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ghost of Yōtei
Ghost of Yōtei

Ghost of Yōtei: vale a pena?

A expressão japonesa “信じられない” (shinjirarenai) pode ser traduzida como “incrível”, “inacreditável” ou “difícil de acreditar” em português. É uma frase usada para expressar surpresa, choque ou incredulidade diante de algo que é difícil de acreditar ou que vai além das expectativas. Perfeita para descrever Ghost of Yōtei.

Um jogo estonteante visualmente, com um gameplay empolgante e viciante, missões variadas e desafiadoras – que melhora em quase tudo o que já era excelente no seu “antecessor espiritual”, Ghost of Tsushima. Mas desliza onde ele, certamente, poderia ser considerado brilhante: a narrativa.

Enquanto Ghost of Yōtei é uma história de vingança, ele é perfeito. Mas se perde quando começa a querer dar muitas lições e complicar o que deveria ser simples – tem que matar quem matou seus pais, ponto final. Se Tsushima tinha claramente um protagonista dividido entre ser um samurai e o fantasma, aqui não deveria haver.

A Sucker Punch tinha nas mãos uma personagem com um potencial enorme de se tornar uma espécie de anti-heroína, uma vingadora épica. Só que, ao invés de assumir a persona de onryō e seguir à risca o seu plano, Atsu se rende a clichês rasos sobre redenção e vira só mais uma.

O que não diminui Ghost of Yōtei como jogo, mas certamente torna sua jornada não tão memorável quanto a de Jin Sakai.

Onryō

Onryō (怨霊) são espíritos vingativos do folclore japonês, capazes de causar desgraças aos vivos, de mortes individuais a desastres naturais, como forma de reparar injustiças sofridas em vida. Normalmente retratados como mulheres traídas ou maltratadas, aparecem como fantasmas movidos por ódio e ressentimento, agindo com crueldade implacável contra seus alvos. É fácil entender por que Atsu é vista desse jeito.

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O Cobra. O Oni. O Kitsune. O Dragão. O Aranha. Lorde Saito. É esse o caderninho do Death Note de Atsu. O motivo? Simples. Todos estavam lá quando o líder dos Seis de Yōtei, Lorde Saito, assassinou cruelmente seus pais. Nem tem necessidade de enrolar muito aqui. O seu objetivo no jogo é (ou deveria ser) um só: se vingar. E, conforme ela faz isso, espalha-se a lenda de que ela é uma onryō.

E tudo começa muito bem. A introdução é incrível e emocionante, mostrando os eventos do fatídico dia e o primeiro nome riscado da lista. Depois, você explora o mundo, vai desbloqueando coisas novas, descobrindo as sidequests (a maioria delas agrada bastante) e evoluindo sua personagem até o ponto que ela passa a ser conhecida (e temida). Afinal, deixa um rastro de sangue por onde passa e sai sempre sem um arranhão.

A busca pelo Oni e a busca pelo Kitsune também são incríveis. Especialmente a primeira. Há uma revelação bacana sobre um personagem, os combates ficam mais intensos, e dependendo do que você escolheu fazer antes de seguir, é interessante ter uma grande variedade de novidades de jogabilidade também.

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Um “detalhe” bacana também é que a Loba não caça sozinha. Atsu vai encontrando aliados importantes ao longo de sua jornada, formando uma alcateia importante que lhe dá suporte na missão de se vingar dos Seis de Yōtei – seja ao fornecerem informações, seja desbloquenado itens fundamentais para isso.

No entanto, depois do encontro com a Raposa, no entanto, a narrativa segue para um lado que não agrada tanto. Gradativamente, o espírito de Fantasma de Atsu vai se transformando em algo “mais humanizado”. Afinal, “a vingança nunca é plena, mata a alma e envenena”. Se você assistiu Chaves, conhece a lendária frase de Seu Madruga. E é basicamente essa a lição de Ghost of Yōtei.

