Jogo
NiOh 3
NiOh 3 é a prova de que sequências podem explorar novas ideias e acertar em caminhos pouco conhecidos. O soulslike da Team Ninja em parceria com a Koei Tecmo já havia encontrado sua identidade nos jogos anteriores, mas agora demonstra ainda mais coragem ao aprimorar pontos frágeis e expandir suas ideias.
O game funciona como a síntese da trilogia, trazendo mecânicas novas, mais possibilidades de builds, lutas contra chefões bem interessantes e um universo dinâmico para explorar e conquistar.
Talvez a mudança mais ousada esteja na forma como o jogo se torna mais convidativo para novatos. Isso não significa que os desafios desapareceram, mas há mais caminhos viáveis para superá-los além do uso constante de buffs de ninjutsu.
NiOh 3 já inicia 2026 colocando a barra lá em cima. É o primeiro AAA do ano e entrega uma experiência robusta, fruto de anos de aprimoramento e decisões bem pensadas.
NiOh 3 se passa em 1622, no ano Genna 8, durante o período Edo, quando ocorre a sucessão do shogunato. O protagonista, Tokugawa Takechiyo, está prestes a assumir a liderança da nação, e tudo parece pronto para a cerimônia. No entanto, seu irmão mais novo, Tokugawa Kunimatsu, é consumido pelo ódio e passa a liderar forças Yokai contra o próprio clã.
O que seria um período de paz se transforma em uma era marcada pelo medo, pela violência e pela destruição causada pelas forças demoníacas. A situação se torna tão crítica que a solução envolve voltar no tempo para corrigir eventos do passado e gerar consequências diferentes no presente.

A Team Ninja tem uma sacada interessante ao conectar os acontecimentos de NiOh 3 com o primeiro jogo. Personagens importantes, regiões conhecidas e até monstros retornam, agora reimaginados para uma experiência mais moderna.
Essa abordagem ajuda a corrigir um problema recorrente da franquia. A narrativa flui de forma mais natural e menos engessada, com personagens surgindo em momentos coerentes, motivações melhor construídas e menos sensação de aleatoriedade.

Com uma campanha que varia entre 30 e 40 horas, dependendo do ritmo do jogador, a jornada aborda temas como vingança, medo do esquecimento e o conflito entre dever e moral.
Vale destacar o sistema de criação de personagem. Apesar de o protagonista ter nome e papel definidos na história, o visual fica totalmente a cargo do jogador, com um conjunto amplo de opções de customização.

Um dos grandes diferenciais de NiOh 3 está na estrutura, semelhante à de A Ascensão do Ronin. Em vez de selecionar fases por menus, o jogador explora um mundo aberto dividido em regiões interligadas.
Há missões secundárias focadas em limpar acampamentos de bandidos ou Yokais, encontrar Espíritos Guardiões espalhados pelo mapa e desbloquear chefes secretos a partir de pedidos espirituais.

A exploração segue uma lógica simples, baseada em completar objetivos espalhados pelo mapa, mas essas atividades são fundamentais para a progressão do personagem. Isso representa um avanço em relação aos jogos anteriores.
Agora, além de subir de nível, o jogador obtém melhorias relevantes para sua build ao concluir missões secundárias e atividades opcionais. Dessa forma, explorar não serve apenas para completar tudo, mas se torna essencial para avançar com mais segurança na campanha principal.
O ponto negativo é que essas atividades poderiam ser melhor apresentadas e contar com maior variedade. Com o tempo, a estrutura se repete e perde parte do impacto inicial.

Assim como em NiOh 2, o novo jogo reforça sua identidade própria. O combate é rápido, agressivo e fortemente baseado no uso de buffs. A grande novidade é o sistema de Dualidade, que permite alternar entre Samurai e Ninja com apenas um botão.
A mecânica é simples, mas extremamente satisfatória, pois muda completamente a dinâmica do combate. O Samurai é mais pesado e focado em força, enquanto o Ninja prioriza agilidade e habilidades especiais. Cada estilo possui vantagens e limitações, permitindo builds bem diferentes.

Os Yokais também contam com novos tipos de ataque que exigem o uso do botão R2 para defesa específica, forçando o jogador a alternar entre os modos e manter ambos bem preparados.
Isso resulta em uma quantidade ainda maior de armas, armaduras, acessórios, atributos e habilidades. A Dualidade não existe apenas para variar o gameplay, mas é fundamental para lidar com inimigos e situações distintas ao longo da jornada.

A variedade de desafios é um ponto alto. Além de inimigos conhecidos, NiOh 3 apresenta novos personagens marcantes e Yokais capazes de causar verdadeiro desconforto. As surpresas são ainda mais impactantes quando surgem de forma inesperada durante a exploração.
O destaque também fica para a satisfação em vencer os confrontos aliados com a rapidez que isso acontece. Ao decorar movimentos e acertar a build, é como se o jogador transcendesse o desafio.

Visualmente, NiOh 3 apresenta um aspecto um pouco artificial. Após lançamentos recentes que destacaram o potencial gráfico dos consoles modernos, é estranho encontrar personagens e cenários com texturas simples e acabamento inconsistente.
Não se trata de exigir realismo absoluto, mas a direção artística busca esse caminho sem atingir o mesmo nível de excelência visto em jogos como Ghost of Yotei.

O desempenho também sofre com instabilidades em áreas mais carregadas de informações, algo comum durante o gameplay por causa dos efeitos visuais e da quantidade de inimigos em tela.
São problemas recorrentes da franquia e indicam uma dificuldade da Team Ninja em evoluir nesses aspectos. Eles não comprometem totalmente a experiência, mas levantam a questão de como o jogo poderia ser ainda mais impressionante se esses pontos estivessem resolvidos.

Sem dúvidas, NiOh 3 estabelece um padrão alto para os lançamentos de 2026. Mesmo pertencendo a um gênero frequentemente visto como punitivo, o jogo aposta em um ritmo mais voltado para a ação e oferece diversas ferramentas que ajudam jogadores menos experientes.
Ainda assim, os desafios continuam presentes, acompanhados de uma ampla personalização do combate e um conteúdo extenso, agora mais refinado.

Apesar do preço de R$ 399,90 na PS Store, elevado para a realidade brasileira, o jogo entrega uma experiência consistente e com bastante conteúdo.
É um título feito para durar semanas, seja buscando completar tudo ou apenas superando desafios específicos ao longo da campanha.
Veredito
88
Desenvolvedor
Team Ninja
Consoles
PlayStation 5
Jogadores
1
Veredito
88
Jogo
NiOh 3