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Conversamos com a Crystal Dynamics sobre a nova Lara Croft, a reimaginação do clássico e o futuro de Tomb Raider
Durante o Summer Game Fest 2026, tive a oportunidade de jogar Tomb Raider: Legacy of Atlantis e conversar com alguns dos principais nomes por trás do projeto. Entre eles estava Raul Siqueira, um dos diretores da Crystal Dynamics e um dos brasileiros que hoje ajudam a moldar o futuro de uma das franquias mais importantes da história dos videogames.
Depois da demonstração, ficou claro que Legacy of Atlantis não é apenas um remake. A Crystal Dynamics o enxerga como algo maior: uma reimaginação capaz de unir três décadas de história de Lara Croft em uma única aventura.
E talvez seja justamente por isso que o estúdio acredita que este é o momento perfeito para revisitar as origens da arqueóloga mais famosa dos videogames.
Com o aniversário de 30 anos da franquia e muitos planos para o futuro de Tomb Raider, sentimos que este era um ótimo momento para voltar a essa fase específica da carreira da Lara”, explicou Raul. É um momento fundamental para a personagem e um ponto de encontro para fãs antigos e novos.
A palavra “futuro” apareceu mais de uma vez durante a conversa. Para a Crystal Dynamics, Legacy of Atlantis não serve apenas para revisitar o passado. O jogo também funciona como uma nova porta de entrada para tudo o que ainda está por vir na franquia.
Ao longo do bate-papo, os desenvolvedores fizeram questão de diferenciar Legacy of Atlantis de um remake tradicional.
A proposta não é reconstruir Tomb Raider de 1996 cena por cena. A ideia é reinterpretar aquela aventura clássica utilizando tudo o que a equipe aprendeu ao longo das últimas décadas.
Segundo os desenvolvedores, o trabalho começou identificando os momentos mais icônicos do jogo original. A partir daí, veio a pergunta que guiou o projeto: como expandir essas ideias sem perder aquilo que as tornou especiais?
Raul citou como exemplo um dos quebra-cabeças presentes na demonstração. Enquanto a versão original era mais direta, a nova interpretação adiciona narrativa ambiental, conexões mais claras com o mundo e novas camadas de exploração.
Queríamos entender qual era a essência daquele puzzle, como ele se conectava ao ambiente e como ele se conectava à narrativa”, explicou.
A mesma filosofia está sendo aplicada aos cenários, ao combate e à própria jornada de Lara.
O objetivo é preservar os momentos que marcaram gerações enquanto a aventura ganha uma escala compatível com os padrões atuais.

Talvez o aspecto mais interessante da conversa tenha sido ouvir como a Crystal Dynamics enxerga a protagonista nesta nova fase.
Quem acompanhou a trilogia Survivor testemunhou uma Lara marcada por perdas, traumas e desafios constantes. Era uma personagem em formação, descobrindo quem realmente era.
Legacy of Atlantis acontece depois disso.
Segundo Siqueira, todos os eventos da trilogia continuam sendo parte da história oficial da personagem. Nada foi descartado.
Mas agora estamos diante de uma Lara diferente.
Ela continua sendo a mesma Lara. Tudo o que aconteceu na trilogia Survivor continua fazendo parte da história dela”, afirmou. “Mas agora estamos vendo uma personagem mais madura, mais experiente e no auge de suas capacidades.”
Essa talvez seja a melhor definição para a protagonista do novo jogo.
Pela primeira vez em muitos anos, Lara Croft não está tentando sobreviver. Ela está no comando.

