os Estados Unidos para testar o game e conferir o que ele tem a nos oferecer.
Bom, a começar pela narrativa, ela não é exatamente uma sequência direta do primeiro jogo, de 2019. São novos personagens, novas histórias e novos ambientes, com a interessante possibilidade de se manipular o tempo, voltando ao passado e alterando o destino de personagens. Isso promete abrir margem para escolhas mais ramificadas e até mesmo múltiplos caminhos narrativos. Mas antes disso, vamos explorar o básico.
![[Jogamos] Code Vein 2 expande o universo do original com mais estilo e combate refinado 1 Code Vein 2_Preview_1](https://meups.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Code-Vein-2_Preview_1.webp)
O jogo ainda tem aqueles fragmentos de histórias. Você às vezes revive memórias do passado e vai descobrindo aos poucos sua origem e motivações. Talvez tenha faltado um pouco de originalidade aqui, mas a ambientação ajuda bastante a manter o interesse. O estilo anime gótico está mais refinado, com cenários mais detalhados, uma paleta de cores equilibrada e personagens estilizados com um capricho técnico.
Code Vein 2 amplia o que vimos no primeiro, a começar pelo criador de personagens. Neste novo capítulo, você pode perder boas horas alterando minuciosamente o rosto, roupas, olhos, cicatrizes, tatuagens, tipo de corpo, penteados e até os dentes do seu personagem. É um grau de personalização amplo e, para um jogo focado na imersão visual, isso funciona muito bem.
E falando em aparência, os gráficos estão mais bonitos. A estética de anime gótico retorna, só que mais vibrante, viva e estilizada. As expressões faciais estão mais detalhadas, as partículas de habilidades brilham mais intensamente e as animações, tanto de ataque quanto de movimentação, estão mais suaves e impactantes. A ambientação carrega uma melancolia bonita, com igrejas em ruínas, cristais pulsantes de energia e áreas de exploração que lembram cemitérios tomados por raízes e névoa.
E assim como no primeiro, há bastante conversa. Seu personagem interage com NPCs em diálogos longos, com muitas cutscenes. Diferente dos souls, Code Vein é muito mais guiado por narrativa, o que certamente agrada uma parte da plateia, especialmente quem curte histórias mais lineares ou com desenvolvimento de personagens.
Visualmente é um jogo bem bonito de se ver. Mas por trás da estética há bastante substância.
Ele traz de volta elementos essenciais tanto de gameplay quanto de estrutura do primeiro.
De estrutura: você ainda pode ser acompanhado de um parceiro, algo que muda totalmente a dinâmica do jogo. O parceiro ajuda em vários momentos, curando, alertando sobre perigos e atacando. Desta vez, a IA está mais afiada. Ela reage melhor a ataques, reposiciona com mais inteligência e consegue manter distância ou pressionar o inimigo, embora ainda cometa deslizes. Em chefes mais complexos, essa companhia vira uma tábua de salvação.
E se você é um guerreiro solo, por qualquer motivo que seja, existe a opção de pedir para o parceiro desaparecer. Nesse caso, você perde a companhia, mas ganha buffs significativos, como aumento de dano físico, velocidade de esquiva e recuperação de Ichor. São vantagens pensadas para equilibrar o desafio, mas ainda assim, jogar acompanhado é muito melhor em termos de sobrevivência e versatilidade.
De essência, o básico está lá: estamina para ataques e esquivas, Ichor como energia mágica para ativar habilidades especiais e a tradicional barra de HP. O sistema de Ichor continua sendo um dos diferenciais do jogo: a diferença é que agora o novo sistema de builds permite uma personalização ainda mais livre, combinando armas e habilidades de acordo com o estilo de jogo de cada jogador. O combate segue intenso, exigindo leitura constante dos movimentos dos inimigos, boa gestão de recursos e adaptação rápida em situações de risco. Saber quando atacar, quando recuar e quando usar habilidades mais poderosas faz toda a diferença, criando confrontos tensos, desafiadores e recompensadores a cada vitória.
![[Jogamos] Code Vein 2 expande o universo do original com mais estilo e combate refinado 2 Code Vein 2 Builds](https://meups.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Code-Vein-2-Builds.jpg)
O combate é exigente, técnico e punitivo. Você precisa medir bem os ataques, identificar padrões e manter o fluxo de batalha sob controle. Muitos inimigos têm ataques em área ou combos longos, então saber quando se afastar é tão importante quanto saber quando pressionar. O jogo te encoraja a manter um ritmo: se você hesita, o inimigo pune. Se arrisca demais, também. É um constante jogo de paciência e leitura do ambiente.
A construção de builds ganhou profundidade. As classes (Blood Codes) ainda existem, mas agora há mais liberdade para misturar habilidades passivas e ativas entre diferentes estilos. Você pode focar em builds de força bruta com martelos e espadas pesadas, criar um personagem ágil com lâminas duplas e alta esquiva ou montar um conjurador com baionetas. Há também variações híbridas que equilibram ataque físico e mágico, e tudo pode ser testado em áreas seguras, o que incentiva a experimentação constante.
A variedade de armas é muito boa. Na demo tivemos acesso a espadas de uma e duas mãos, martelos, lâminas rúnicas, baionetas, espadas gêmeas e até espadas corrompidas que aplicavam efeitos adicionais. Cada tipo tem seu próprio moveset e se comporta diferente com base no peso do personagem, o que afeta sua velocidade, rolagem e tempo de recuperação.
A exploração também segue o estilo que a gente conhece: você explora corredores escuros, procura baús escondidos, enfrenta inimigos grotescos que surgem de forma inesperada, destrava atalhos e analisa o layout de mapas interconectados. Algumas áreas são mais abertas e verticais, outras são claustrofóbicas, cheias de armadilhas e monstros que podem te empurrar para a morte com um único golpe.
![[Jogamos] Code Vein 2 expande o universo do original com mais estilo e combate refinado 3 1](https://meups.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Code-Vein-2-Preview_CHefao.webp)
A montagem de builds é mais importante do que nunca. Você precisa moldar seu personagem de acordo com seu gosto e estratégia: mais pesado, porém mais forte, às vezes mais leve e mais fraco ou, quem sabe, mais equilibrado. Code Vein 2 se aproveita bastante da experimentação: testa uma combinação e depois outra, e mais outra… e assim por diante, até encontrar a ideal. Isso pode parecer mais do mesmo para veteranos de soulslike, mas o jogo é claramente mais acessível e acolhedor. É muito menos amedrontador do que um souls puro, e isso é um ponto positivo para quem está começando nesse estilo de jogo.
Jogamos por volta de 3 horas do jogo e, nesse sentido, funcionou bem. Os combates contra os chefes foram o ponto alto. Eles estão ótimos, bem desenhados, com ataques telegrafados que exigem boa leitura do cenário e doses generosas de paciência. A sonoplastia merece destaque: o som dos golpes, os gritos dos monstros e as trilhas tensas ajudam a aumentar o peso de cada confronto. Os chefes usam buffs próprios e até forçam mudanças na sua build no meio da luta.
Infelizmente não fomos capazes de testar o esquema de viagens no tempo, mas estamos empolgados para tudo isso.
A experiência na antiga Catedral de St. Vibiana foi, no mínimo, simbólica. Um lugar que sobreviveu a terremotos e mudanças de propósito agora recebe um jogo sobre reconstrução de memórias, vidas fragmentadas e ecos de um passado que insiste em voltar. Não foi só um teste. Foi um lembrete de que até mesmo as histórias mais sombrias merecem um novo recomeço.
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