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[Jogamos] SAROS: o novo exclusivo faz o PS5 dançar em ritmo acelerado

Testamos Saros por algumas horas e já deu para sentir o peso da Dança das Balas

[Jogamos] SAROS: o novo exclusivo faz o PS5 dançar em ritmo acelerado

Meu relacionamento com a PlayStation começou lá em 1996, quando eu tinha dez anos. Na saída da escola, eu passava por uma locadora e ficava horas vendo as pessoas jogarem o lendário PS1. Foi ali que eu me apaixonei. Amor à primeira vista.

Só que era um amor quase platônico. O console ficava na prateleira e eu, do outro lado, sem poder comprar. Mas dizem que o tempo resolve tudo, inclusive as feridas de um amor não correspondido.

Trinta anos depois, com todos os consoles em casa e trabalhando com games em um canal focado na marca, eis que a própria PlayStation me convida para dançar… vejam só.

E não é uma dança qualquer. Nada de valsa, baile de debutante ou tango. Meu par é Arjun Devraj, porque aqui a coreografia é outra. É a Dança das Balas, em Saros.

A convite da PlayStation, testei o novo exclusivo da casa, desenvolvido pela Housemarque. E olha, melhor preparar seu melhor vestido, o baile promete.

Saros: um AAA diferente dentro da própria PlayStation

Há algo de muito particular em Saros. Ele nasce dentro de uma família de exclusivos conhecida por colocar a narrativa em um pedestal, com nomes como God of War, The Last of Us, Horizon e Uncharted, mas escolhe outro caminho para brilhar.

A história existe, é mais trabalhada do que em Returnal e foi claramente reforçada como um pilar pela Housemarque. Só que o verdadeiro holofote continua sendo a jogabilidade. E talvez seja justamente aí que o jogo encontre sua identidade.

Em vez de tentar ser mais um blockbuster cinematográfico tradicional, Saros parece disposto a ser um AAA com personalidade, daqueles que chamam atenção por fazer algo diferente e escapar das armadilhas do “simulador de pai triste”.

A estrutura narrativa segue aquela base conhecida da ficção científica misteriosa. Estamos presos em um mundo hostil, mutável, cercado por perguntas e em busca de respostas. Em teoria, parece simples, mas Carcosa tem seu charme.

O planeta pode lembrar Atropos, mas passa uma sensação bem diferente. Ele parece mais aberto em alguns trechos, menos sufocante visualmente, embora continue carregado de estranheza e tensão. É o tipo de cenário que esconde algo em cada parede, em cada ruína, em cada silêncio.

Em apenas três horas, naturalmente não deu para mergulhar fundo em toda a história. Mesmo assim, algumas coisas já ficam evidentes.

Saros quer ser mais cinematográfico. Há mais personagens, mais conexões, mais elementos de lore espalhados pelo mundo, e isso já muda bastante a percepção. Arjun Devraj, vivido por Rahul Kohli, passa a sensação de um protagonista mais palpável, mais presente e interessante.

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A própria estrutura de comunicação reforça isso. Em vez de um isolamento quase total, como em Returnal, você ouve membros da equipe no rádio, recebe informações e percebe relações se formando. Dá para sentir que existe uma rede de pessoas em volta daquele colapso todo. Já não é um monólogo interno o tempo inteiro.

Se a narrativa parece mais robusta, o coração de Saros continua pulsando mesmo é na exploração e no combate. E tudo gira em torno desse ritmo que a Housemarque gosta de chamar, com razão, de Dança das Balas.

Explorar Carcosa envolve vasculhar cenários em busca de chaves, armas, itens de cura e recursos importantes para a run. A sensação, em muitos momentos, remete diretamente a Returnal, não tem como evitar a comparação.

Há áreas de confinamento que travam sua progressão até que todos os inimigos sejam eliminados, criaturas protegidas por barreiras que exigem ataques corpo a corpo e aquela leitura constante do mapa para decidir se vale a pena sair da rota principal.

Se você seguir para o ícone em forma de triângulo, normalmente estará indo para o fim daquela parte do mapa, enquanto símbolos parecidos com um A indicam salas com recompensas, como armas, cura e proficiência. É uma lógica familiar, mas bem encaixada no novo universo.

Também existe um ganho importante de mobilidade. Depois de vencer uma run, portais facilitam o retorno a biomas já explorados, o que dá ao jogo um senso mais claro de progressão entre tentativas.

Isso conversa diretamente com a proposta de Saros. Você cai, aprende, fortalece seu personagem e volta com mais ferramentas. O lema “volte mais forte” aparece na prática.

O Escudo

A maior diferença prática entre Returnal e Saros aparece no combate. Mais especificamente, no escudo.

Em Returnal, sobreviver significava dominar movimentação, leitura de projéteis e agressividade. Em Saros, tudo isso continua valendo, mas o escudo entra como peça obrigatória da coreografia.

