Denshattack!: vale a pena?
Divertido, maluco e vivo: Denshattack é "absolute videogame!"
Mais um jogo LEGO. Isso é motivo de alegria total. Porque não é só mais um jogo LEGO.
Antes de mais nada, LEGO Os Incríveis é uma surpresa, por assim dizer. O novo titulo dos blocos de montar é o que se pode chamar de “o mais LEGO dos jogos LEGO”. Uma jogabilidade simples e divertida. Uma temática que casa uma saga já estabelecida, com dinamismo. E um enredo conhecido, com licença criativa para trazer novidades.
O jogo repete a fórmula de sucesso de outros títulos LEGO. Pega-se uma franquia (ou filme) de sucesso, e a adapta à temática das peças de montar. O jogo é ótimo e divertido, isso é um fato inegável. No entanto, “repete a fórmula de sucesso”.
É Incrível (com o perdão do trocadilho) como a Traveller’s Tales consegue extrair algo novo de uma franquia já tão batida (aqui falamos dos jogos LEGO). Mais surpreendente ainda é como isso se casa com a temática da proposta de forma magistral. Acredite, caro jogador. Sem dúvida, este jogo proporciona momentos realmente… Incríveis.
LEGO Os Incríveis conta a história dos dois filmes, com o segundo ainda em cartaz. Curiosamente, o jogo começa exatamente por esse – então, se você ainda não o viu, e se importa com spoilers, recomendamos que, antes de mais nada, você deixe o jogo de lado até assisti-lo, e depois volte.

A família Pêra se encontra envolta nas ameaças do Hipnotizador (na história do segundo filme) e Síndrome (do primeiro), e precisa se unir para resolver enigmas, superar obstáculos e salvar o dia. Mesmo que isso seja ilegal, e você precise provar a todos que não é o vilão (vilã) da história.
O mais bacana são as licenças criativas que a equipe de desenvolvimento adotou na narrativa. É certo que algumas partes não são tão recomendadas para crianças, seja porque elas não entenderiam, ou ficariam muito impressionadas. A Traveller’s Tales está de parabéns.

Honestamente, esperava-se um jogo “mais do mesmo”. Especialmente depois de LEGO Marvel Super Heroes 2, onde não houve tanta inovação. Este que vos escreve já aguardava algo bem morno. Mas ser surpreendido com tantas coisas legais e diferentes, bem implementadas e imersivas, é outro nível.
Existem inúmeras mecânicas novas no título. Cita-se aqui especialmente aquelas que requerem um “trabalho em equipe”, que fica muito mais evidenciado em LEGO Os Incríveis. Um destas é a montagem de “ferramentas incríveis”. Os jogadores precisam coletar blocos incríveis no cenário, e depois monta-las. Tudo muito divertido.

Fora que o jogo, como dito acima, é o que se pode considerar o mais LEGO de todos. Os personagens vem naqueles famosos “pacotes-surpresa”, e é extremamente satisfatório abri-los. Quase como no mundo real.
Para destravar missões, os jogadores precisam livrar certos distritos das ondas de crimes. Feito isso, diversas atividades ficam disponíveis, e as missões da história vão se desenrolando. É realmente incrível como o jogo quase nunca fica maçante ou chato.

LEGO Os Incríveis é realmente um bonito jogo. Os diversos ambientes criados com os blocos de montar são bem construídos, e os elementos dos cenários são bem incorporados. Os personagens modelados são bastante caricatos (e até um pouco feios, diga-se de passagem), mas nada que atrapalhe a experiência.
Já a parte sonora é um show a parte. As vozes são, em sua quase totalidade, aquelas originais dos personagens nos filmes. Isso traz aquela sensação de que o trabalho foi muito bem executado. O jogador gosta, o fã gosta, todo mundo gosta. Especialmente pelo jogo ser totalmente localizado para nosso idioma.

Além disso, a trilha sonora evoca rapidamente aquela sensação de “estou assistindo o filme novamente”, e isso é brilhante. Houve ainda um cuidado especial com os efeitos sonoros, como quando carros são jogados para o ar ou hidrantes jorram água. Os diálogos nas cenas de ação deixam um pouco a desejar, pois não capturam o momento como deveriam.
Outra coisa interessante em LEGO Os Incríveis é seu número de atividades disponível. Como o título aglutina ambos os filmes, existe muita coisa para ser feita nas duas cidades. Resgatar carrinhos de sorvete, prender vilões diversos, salvar o dia… Coisas corriqueiras na vida de super-heróis.
A desenvolvedora, contudo, foi além. O jogo contém um número de personagens de outras franquias da Disney/Pixar, cada qual em seu ambiente, que trazem uma diversão ainda maior e agregam mais valor ao título.

Tudo com o padrão Lego dos jogos, com controles precisos e jogabilidade fluida e refinada. Mesmo aquela coisa toda de “monte blocos/bata nos inimigos/avance/monte blocos” se torna divertida de fazer.
O título chega de forma surpreendente. Aqueles que esperavam algo mais brando, com uma pegada mais conservadora e sem muitas mudanças, vão mudar rapidamente de ideia. Há muita coisa a ser feita aqui, e o casamento narrativa/mecânicas funciona muito bem.

O preço pode parecer salgado no início. Contudo, é um jogo que vale a pena. Traz um sopro de vitalidade à franquia, e entrega um dos melhores títulos LEGO em anos. Mesmo que contenha algumas velhas e batidas mecânicas, como os blocos vermelhos e peças Lego escondidas nas fases.
Se as coisas começarem a ficar enfadonhas, você ainda pode chamar um amigo (ou os filhos, o que eu recomendo fortemente) e se divertir no modo cooperativo para duas pessoas. Nesse ponto, fica uma crítica. Em um mundo tão conectado, o jogo não dispor de um modo online, como acontecia a tempos, é quase um insulto.

Ainda assim, relevando-se isso, montar blocos com a família Pêra é extremamente divertido e viciante. Ponto pra TT Games!
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