Vai ter gente que vai gostar, mas é uma pena ter retornado a uma verdadeira coleção de clichês – e com muitas decisões questionáveis no enredo. Especialmente a partir de mais ou menos metade do jogo.

Utsukushisa

Em japonês, “beleza” pode ser expressa de várias formas, dependendo de um contexto. As palavras mais comuns são kirei (きれい), que se refere a algo bonito, limpo ou arrumado, e utsukushii (美しい), que descreve aquela beleza mais profunda e refinada. A palavra bi (美) é o caractere que simboliza a beleza, sendo utilizada em termos como 美しさ (utsukushisa), a qualidade da beleza.

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E o mundo de Yōtei é belíssimo. A começar justamente pela ambientação. A Ilha de Ezo é enorme e tem diferentes locais com características únicas (e lindas). Como já vimos em Tsushima, as cores fazem toda a diferença. As flores e as vegetações, os rios, as montanhas, as planícies e cordilheiras… É tudo incrível, e com direito a uma variação climática também impressionante: chuva, neve, seca, queimada, sol e vento.

Em um mundo vivo, que te convida a explorar, você pode conhecer viajantes pela estrada, dividir uma refeição com eles, negociar itens, aprender novas músicas e descobrir pistas sobre suas missões. Caçar, coletar materiais, encontrar assassinos perdidos, fazer testes de habilidade, escalar, usar seu gancho, cavalgar, nadar, enfrentar inimigos que estão passando pelo mapa… É um pacote bem completo.

A trilha sonora também é um deleite, assim como a apresentação do jogo – completinha, com possibilidade de uma pegada mais cinematográfica, efeitos de áudio perfeitos e localização completa para o português disponível (apesar de, honestamente, a opção com áudio original em japonês e legenda para o nosso idioma ser espetacular).

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Mas vamos ao que realmente importa: a jogabilidade. O caminho que Atsu vai desbravar em Ezo é, de certa forma, você que escolhe. É possível liberar novas armas treinando com mestres guerreiros e aprimorar suas habilidades tanto usando os Altares de Reflexão espalhados pela ilha como também seguindo as missões da sua companheira animal, uma loba.

Cada arma desempenha um papel específico, e saber quando trocar de uma para a outra é o que vai determinar seu sucesso em combate. Se em Tsushima o grande foco era na postura de Jin, em Yōtei é mais sobre os equipamentos que você vai equipar. Kusarigama para afastar múltiplos inimigos e quebrar escudos, Yari para afastar os rivais, sua tradicional Katana para qualquer coisa e, sim, até armas de fogo.

Tanoshimu

A palavra japonesa mais comum para “diversão” ou “divertido” é 楽しい (tanoshii), que é um adjetivo. Para expressar a ação de se divertir, usa-se o verbo 楽しむ (tanoshimu), que significa “aproveitar” ou “curtir”. E um videogame deve, primeira e definitivamente, ser sobre isso. E aqui não há como negar que Ghost of Yōtei acerta em cheio.

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Dentro do jogo, você terá muitas atividades. Primeiro, claro, vai encontrar inimigos aleatórios no mapa – e alguns deles, inclusive, podem implorar por clemência em troca de informações relevantes para as suas quests principais. Isso é uma dinâmica relativamente comum (e bem legal) do jogo.

Mas, claro, há sidequests específicas. Como os Alvos, que são criminosos procurados que podem gerar ótimas recompensas. Em cada “cidade”, há um poste de madeira com cartazes de “Procurado”. Você pode coletá-los e ir atrás destas pessoas. Quando cumprir o objetivo, retorna ao local para ganhar moedas, itens de personalização ou armaduras.

Temos também as quests de Senseis, que são mestres que ensinam Atsu a dominar armas e itens importantes ao longo de suas aventuras. Quando você termina as missões básicas com cada um deles, libera os tais equipamentos, porém existem outros passos das jornadas que levam a especializações deles ou outros bônus, como novos amuletos, por exemplo.