Ela domina as situações, explora ruínas antigas com confiança e executa acrobacias que remetem diretamente à imagem clássica da aventureira que conquistou milhões de fãs desde os anos 90.
Jeff Adams, diretor de experiência, resumiu bem essa evolução:
Esses eventos ajudaram a definir a Lara, mas não definem quem ela é.”
Em outro momento da conversa, Raul destacou algo que ajuda a entender o tom do projeto.
Ela está se divertindo. Está explorando o mundo.”
Parece uma observação simples, mas ela representa uma mudança significativa para a franquia. Legacy of Atlantis troca parte do peso dramático dos jogos recentes pelo senso de aventura, descoberta e fascínio que ajudou a transformar Tomb Raider em um ícone.
Uma das perguntas que fiz durante a entrevista foi sobre a sensação de isolamento presente no Tomb Raider original.
Quem jogou o clássico de 1996 provavelmente entende o que isso significa.
Era comum passar longos períodos completamente sozinho, explorando tumbas, resolvendo enigmas e tentando entender ambientes sem que alguém explicasse cada passo do caminho.
Curiosamente, Raul enxergou a própria pergunta como um sinal positivo.
O fato de você estar mencionando isso já mostra que parte do DNA do Tomb Raider original chegou até Legacy of Atlantis.”
Segundo ele, a equipe procurou recuperar essa sensação de liberdade e descoberta. Em vez de empurrar constantemente o jogador para a próxima explosão ou sequência cinematográfica, o objetivo é permitir que a exploração aconteça de forma natural.

Mas os desenvolvedores também deixaram claro que não estão tentando reproduzir exatamente o jogo de 1996. O foco está nas emoções.
Estamos olhando para os sentimentos que as pessoas tiveram quando jogaram o original e tentando recriar essas emoções para uma audiência moderna”, explicou outro membro da equipe.
Um dos momentos mais curiosos da entrevista aconteceu quando perguntei qual era o principal objetivo da Crystal Dynamics com Legacy of Atlantis.
Antes que a resposta viesse, um grupo de jogadores que experimentava a demo começou a comemorar em voz alta após um momento particularmente empolgante da aventura.
Jeff Adams interrompeu o raciocínio, apontou para a área de testes e sorriu.
Essa é a resposta.”
Segundo ele, ouvir jogadores reagindo daquela forma é exatamente o que a equipe deseja.
Queremos reacender aquela sensação de uma primeira experiência com Tomb Raider.”
O comentário ajuda a explicar boa parte da filosofia do projeto.
Legacy of Atlantis não tenta apenas despertar nostalgia. A ambição da Crystal Dynamics é fazer com que veteranos sintam novamente o encantamento da primeira aventura e que novos jogadores descubram por que Lara Croft continua sendo uma das personagens mais importantes da história dos videogames.

Quando questionei o que os fãs veteranos deveriam sentir ao jogar Legacy of Atlantis, Raul respondeu com apenas uma palavra:
“Awe.”
Algo próximo de admiração, encantamento ou deslumbramento.
É a sensação que a equipe espera provocar ao levar os jogadores novamente para lugares inspirados nas selvas do Peru, nos desertos do Egito e em outras localidades que ajudaram a construir a identidade da série.
Jeff Adams fez uma comparação interessante para explicar essa ideia.
Ele relembrou a experiência de ver personagens que conhecia apenas da imaginação finalmente ganhando vida em produções modernas.
Para ele, Legacy of Atlantis busca reproduzir exatamente essa sensação.
A de finalmente enxergar, com a tecnologia atual, a aventura que muitos fãs imaginaram durante décadas.

Ao fim da conversa, uma mensagem ficou clara: Legacy of Atlantis não existe apenas para celebrar os 30 anos de Tomb Raider.
Ele existe para apresentar a versão definitiva de Lara Croft para uma nova geração.
Uma Lara experiente, confiante, dona do próprio destino e pronta para embarcar em aventuras maiores do que nunca.
Ou, como o próprio brasileiro definiu, uma Lara que chegou ao auge de suas capacidades.
Se a Crystal Dynamics conseguir entregar tudo aquilo que prometeu durante nossa conversa no Summer Game Fest, Legacy of Atlantis pode acabar se tornando muito mais do que uma reimaginação de um clássico.
Pode ser o ponto de partida para o próximo grande capítulo da história de Lara Croft.
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