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“Conexão demais não é bom”, diz Hideo Kojima sobre Death Stranding 2

O criador japonês revelou novos detalhes sobre a jornada de Sam Bridges e explicou como o excesso de conexão pode levar à fragmentação

“Conexão demais não é bom”, diz Hideo Kojima sobre Death Stranding 2

No último fim de semana, Hideo Kojima finalmente atendeu ao chamado que ecoava há anos e pisou em solo brasileiro. Desde o lançamento do primeiro Death Stranding, o criador vinha recebendo convites para visitar o país, mas o tempo, a pandemia e o desenvolvimento da tão esperada sequência sempre atrasavam esse encontro. Agora, com Death Stranding 2: On the Beach nas lojas, a maré mudou. Kojima veio, viu e se conectou.

Durante a Brasil Game Show, o criador foi recebido como uma verdadeira celebridade global. O público vibrou com sua chegada, pediu autógrafos, fez filas para conhecê-lo e transformou cada aparição sua em um momento memorável. Até mesmo o cosplay — ou melhor, o “crossplay” — teve seu toque especial, com Kojima participando como jurado.

Em meio a toda essa agitação, o MeuPlayStation teve a oportunidade de participar de uma entrevista com o mestre e ouvir diretamente dele os detalhes por trás de On the Beach. Entre palavras traduzidas, risadas tímidas e reflexões, Kojima compartilhou sua visão sobre solidão, conexão, tecnologia e o processo criativo por trás de seu universo tão peculiar.

 

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Hideo Kojima falando com a imprensa. Crédito: Whido

 

Sam Bridges, solidão e um novo fio narrativo

Ao falar sobre Death Stranding 2, Kojima destacou que Sam ainda carrega o peso da solidão mesmo cercado por uma nova “família” a bordo da nave Magalhães. Ele explicou que essa sequência mergulha em um tipo de isolamento diferente: aquele que sentimos mesmo entre os nossos. “Você trabalha o dia inteiro, chega em casa e vê todo mundo relaxando… É como se só você estivesse lutando”, contou. Essa experiência, segundo ele, inspira a narrativa e a emoção do jogo.

A conexão excessiva também pode nos quebrar

Durante a pandemia, Kojima teve tempo para refletir sobre os limites da conectividade. Death Stranding 1 falava de reconstruir um mundo despedaçado através dos laços. Já On the Beach questiona: será que deveríamos mesmo ter nos conectado tanto?

Essa crítica sutil está presente em cada detalhe do jogo, inclusive na capa. Se antes o fio da conexão pendia reto, agora ele cai de cima para baixo, torto, fragmentado. É a representação visual de um mundo onde o excesso de laços também pode nos deixar pendurados, como marionetes perdendo o controle.

Death Stranding 2

Social Strand System: a conexão que não é sobre likes

Kojima também falou sobre a origem do Social Strand System, que retorna ainda mais robusto em On the Beach. Ele explicou que a ideia era criar conexões verdadeiras entre jogadores, mas sem recompensas tangíveis. Nada de moedas, trocas ou upgrades, só o sentimento de que alguém, em algum lugar, te ajudou. O número de likes é apenas um símbolo de orgulho, algo seu. Não é para mostrar, é para sentir.

A criação de um universo único para Hideo Kojima

Nas perguntas enviadas pelo MeuPS, Kojima falou sobre dois pontos cruciais do seu trabalho: o equilíbrio entre liberdade criativa e responsabilidade comercial, e a escolha de nomes que moldam a identidade de seus personagens e mundos.

Ele revelou que não quis repetir o padrão de jogos espaçados como fazia em Metal Gear. Queria expandir o sistema inovador de entregas logo em uma sequência, aproveitando que ainda havia muito a explorar nesse universo. Inclusive, brincou com a ideia de que Sam poderia até ter trocado de profissão no segundo jogo, mas decidiu seguir em frente com a mesma missão, agora em outras praias.

Sobre os nomes, Kojima contou que carrega conceitos inteiros na cabeça antes de batizar um personagem. Em Death Stranding 1, a inspiração era a Rota da Seda. Já em On the Beach, pensou nas Companhias das Índias, exploradores que navegavam entre continentes e dominavam o mundo por meio de embarcações. A nave Magalhães, por exemplo, reflete esse espírito.

Kojima e os atores: além da performance

Kojima falou também sobre sua relação com atores como Norman Reedus, com quem trabalha há quase 10 anos. Revelou que os dois são próximos a ponto de conhecerem as famílias um do outro. Reedus, aliás, ajuda a descontrair o set e já se tornou um guia para os novatos.

Death Stranding 2 cast

Ele explicou que escolher atores de Hollywood não é sobre “cinematizar” seus jogos, mas sobre capturar o espírito certo. Segundo ele, o rosto e a emoção de um personagem importam tanto quanto a dublagem, por isso busca atores completos, que consigam passar sentimentos mesmo nos momentos silenciosos. E sim, Death Stranding 2 tem novos rostos intensos, antagonistas com profundidade e personagens que você vai querer fazer cosplay.

O mundo real molda o mundo dos jogos

Para encerrar, Kojima foi direto: não dá para separar o mundo real da criação artística. Tudo o que vivemos, sentimos e enfrentamos se reflete em suas histórias, e isso vale para os jogadores também.

“Quando você joga algo, você está reagindo com base no seu momento de vida. Por isso o mesmo jogo pode parecer diferente com o passar do tempo”, disse.

Na BGS 2025, o criador de um dos jogos mais filosóficos da indústria finalmente se conectou com o povo brasileiro. Entre chuva no Beco do Batman, café especial, cosplay, autógrafos e emoção, Kojima mostrou que Death Stranding 2 não é apenas uma sequência, mas uma resposta aos tempos, às perguntas que nos fizemos nos últimos anos e, principalmente, à necessidade de seguir em frente, mesmo quando tudo parece fragmentado.

E o fio da conexão, mais uma vez, se esticou. Desta vez, entre o Japão e o Brasil.

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Autor

foto do author do artigo Daniel dos Reis

Daniel dos Reis

CEO

Fundador do MeuPlayStation, formado em Ciência da Computação e especialista na indústria de games, com mais de 15 anos de experiência e ampla cobertura do ecossistema PlayStation.

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