Por último, mas não menos importante, temos os Contos e Mitos. Os primeiros são dados por NPCs espelhados pelas regiões, e os segundos têm aquela pegada mística que já vimos em Tsushima. O do Samurai Imortal, por exemplo, é espetacular. No fim das contas, tudo serve para uma coisa só: ganhar moedas para comprar equipamentos/personalização ou desbloquear armas, itens ou armaduras.

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Ao todo, você tem cinco peças de trajes – chapéu, máscara, armadura, shamisen (seu instrumento musical) e sela do cavalo. Junte a isso seis slots de amuletos, que dão diferentes bônus, cinco armas corpo a corpo, três de longo alcance e mais cinco itens de uso imediato (como kunai e bomba de fumaça, por exemplo).

Você também precisa encontrar altares, tocas de lobo e fazer desafios de bambu, pintura e tocar música. Estes dois últimos, juntamente com a dinâmica de cozinhar e forjar armas, inclusive, merecem bastante elogios pelo uso acertado e divertido do touchpad do DualSense, criando uma dinâmica interessante para um espaço subutilizado do controle na maioria dos jogos.

Ao todo, são 15 Desafios do Bambu, para maximizar seu Espírito, 16 Fontes Termais, que aumentam a Vida, 13 Santuários, permitindo amuletos maiores, 18 Pinturas Sumi-E, ganhando essência de cosméticos, 22 locais dominados, cada um com um Altar de Reflexão e oito Músicas de Shamisen gerando diferentes efeitos. Ou seja, coisa para fazer não falta em Ghost of Yōtei.

Ghost of Yōtei: vale a pena?

Apesar de os rumos da segunda metade da história não terem agradado tanto, Ghost of Yōtei ainda é uma excelente experiência – até porque essa questão de gostar ou não de como a narrativa evolui é algo bem pessoal, né? Porém, os gráficos, a jogabilidade, a trilha sonora, a performance… Tudo isso é incontestável.

É claro que R$ 400 para um game single-player, muito provavelmente, é um preço bem alto para a grande maioria. Mesmo que ele ofereça dezenas de horas de gameplay, entre a jornada principal e as sidequests, que são muitas. Mas considerando que este é justamente o tipo de jogo que muita gente espera do PlayStation 5, é bastante recomendado.

Está do mesmo nível de seu antecessor, talvez até melhor para quem gostar da forma como o enredo se desenrola. Tecnicamente, ele é muito mais avançado, até porque é o primeiro jogo da Sucker Punch feito direto para o PS5, e suas novidades agregam bastante em gameplay e apresentação no geral.

Ou seja, Ghost of Yōtei “受かります” (ukarimasu). Passou na prova.

Veredito

90

Ficha Técnica

Desenvolvedor

Sucker Punch

Consoles

PlayStation 5

Jogadores

1

Vantagens do jogo Ghost of Yōtei

Vantagens

  • Ambientação é impressionante, com cenários lindos
  • Gameplay evoluiu bem com as variações de armas
  • Variedade de missões e eventos no mapa agrada
  • Opções de personalização são muito bem-vindas
  • Uso do DualSense é bem interessante em algumas ações
Desvantagens do jogo Ghost of Yōtei

Desvantagens

  • Narrativa perde a chance de ser épica ao cair em clichês
  • Alguns momentos são mais arrastados do que o necessário
  • Ainda tem modelos de personagens não tão bonitos quanto outros
  • Missões ainda podem soar um pouco repetitivas

Veredito

90

capa do jogo Ghost of Yōtei

Jogo

Ghost of Yōtei

Autor

foto do author do artigo Thiago Barros

Thiago Barros

Editor-Chefe

Dez anos de MeuPlayStation, 18 de jornalismo e produção de conteúdo. Muitas histórias para contar e muitos jogos para jogar!

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