Jogo
Onimusha: Way of the Sword
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Vinte anos após o último título principal, Onimusha: Way of the Sword marca o retorno de uma das franquias clássicas da Capcom com uma proposta mais moderna, bonita e acessível. O novo projeto não tenta simplesmente reproduzir aquilo que foi feito no passado, mas mantém os elementos que fizeram a série se destacar enquanto apresenta uma experiência de ação e aventura bastante divertida.
Em um ano extremamente competente da empresa, já é possível antecipar que ela fez de novo: a Capcom acertou mais uma vez com uma proposta de alto nível, capaz de alcançar um grande público que busca experiências de aventura envolventes e com alto padrão de qualidade.
Onimusha: Way of the Sword traz de volta uma franquia adormecida que parecia não ter mais espaço diante de tantos projetos recentes envolvendo samurais e Onis. No entanto, a Capcom mostra que ainda há espaço para uma nova perspectiva.
A história acompanha o irreverente samurai Miyamoto Musashi, um guerreiro extremamente habilidoso, mas igualmente prepotente. Depois de perder um combate para os Genma e ser enviado ao inferno, Musashi recebe uma segunda chance para retornar à Terra, mas com uma nova responsabilidade: tornar-se um Onimusha, um caçador de demônios encarregado de proteger o mundo de um grande colapso. Para isso, ele precisa lidar com outros samurais enfeitiçados por poderes místicos.
O grande acerto da Capcom está na construção dos personagens. Em vez de apostar no estereótipo do samurai sério e pouco expressivo, Musashi possui uma personalidade brincalhona, que consegue quebrar a atmosfera pesada do universo de Onimusha sem parecer forçada. Os NPCs também ganham espaço ao longo da aventura e se tornam companheiros interessantes graças às suas histórias de origem e ao envolvimento com o protagonista.

Onimusha: Way of the Sword é, acima de tudo, uma experiência de ação e aventura que resgata o espírito dos jogos de PlayStation 2. Com combate fluido, exploração, personagens carismáticos, chefes bem construídos e uma direção artística de alto nível, o retorno da franquia mostra que a Capcom encontrou uma forma eficiente de modernizar a série sem perder sua essência.
Com uma história que dura em torno de 18 a 20 horas, o título chega ao fim no momento ideal para quem busca uma ótima aventura e ainda oferece desafios adicionais para aqueles que desejam conquistar 100% dos troféus.

O combate de Onimusha: Way of the Sword é um dos grandes destaques da experiência. Esqueça a ideia de que estamos diante de um soulslike. O jogo se aproxima muito mais dos títulos de ação e aventura da era do PlayStation 2, mas adiciona características próprias ao seu sistema de batalha.
Musashi possui ataques básicos e pesados, defesa, parry, esquiva perfeita e habilidades especiais que podem ser utilizadas contra diferentes tipos de inimigos. A combinação dessas possibilidades faz com que cada confronto tenha um ritmo próprio, exigindo que o jogador escolha os movimentos corretos para cada situação.

Existe quase uma sensação de Quick Time Event durante as batalhas, mas sem qualquer estrutura dirigida ou roteirizada. A ideia está mais relacionada ao ritmo dos combates. É necessário acompanhar os movimentos dos inimigos e responder de maneira adequada, enquanto a própria movimentação de Musashi faz parecer que ele está dançando com a espada.
Essa característica também torna os confrontos visualmente interessantes. Os ataques se conectam de maneira natural, e as animações criam uma espécie de coreografia durante as batalhas. É um sistema simples de entender, mas que oferece espaço para diferentes combinações.

Os novos equipamentos obtidos ao longo da campanha também aumentam as possibilidades. São ferramentas poderosas que podem ser utilizadas em situações específicas, permitindo que o jogador encontre diferentes maneiras de lidar com os inimigos.
As batalhas contra os chefes são outro ponto de destaque. O design das criaturas consegue misturar monstruosidade e fantasia, criando adversários que combinam bem com a personalidade mais descontraída de Musashi.
Os inimigos também apresentam comportamentos inesperados, capazes de modificar a dinâmica dos confrontos de maneira fluida. Isso evita que as batalhas pareçam completamente previsíveis e mantém o jogador atento aos movimentos dos adversários.

O principal problema está justamente no nível de desafio. Mesmo no Modo Normal, o jogo é fácil em diversos momentos. Considerando que a aventura coloca o jogador contra demônios e grandes criaturas, seria interessante encontrar uma dose maior de dificuldade durante a campanha.
Não estamos dizendo que o jogo deveria seguir uma linha soulslike, porque essa não é a proposta da Capcom. Porém, até mesmo para um jogo de aventura, os desafios não são tão exigentes quanto poderiam ser, especialmente considerando que estamos enfrentando demônios.

Embora as missões principais conduzam muito bem o fio narrativo, a estrutura das atividades secundárias não consegue sustentar o mesmo nível. Isso, porém, não significa que elas sejam descartáveis.
As missões secundárias oferecem recompensas que justificam o envolvimento do jogador, além de entregarem momentos bem interessantes, como chefes opcionais que só podem ser encontrados durante as sidequests. É uma forma de o jogador se envolver ainda mais com o conteúdo geral, que não tem o mesmo peso da campanha, mas continua sendo bom.

A direção artística de Onimusha: Way of the Sword é um espetáculo à parte. O jogo apresenta um Japão destruído pela presença dos demônios, utilizando elementos já conhecidos dentro da temática, mas aplicando uma identidade visual própria.
A tecnologia da Capcom também contribui para elevar a experiência. A qualidade gráfica é acompanhada por um desempenho técnico muito consistente, sem bugs ou quedas de frames que prejudiquem a experiência.

A trilha sonora acompanha bem essa proposta. As composições conseguem criar uma atmosfera adequada para os momentos de exploração e ganham ainda mais força durante os confrontos mais intensos contra chefes especiais.
Onimusha: Way of the Sword vale a pena e representa mais um acerto da Capcom em 2026. Depois de duas décadas longe dos principais holofotes, a franquia retorna com uma experiência moderna que preserva o espírito dos jogos de ação e aventura que marcaram a era do PlayStation 2.
O combate é fluido, os personagens são carismáticos, os chefes possuem boas ideias e a direção artística aproveita muito bem o universo de Onimusha. As missões secundárias pouco interessantes e a dificuldade abaixo do esperado no Modo Normal impedem que a experiência seja ainda mais completa, mas não comprometem o conjunto.
Acima de tudo, Onimusha: Way of the Sword é uma ótima opção para quem gosta de jogos de ação e aventura e não procura uma experiência extremamente difícil ou voltada para um público específico. A Capcom conseguiu trazer a franquia de volta com personalidade e mostrar que Onimusha ainda possui espaço entre os grandes jogos do gênero.
Veredito
90
Desenvolvedor
Capcom
Consoles
PlayStation 5
Jogadores
1
Veredito
90
Jogo
Onimusha: Way of the Sword