“Não queria reviver P.T.”, diz Kojima sobre os bastidores de Physint
Diretor afirma que não há ressentimentos e entende o momento delicado da indústria de games
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Diretor afirma que não há ressentimentos e entende o momento delicado da indústria de games
A decisão da Sony de interromper o financiamento de Physint pegou Hideo Kojima de surpresa e chegou a colocar em dúvida o futuro da Kojima Productions. Em entrevista ao IGN, o desenvolvedor revelou detalhes da reunião em que recebeu a notícia, explicou as preocupações com sua equipe e contou como iniciou as conversas que levaram o Xbox a assumir a parceria do projeto. Segundo Kojima, a produção continuou mesmo após a mudança, embora com uma equipe reduzida.
Kojima explicou que a Kojima Productions funciona de maneira independente e depende de contratos individuais para manter suas operações. Na época da decisão da Sony, o estúdio tinha apenas dois projetos em andamento, OD e Physint, o que fez com que a perda de um dos contratos pudesse representar um problema significativo para o fluxo de caixa da empresa. O fim da parceria exigiria cortes da equipe, algo similar com que havia acontecido no projeto da Konami.
Temos cerca de 200 funcionários; eu havia expandido a equipe justamente por causa do Physint. Eles são talentosos, é claro. Alguns vieram de grandes corporações para o meu estúdio. Eu até os avisei que talvez não fosse uma boa ideia… Mas, de qualquer forma, eu precisava proteger esses profissionais valiosos. Também já tinha começado a fazer escaneamentos de atores para o projeto e a conversar com artistas sobre colaborações para o Physint. Eu não podia simplesmente dizer a eles que o jogo havia sido cancelado. Não queria repetir o que aconteceu com P.T.. Claro, eu não queria que eles ficassem preocupados.

A notícia foi comunicada em uma reunião por Zoom realizada em junho. Kojima estava acompanhado pelo presidente da Kojima Productions, Shinji Hirano, e pelo responsável pelo desenvolvimento de talentos, Aki Saito. De acordo com o desenvolvedor, a Sony informou que não poderia mais financiar o desenvolvimento de Physint. A revelação o deixou em choque, principalmente porque ele acreditava que o projeto estava garantido.
O impacto da decisão não estava relacionado apenas ao desenvolvimento de Physint. Kojima revelou que chegou a considerar a possibilidade de precisar demitir integrantes da equipe ou até mesmo fechar o estúdio. A Kojima Productions havia ampliado seu quadro de funcionários justamente por causa do projeto, chegando a cerca de 200 pessoas.
Apesar do cenário, Kojima afirmou que não ficou ressentido com a Sony. Ele destacou que trabalha com a empresa há aproximadamente 30 anos e que entende o momento complicado atravessado pela indústria de games. Ao mesmo tempo, sua principal preocupação passou a ser proteger os funcionários da Kojima Productions.
A situação também tinha um peso pessoal para o desenvolvedor. O estúdio completou dez anos, enquanto Kojima celebra quatro décadas de carreira na criação de jogos. Physint representava, segundo ele, a convergência dessas duas trajetórias. Durante a pandemia, Kojima passou a refletir sobre quanto tempo ainda teria pela frente e decidiu investir grande parte de sua energia no projeto.

Mesmo sem o financiamento da Sony, Kojima decidiu que Physint precisava continuar. Pouco depois da reunião, voltou à sua mesa e começou a trabalhar ainda mais no conceito do jogo. Inicialmente, o assunto ficou restrito a Kojima, Hirano e Saito, enquanto os três avaliavam quais caminhos poderiam seguir.
A primeira ideia foi buscar novos parceiros dentro do mercado de games. Porém, Kojima percebeu que poderia apresentar Physint de uma maneira diferente. Em vez de simplesmente procurar uma empresa que financiasse um jogo, ele passou a apresentar o projeto como uma nova propriedade intelectual com potencial para diferentes mídias.
Foi nesse contexto que o Xbox entrou nas conversas. A Kojima Productions já trabalhava com a Microsoft em OD, o que facilitou a aproximação. Kojima apresentou formalmente Physint e, segundo seu relato, a reação inicial foi extremamente positiva.
Além do financiamento, o desenvolvedor procurava uma empresa capaz de oferecer suporte técnico, marketing, testes e outros recursos que a Kojima Productions não conseguiria realizar sozinha. O Xbox, segundo Kojima, poderia atender a essas necessidades.

A mudança de parceria provocou uma redução temporária na equipe dedicada a Physint. Parte dos funcionários foi transferida para OD, mas Kojima revelou que nenhum integrante deixou a empresa.
O desenvolvedor contou que chegou a temer que a equipe perdesse a motivação ou começasse a procurar outros empregos. A reação foi diferente do esperado. Quando voltou ao estúdio na semana seguinte, encontrou os funcionários trabalhando na apresentação de Physint com entusiasmo.
Para Kojima, a postura demonstrou a resiliência da equipe e foi uma das surpresas positivas durante o período de incerteza. Desde então, as negociações com o Xbox avançaram e o grupo responsável pelo projeto continuou realizando experimentos relacionados ao jogo.
A produção, entretanto, ainda está em uma fase bastante inicial. Kojima explicou que continua trabalhando diretamente em elementos como o mundo, sistema de jogo, cenário, direção visual, design, modelagem, elenco e escaneamento de atores.
A tecnologia também permanece em experimentação. A equipe está testando recursos como inteligência artificial para os inimigos, e os resultados desses experimentos podem influenciar a própria história do jogo. Por isso, atualmente apenas uma equipe pequena permanece dedicada às etapas essenciais de Physint, enquanto a maior parte dos desenvolvedores trabalha em OD.

Apesar de a Kojima Productions já estar trabalhando com o Xbox, Kojima revelou que ainda não decidiu qual engine será utilizada em Physint. O desenvolvedor afirmou que continua experimentando diferentes possibilidades.
A parceria com o Xbox, por outro lado, permitirá acesso a tecnologias que chamaram sua atenção durante visitas anteriores à empresa. Kojima mencionou os laboratórios da Microsoft e as pesquisas realizadas em áreas consideradas de vanguarda tecnológica.
Apesar da nova parceria com o Xbox, o futuro de Physint no PlayStation ainda não está definido. Questionado sobre a possibilidade de o jogo também ser lançado no console da Sony, Kojima afirmou que essa decisão cabe ao Xbox.
O desenvolvedor disse acreditar que a Microsoft busca alcançar o maior número possível de jogadores, independentemente da plataforma, mas ressaltou que ainda não existe uma definição concreta que possa ser anunciada.
Kojima também confirmou que a Sony não voltou a entrar em contato com ele para explicar o motivo da interrupção do financiamento. Ele afirmou que não existe uma briga entre as empresas e reforçou que continua tendo uma relação de longa data com a PlayStation.
Agora trabalhando com um novo parceiro, Kojima afirma que pretende levar Physint até o fim. Mais do que isso, ele já considera a possibilidade de expandir a propriedade para outras mídias.
A entrevista foi realizada antes de uma reportagem da Bloomberg que apontou supostas preocupações da Sony com prazos, orçamento e desempenho comercial de Death Stranding como fatores para a decisão envolvendo Physint. Em comunicado oficial, a Kojima Productions contestou as especulações e afirmou que nenhuma das alegações citadas havia partido de uma fonte oficial.
Fonte: IGN
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