Preview | Nekome: Nazi Hunter mistura vingança, violência e alguns sinais de alerta
Nekome: Nazi Hunter é um tanto quanto preocupante
Um remake que busca equilibrar nostalgia e modernidade
Legado é aquilo que alguém, uma obra, uma empresa ou… um jogo deixa para as gerações seguintes. E cá estou eu, olhando para um banner enorme de Tomb Raider Legacy of Atlantis no Summer Game Fest, pensando em tudo o que esta franquia já deixou para nós desde que estreou, há quase 30 anos.
Por isso mesmo, revisitar sua primeira aventura é algo que carrega um enorme simbolismo. Refazer o jogo que deu origem a tudo pode ser um desafio, mas também uma oportunidade de apresentar esse clássico para uma nova geração sem abrir mão daquilo que o tornou especial.
Eu joguei e, como acontece em muitos testes desse tipo, não há muito contexto narrativo. Você simplesmente assume o controle, começa a jogar e tenta absorver o máximo possível da experiência.
Ainda assim, sabemos que Lara Croft foi contratada por uma empresária e colecionadora para recuperar um artefato misterioso escondido nas profundezas de uma cidade perdida no Peru. Esse artefato é o Scion, um objeto originado na lendária civilização de Atlântida que foi dividido em três partes e espalhado pelo mundo há milhares de anos. O primeiro fragmento está escondido na tumba de Qualopec, um dos governantes do antigo Triunvirato de Atlântida. É justamente em direção a essa tumba, localizada no Vale Perdido, que a aventura da demo nos leva.
Os primeiros minutos deixam claro que Legacy of Atlantis não está interessado em abandonar suas raízes. Os cenários são bonitos, repletos de vegetação densa, feixes de luz atravessando as copas das árvores e efeitos de iluminação impressionantes. O objetivo inicial é explorar uma tumba e resolver um quebra-cabeça envolvendo engrenagens, água e alavancas. É aquele velho esquema de Tomb Raider: encontrar peças faltando em um mecanismo, explorar os arredores, entender o funcionamento do ambiente e, finalmente, colocar tudo em movimento.

Larinha conta com um scanner capaz de revelar informações históricas sobre estruturas e objetos. Mas calma: o gadget não transforma o jogo em um passeio guiado. O sistema complementa a exploração com informações, mas não entrega a solução dos desafios.
O processo para avançar exige movimentação. Escalar plataformas, abrir passagens bloqueadas, utilizar ferramentas de escalada, subir, descer e observar o cenário fazem parte da experiência o tempo todo. E foi aí que percebi uma das características mais importantes do jogo.
Legacy of Atlantis parece exigir mais precisão do que os jogos da trilogia Survivor. Saltos, escaladas e a movimentação em geral pedem mais cautela. Nos primeiros minutos, existe até uma sensação estranha, como se algumas ações fossem mais lentas do que estamos acostumados. Mas basta um tempo de adaptação para perceber que a proposta é diferente. O jogo busca recuperar parte do peso e do comprometimento dos Tomb Raiders clássicos, onde cada salto exigia atenção.
A exploração também está de volta com força. Artefatos escondidos, caminhos alternativos e segredos espalhados pelo cenário incentivam o jogador a sair do caminho principal. Aos poucos, enquanto você utiliza o gancho para alcançar novas áreas e aprende a combinar velocidade e precisão nos movimentos, começa a se formar uma imagem mais clara da proposta do jogo.
O ápice da demonstração chega durante os confrontos contra velociraptores. É nesse momento que vemos algumas das novas habilidades de Lara em ação. O sistema de foco desacelera o tempo e permite alinhar disparos com mais precisão utilizando as icônicas pistolas duplas. Além do visual estiloso, os movimentos têm utilidade prática, servindo tanto para escapar de ataques quanto para reposicionamento estratégico durante o combate.

A sequência final muda o ritmo. O encontro com o T-Rex aposta em uma abordagem muito mais cinematográfica, lembrando, em alguns momentos, a trilogia Survivor. Corridas desesperadas, saltos no momento exato, câmera dinâmica e escaladas sob pressão criam uma fuga intensa que encerra a demonstração.
Naturalmente, um teste de menos de uma hora não é suficiente para entender toda a dimensão de um projeto desse tamanho. Ainda assim, foi uma amostra eficiente daquilo que a equipe pretende entregar. A demo mostra como funcionam a exploração das tumbas, os quebra-cabeças, a movimentação, o combate e alguns dos momentos mais empolgantes da aventura.
Visualmente, o jogo está bonito. Os cenários são ricos em detalhes e a performance de Alix Wilton Regan como Lara Croft ajuda bastante a dar personalidade à personagem. O desempenho técnico ainda apresenta algumas arestas que precisam ser aparadas, mas estamos falando de uma versão demonstrativa e claramente distante do produto final.

Se a intenção era transmitir confiança sobre a direção do projeto, a missão foi cumprida. Pelo menos nesta primeira impressão, Tomb Raider Legacy of Atlantis parece entender exatamente o que tornou Lara Croft uma lenda dos videogames. O caminho para um bom jogo está traçado. Agora resta descobrir se essa nova viagem ao passado será capaz de honrar um dos legados mais importantes da história dos games.
Tomb Raider Legacy of Atlantis chega ao PlayStation 5 em 12 de fevereiro de 2027, justamente na semana do Carnaval. Será que Lara Croft vai sambar?
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