As balas agora interagem com ele o tempo todo, e isso muda o combate em vários níveis. Não é um recurso opcional nem um botão de pânico que você aperta apenas para se proteger. É parte essencial da sobrevivência.

Você bloqueia, administra o tempo, lê o espaço, sente a pressão e responde. A Dança das Balas deixa de ser só esquiva e passa a incluir absorção, timing e contra-ataque.

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Os ataques vêm de todos os lados e não dão muito espaço para respirar. É preciso se movimentar quase sem parar, usar saltos, disparos carregados e ler o cenário em tempo real.

Em muitos momentos, a sensação é de improviso total. Você reage ao caos enquanto tenta manter o controle. E quando tudo se encaixa, a fluidez impressiona e sai aquele “uau” quase espontâneo.

Há armadilhas, lasers e riscos ambientais que punem qualquer descuido. Cair e perder energia dói, principalmente em um jogo em que cada pedaço de vida faz falta. Saros não testa só sua mira, mas sua capacidade de ser resiliente e disciplinado.

Mais ferramentas, mais risco, mais possibilidades

Durante as runs, você acumula recursos que fortalecem aquela tentativa. Melhora arma, eficiência, escudo e adrenalina. Também entra na equação o velho dilema de trocar ou não um equipamento no meio da pressão.

Shotguns, fuzis e pistolas aparecem com frequência, e essa decisão constante mantém a tensão. Ao mesmo tempo, Saros amplia bastante o senso de progressão permanente. A morte continua inevitável, mas não tem mais aquele gosto de reset total.

Existe uma árvore de habilidades com melhorias constantes, perks e modificadores aplicados em Carcosa. Alguns facilitam a jornada, outros mudam o comportamento do mundo.

Mas tudo tem preço. Mexer nesse equilíbrio altera o desafio ao redor. Cada escolha carrega consequência.

Saros não ficou mais fácil. Ficou mais amplo. O jogo oferece mais ferramentas, mas também aumenta a pressão com mais inimigos, mais perigosos e mais projéteis na tela.

Há até uma segunda chance dentro da run, destravada por perk. Um recurso inteligente que reduz a frustração sem quebrar a proposta. E é aqui que muita gente vai ser atraída para o jogo. Ter uma nova tentativa é excelente, aumenta muito a diversão e não necessariamente torna o jogo mais fácil, já que há outros elementos modificadores.

Eclipse

Na nossa realidade, costuma ser algo legal de acompanhar e até muito raro. Em Saros, corrói o mundo, altera a dificuldade, mexe no áudio e no visual. Quando aparece, Carcosa fica mais hostil e o combate sobe de nível.

Os disparos inimigos ficam mais perigosos e até as armas entram nessa lógica de instabilidade. Dependendo da situação, podem ajudar ou atrapalhar.

É aqui que a Dança das Balas atinge seu auge. Ela deixa de ser apenas combate e vira quase uma linguagem do jogo, ampliando os sentidos e tornando tudo ainda mais impressionante.

O mundo se move, o áudio fica mais impactante, é mais legal sentir o 3D nos ouvidos, as partículas explodindo na tela com mais ênfase, os gatilhos adaptáveis respondendo, cada disparo com peso. Os efeitos são mais densos, com mais partículas, iluminação e elementos simultâneos na tela.

Definitivamente, um dos melhores aproveitamentos técnicos do PS5 até aqui.

Shall we dance, Mr. Clark?

Ok, fui longe na referência. Você muito provavelmente não vai saber a qual filme estou me referindo. Mas a ideia é simples. Às vezes falta algo nas nossas vidas e a gente precisa se renovar.

A PlayStation precisa se renovar? Não muito. A aposta em single-player de histórias robustas ainda é um caminho seguro. Mas Saros é um caminho que vibra em outra frequência. Tem isso também, mas entrega algo diferente. Esse balanço. Essa dança. Esse algo inspirador.

Claro, ainda estamos falando de promessas. Isso aqui é uma prévia. Ainda falta ver como a narrativa vai se sustentar por mais tempo e até onde o jogo vai com seus sistemas.

Mas, com o que joguei, tudo parece alinhado para que o Eclipse aconteça do jeito certo e entregue não só o jogo mais ambicioso da Housemarque, como também um dos exclusivos mais interessantes do PS5.

E, do jeito que essa dança rolou comigo, olho no olho, tem tudo para dar namoro.

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Autor

foto do author do artigo Daniel dos Reis

Daniel dos Reis

CEO

Fundador MeuPlayStation, Daniel dos Reis é formado em Ciência da Computação com mais de 15 anos de atuação em tecnologia e games. Especialista no ecossistema Sony, acompanha a marca desde o primeiro console, unindo visão técnica e análise crítica para liderar uma das maiores comunidades de PlayStation do Brasil.

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