Jogo
The Blood of Dawnwalker
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É difícil não criar expectativas quando um novo estúdio formado por ex-desenvolvedores de The Witcher apresenta seu primeiro grande projeto. The Blood of Dawnwalker, publicado pela Bandai Namco e desenvolvido pela Rebel Wolves, aposta em um universo medieval com vampiros e uma proposta que coloca o jogador diante de uma escolha constante entre duas naturezas.
A história acompanha Coen, um jovem que foi amaldiçoado por um Vrakhiri, membro de uma raça de vampiros. Porém, a maldição não o transforma em uma criatura comum. Durante o dia, Coen mantém sua forma humana e conta com poderes de bruxaria, enquanto, à noite, desperta suas habilidades de vampiro e se torna mais ágil.
Essa dualidade também está presente na estrutura da campanha. Coen precisa derrotar Brencis, o líder dos Vrakhiri, enquanto tenta resgatar sua família, mantida como refém. Para isso, o jogador tem 30 dias para cumprir seus objetivos, dividindo o tempo entre missões, exploração e desenvolvimento de habilidades. A ideia é interessante, mas nem sempre consegue explorar todo o potencial dessa diferença entre as duas formas.
The Blood of Dawnwalker é um bom jogo, especialmente quando consegue colocar suas principais mecânicas em funcionamento. Porém, alguns problemas de identidade, repetição e desempenho fazem com que a experiência pareça muito mais próxima de uma variação de The Witcher do que de uma nova proposta capaz de caminhar com as próprias pernas.
No século XIV, os Vrakhiri despertaram e libertaram os humanos dos impostos dos reis, da violência das guerras e até das doenças, graças ao milagroso sangue da raça. No entanto, a “benevolência” exige um preço: sacrifícios esporádicos para saciar a sede de sangue. Com isso, Coen e sua família vivem sob o medo constante de serem os próximos, até que isso acontece.
Cansada de uma falsa liberdade, a família de Coen organiza uma rebelião que é facilmente desmantelada pelos vampiros. A punição foi transformar Coen em um vampiro e deixá-lo para morrer enquanto o Sol nascia. Surpreendentemente, o protagonista não morreu, voltando à forma humana durante o dia. Agora, com duas naturezas, ele recebe a missão de resgatar sua família e matar Brencis.

O sistema de dualidade é uma das principais características de The Blood of Dawnwalker. Durante o dia, Coen é mais lento e utiliza poderes de bruxaria que exigem um preço de sangue. À noite, ele assume sua forma vampírica, ficando mais ágil e tendo acesso a habilidades diferentes.
A proposta funciona e cria uma dinâmica interessante para a progressão. O jogador precisa administrar os 30 dias disponíveis e decidir quando realizar determinadas missões ou investir no desenvolvimento das habilidades. Não é possível fazer tudo sem considerar o avanço do tempo, o que cria uma camada adicional de estratégia para a campanha.

O problema é que as duas formas poderiam ser ainda mais diferentes. Apesar das mudanças nas habilidades e na movimentação, o jogo permite avançar utilizando muitos dos mesmos equipamentos e recursos. Como não é necessário dominar todas as possibilidades disponíveis, é possível encontrar uma abordagem confortável e repetir a mesma estrutura durante boa parte da aventura.
Há uma árvore de habilidades com três abas diferentes, mas as skills acabam se enquadrando mais em uma espécie de jogo de aventura, no qual nem todas elas são necessárias para avançar ou possibilitam a formação de builds. Dessa forma, o game fica sem apelo para a criação de diferentes estilos de personagem.

O combate é um dos aspectos mais sólidos de The Blood of Dawnwalker. A mecânica de utilizar o direcional para escolher a direção do golpe ou da defesa adiciona uma camada de precisão aos confrontos. Quando o movimento do inimigo é identificado corretamente, o jogador consegue executar um parry e abrir espaço para contra-atacar.
Os comandos respondem bem e não apresentam problemas durante os confrontos. No modo normal, o nível de desafio também é adequado, principalmente nas batalhas contra chefes, que exigem mais atenção aos movimentos dos adversários.

