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Beast of Reincarnation
Beast of Reincarnation

Review: Beast of Reincarnation: vale a pena?

Quão corajoso é preciso ser para apostar em projetos completamente fora da zona de conforto? A revelação de Beast of Reincarnation surpreendeu a todos por ser da Game Freak, estúdio que produz jogos de Pokémon há décadas. Com uma propriedade inédita e chegando a diversas plataformas, tudo podia dar errado, mas não foi o caso.

Beast of Reincarnation assume inspirações em grandes projetos, como Shadow of the Colossus, Sekiro: Shadows Die Twice e até mesmo em certos aspectos de Pokémon, mas constrói sua própria identidade graças a uma narrativa surpreendente e a uma proposta que combina uma jogabilidade desafiadora com uma aventura bastante satisfatória.

O título não está preocupado em conquistar os jogadores hardcore com um gameplay extremamente punitivo. Em vez disso, aposta em uma experiência mais voltada para a aventura. O game quer contar uma história enigmática, que guarda seus segredos até os momentos finais, e consegue equilibrar muito bem a narrativa com a ambientação.

Para um estúdio que vinha lançando obras recicladas há tantos anos, é louvável ver um resultado tão diferente e cheio de personalidade.

A garota e seu cachorro

Beast of Reincarnation possui um forte apelo narrativo, mas não espere respostas fáceis. Novos elementos e revelações são introduzidos ao longo de toda a campanha e, felizmente, a história acerta nas reviravoltas, fazendo com que o jogador aceite naturalmente os acontecimentos enquanto tenta compreender aquele universo.

A protagonista Emma é uma Purificadora, também conhecida como Seladora, uma espécie especial de ser desprovida de sentimentos e resistente à Pestilência, o grande mal que acomete o mundo. Suas habilidades a tornam capaz de enfrentar a Fera da Reencarnação, uma entidade que retorna de tempos em tempos para promover a aniquilação da humanidade.

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Emma e Ko são parceiros de poucas palavras, mas de muita emoção. Fonte: tela de captura.

Como essa Fera surgiu? Qual é o verdadeiro propósito de Emma? Por que ela possui esses poderes? Como seu companheiro Ko chegou até ela? São muitas perguntas levantadas ao longo da história, respondidas aos poucos. A Game Freak acerta na condução da narrativa porque desperta constantemente a curiosidade do jogador para entender as nuances dos personagens e daquele universo. É uma construção que lembra Horizon Zero Dawn, em que o mundo incentiva a exploração por meio dos próprios mistérios.

A campanha dura cerca de 30 horas, dependendo do comprometimento do jogador com a exploração. O mundo é dividido em grandes regiões abertas e o título ainda conta com Novo Jogo+, oferecendo melhorias adicionais que exigem muitas horas de dedicação para evoluir Emma e seu companheiro Ko.

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Cada fase tem um “Nushi”, criatura que precisa ser derrotada pela protagonista. Fonte: tela de captura.

Sekiro feelings

Esqueça a ideia de um soulslike, mas é impossível não associar a jogabilidade de Beast of Reincarnation a Sekiro: Shadows Die Twice. Os comandos são muito parecidos e a lógica do combate segue uma estrutura semelhante. Emma utiliza uma espada, precisa aparar golpes no momento certo ou recorrer à esquiva em ataques específicos, enquanto as respostas ofensivas castigam os inimigos ao quebrar sua postura defensiva.

O jogo da Game Freak adiciona mecânicas próprias, como habilidades especiais que substituem o conceito do braço protético e podem ser combinadas com os ataques tradicionais para criar combos acrobáticos inspirados no estilo Wuxia. Além disso, merece destaque a excelente responsividade dos comandos. Seja para atacar ou interromper uma animação e defender imediatamente, tudo acontece de forma rápida e precisa, sem qualquer atraso perceptível.

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Combate preciso e bastante dinâmico. Fonte: tela de captura.

Outro grande acerto é Ko, que se mostra um companheiro extremamente útil, chegando a ser mais eficiente do que Atreus em diversos momentos. Ao pressionar o botão Triângulo, o jogo desacelera a ação para abrir um menu de comandos do cachorro, permitindo utilizar habilidades que exploram fraquezas dos inimigos, concedem buffs para Emma e ajudam diretamente nas batalhas.

No entanto, um dos maiores problemas de Beast of Reincarnation está justamente na falta de variedade de inimigos e na pouca inspiração das batalhas contra chefes. Os confrontos importantes são espaçados, mas a maioria dos inimigos se resume às Bestas Profanas e aos Golens de Metal. Até mesmo os chefes de cada região compartilham muitas semelhanças, com exceção de três ou quatro encontros que impulsionam a narrativa para outro patamar. A Game Freak desperdiçou a oportunidade de criar confrontos realmente memoráveis, já que a repetição de movimentos e a falta de uma trilha sonora mais marcante acabam diminuindo o impacto desses momentos, especialmente quando comparados aos jogos da FromSoftware.