Por outro lado, falta criatividade na construção dos inimigos. Em diversos momentos, a sensação é de estar diante de uma reciclagem de ideias já utilizadas em The Witcher. Até mesmo a movimentação do personagem remete ao trabalho anterior dos desenvolvedores, reforçando a impressão de que The Blood of Dawnwalker ainda não encontrou completamente sua própria identidade.
Além disso, as lutas contra chefões não são tão inspiradas, algo que poderia promover ainda mais a identidade do game ao apostar em vampiros ou criaturas grotescas. São batalhas que seguem um padrão muito repetitivo e não proporcionam aquela atmosfera épica.

A ambientação é um dos pontos positivos do projeto. As cidades medievais ajudam a construir o universo, e o grande mapa oferece espaço suficiente para exploração. A lore envolvendo os vampiros e o aspecto religioso também apresenta boas ideias para sustentar a narrativa.
O problema aparece na estrutura utilizada para preencher esse mundo. The Blood of Dawnwalker adota uma fórmula semelhante à de Far Cry, na qual o jogador precisa sabotar recursos dos inimigos para enfraquecer o exército dos Vrakhiri. A mecânica funciona inicialmente, mas começa a se repetir muito cedo.

Essa repetição também afeta a sensação de descoberta. O mapa oferece bastante espaço, mas parte das atividades segue uma estrutura parecida, diminuindo o impacto da exploração conforme a campanha avança.
A narrativa apresenta uma lore interessante e estabelece um universo que poderia render uma história mais envolvente. A relação entre vampiros, religião e a maldição de Coen cria uma boa base para o desenvolvimento da campanha.

Ainda assim, é difícil criar uma conexão maior com o protagonista. Coen muitas vezes parece mais uma ferramenta utilizada para cumprir os objetivos de outras pessoas do que o verdadeiro centro da história. Isso prejudica o envolvimento com suas motivações e faz com que alguns acontecimentos tenham menos impacto do que poderiam.
The Blood of Dawnwalker também chega acompanhado de alguns problemas técnicos. Durante a experiência, há bugs envolvendo efeitos sonoros, além de situações em que a renderização demora para carregar. Assets podem desaparecer ou surgir repentinamente durante a exploração.
Além disso, o jogo apresentou alguns crashes, algo que interfere diretamente na experiência e reforça a sensação de que ainda existe espaço para melhorias técnicas.

Esses problemas não impedem o funcionamento do jogo, mas são perceptíveis durante a jornada e acabam prejudicando uma experiência que já enfrenta algumas dificuldades para se destacar por sua identidade.
The Blood of Dawnwalker é um projeto com boas ideias e representa um acerto da Rebel Wolves, principalmente na dualidade entre Coen humano e vampiro e no sistema de combate baseado na direção dos ataques e das defesas. O gerenciamento dos 30 dias também cria uma dinâmica interessante para quem gosta de administrar suas atividades durante a campanha.
O problema é que o jogo mirou em The Witcher, mas está mais para um GreedFall. A movimentação, os inimigos e algumas estruturas de exploração remetem constantemente ao trabalho anterior dos desenvolvedores, enquanto a própria experiência não consegue criar uma identidade suficientemente forte.
Com bugs, problemas de renderização, repetição de atividades e uma conexão limitada com o protagonista, The Blood of Dawnwalker acaba sendo uma boa experiência, mas poderia ter ido além. A Rebel Wolves demonstra potencial em seu primeiro projeto, porém ainda precisa encontrar o próprio caminho para deixar de ser apenas um jogo feito por ex-desenvolvedores de The Witcher.
Veredito
78
Desenvolvedor
Rebel Wolves
Consoles
PlayStation 5
Jogadores
1
Veredito
78
Jogo
The Blood of Dawnwalker