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Infelizmente, os monstros são bem repetitivos. Fonte: tela de captura.

Exploração é obrigatória

Uma das mecânicas mais interessantes de Beast of Reincarnation é a forma como a exploração influencia diretamente a progressão de Emma. O jogador só consegue desbloquear melhorias para seus equipamentos e para o QG ao encontrar uma determinada quantidade de colecionáveis. Além disso, aumentar o número de itens utilizáveis depende da descoberta de santuários específicos, muitos deles facilmente ignorados por quem decide seguir apenas o caminho principal.

Como o jogo é estruturado em grandes áreas abertas, explorar cada canto se torna algo natural e constantemente recompensador. Embora os cenários não apresentem uma enorme variedade visual, eles acertam ao incentivar tanto a exploração vertical quanto a horizontal. Emma alcança locais elevados, atravessa catacumbas e encontra confrontos opcionais ou recursos únicos escondidos pelo mapa.

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Cada fase conta com algumas atividades secundárias, como eliminação de inimigos de Elite e encontrar colecionáveis. Fonte: tela de captura.

Os materiais coletados não apenas fortalecem a protagonista, como também desbloqueiam novas possibilidades de personalização para o QG. Nesse espaço, é possível desenvolver relacionamentos com outros personagens, preparar refeições para aumentar atributos e cultivar mudas para obter mais recursos.

Vale destacar a clara inspiração em Shadow of the Colossus. Assim como Wander atravessava cenários vazios, mas repletos de história implícita, Emma percorre um mundo que comunica muito por meio da ambientação. O cenário desperta constantemente a curiosidade e incentiva o jogador a descobrir seus segredos.

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A contemplação é um elemento forte do game. Fonte: tela de captura.

A Pestilência

Apesar da qualidade da jogabilidade e da narrativa, Beast of Reincarnation apresenta problemas técnicos. O Modo Desempenho não oferece a melhor experiência, sofrendo com quedas frequentes de taxa de quadros. Na prática, vale mais a pena optar pelo Modo Gráfico, que mantém a experiência entre 40 e 45 FPS com muito mais estabilidade.

Durante a campanha também encontrei bugs de renderização. Em alguns momentos, partes do cenário apareciam repentinamente ou sofriam alterações bruscas de iluminação, ficando excessivamente claras ou escuras de maneira inesperada.

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Infelizmente, problemas técnicos permeiam o jogo. Fonte: tela de captura.

Por fim, as principais críticas ao jogo estão relacionadas a decisões de design que impedem a experiência de atingir um patamar ainda maior. As batalhas contra chefes não são memoráveis, há pouca variedade de inimigos e, embora a trilha sonora seja competente, ela nem sempre consegue criar momentos realmente marcantes. São detalhes que não comprometem a diversão, mas que poderiam elevar significativamente a qualidade da obra.

Beast of Reincarnation: vale a pena?

Beast of Reincarnation é uma aposta ousada da Game Freak que merece reconhecimento. A jornada entrega respostas satisfatórias para seus principais mistérios e oferece uma jogabilidade consistente, equilibrada e repleta de possibilidades de ataques, combos e habilidades.

Com um conteúdo que incentiva a revisita por meio do Novo Jogo+ e níveis adicionais de dificuldade, Beast of Reincarnation mostra que o estúdio pode ir muito além de Pokémon. O resultado é uma nova franquia cheia de personalidade e um ótimo exemplo de que assumir riscos pode render experiências memoráveis.

Veredito

89

Ficha Técnica

Desenvolvedor

Game Freak

Consoles

PlayStation 5

Jogadores

1

Vantagens do jogo Beast of Reincarnation

Vantagens

  • Narrativa intrigante, com ótimas respostas
  • Jogabilidade responsiva e brutal
  • Exploração recompensadora, integrada à progressão
  • Excelente ambientação
  • O companheiro Ko adiciona profundidade aos combates
Desvantagens do jogo Beast of Reincarnation

Desvantagens

  • Pouca variedade de chefões e inimigos
  • Problemas técnicos, como quedas de frames
  • Alguns detalhes foram deixados de lado

Veredito

89

capa do jogo Beast of Reincarnation

Jogo

Beast of Reincarnation

Autor

foto do author do artigo Raphael Batista

Raphael Batista

Produtor de conteúdo em vídeo no MeuPlayStation, com atuação voltada à cobertura de jogos e tendências da indústria. Tem preferência por experiências narrativas e franquias marcantes, como The Witcher 3, Metal Gear Solid, God of War e Marvel’s Spider-Man, trazendo uma visão próxima da comunidade e do dia a dia dos jogadores.

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