Jogo
The Boys: Trigger Warning
Não vou mentir: o acessório de realidade virtual da Sony nunca havia chamado tanto a minha atenção, até eu jogar The Boys: Trigger Warning. Tive a oportunidade de zerar o jogo do estúdio brasileiro ARVORE, que é honesto em sua proposta: fazer o jogador se sentir um Super. Felizmente, eles acertam.
O título serve como uma adaptação da série do Prime Video, com as vozes originais e personagens emblemáticos, funcionando como uma grande side quest da trama principal, ideal para quem acompanhou a saga e quer passar mais um tempo com esses personagens. Sem a preocupação de se levar a sério, o jogo mantém o tom ácido, recheado de absurdos e violência.
O jogo para PlayStation VR2 também demonstra as limitações do dispositivo, como gráficos que ainda não conseguem alcançar um nível realmente realista e até alguns bugs que incomodam. Mesmo assim, o acessório de realidade virtual entrega uma experiência interessante. Os desenvolvedores da ARVORE conseguiram equilibrar essas limitações com um alto nível de imersão.
The Boys: Trigger Warning foi minha primeira experiência completa com o PlayStation VR2 e ainda bem que foi com ele. O jogo é divertido e apresenta um nível de desafio equilibrado.

Ambientado entre a terceira e a quarta temporada, The Boys: Trigger Warning apresenta Lucas Costa, um técnico de TI contratado pela Vought. Assim como Hughie, ele é iludido pela aparente bondade dos Supers até presenciar uma tragédia envolvendo a família Armstrong, um grupo de heróis de menor escalão da empresa. A frustração o leva a conhecer os The Boys e a utilizar o Composto V em busca de vingança, adquirindo diferentes poderes.
A jornada do protagonista lembra bastante o arco de Billy Bruto na série. Os poderes trazem efeitos colaterais enquanto se tornam um “mal necessário” para enfrentar inimigos muito mais fortes. Não espere nada muito diferente do que já foi apresentado na produção do Prime Video. Talvez os desenvolvedores da ARVORE sequer conhecessem a conclusão da série durante a produção do jogo, mas também não era difícil imaginar o desfecho adotado.

Falaremos sobre a jogabilidade em seguida, mas, tratando-se de um produto para PlayStation VR2, a trama funciona muito bem, mesmo sendo previsível. O grande destaque fica para as vozes originais de personagens como Billy Bruto e Leitinho, além da participação especial de outros rostos conhecidos, dando um charme especial e um toque cinematográfico à experiência.
Com uma campanha de aproximadamente cinco horas, dividida em sete missões, o jogador revisita locais icônicos da série, como a própria Vought, enquanto enfrenta cinco vilões bastante excêntricos. Os momentos de tensão são bem construídos, lembrando o clima da primeira temporada. Por outro lado, o humor ácido não é tão certeiro e acaba se aproximando mais do estilo das temporadas mais recentes, em que as críticas perderam parte da criatividade.

É aqui que The Boys: Trigger Warning entrega seu melhor. Ao se transformar em um Super, o jogador pode utilizar um movimento de impulso com o braço para se deslocar rapidamente pelo cenário, lançar objetos com telecinese, atrair itens para perto, detectar inimigos próximos e, principalmente, aplicar injeções de Composto V para desbloquear habilidades extremamente poderosas e dinâmicas.
O jogo brilha pelo equilíbrio do desafio. Há muitos inimigos em cada fase. É possível eliminar os alvos de forma furtiva, mas passar despercebido está longe de ser uma tarefa fácil. Ao mesmo tempo, enfrentar todos de uma vez representa um enorme risco. Isso faz com que o jogador precise alternar estratégias, eliminando alguns inimigos discretamente, utilizando os poderes nos momentos certos e administrando as armadilhas espalhadas pelos cenários.

O gameplay é responsivo e arremessar objetos transmite precisão. Basta mirar no adversário e lançar qualquer objeto para causar dano. Além disso, a forma como as habilidades especiais são executadas reforça a sensação de realmente possuir superpoderes. É muito divertido e, muitas vezes, funciona como um verdadeiro salva-vidas durante os confrontos.
Mesmo existindo diversos movimentos disponíveis, os comandos permanecem intuitivos porque simulam ações naturais que faríamos caso realmente possuíssemos habilidades sobrenaturais. É uma combinação que fortalece a imersão e torna a experiência bastante envolvente.

Outro acerto está na liberdade de abordagem. O jogador pode explorar diferentes caminhos, utilizar dutos de ventilação, alcançar áreas elevadas ou simplesmente fugir. Mesmo quando um plano falha, sempre existe outra forma de lidar com a situação, evitando que o gameplay se torne excessivamente scriptado ou repetitivo.
Vale apenas uma ressalva para as batalhas contra chefes, que poderiam ser um pouco mais criativas. Enquanto o primeiro confronto é bastante divertido, o último acaba sendo repetitivo e pouco inspirado.

Assim como acontece com boa parte dos jogos para PlayStation VR2, The Boys: Trigger Warning sofre com limitações gráficas. Os personagens conhecidos da série estão bem representados, mas o visual geral é bastante simples. Embora isso esteja mais relacionado às limitações do hardware do que ao trabalho dos desenvolvedores, é um aspecto que chama atenção.
Durante o período de testes também encontrei alguns bugs inconvenientes. Em determinados momentos, o personagem não era transportado corretamente ou acabava preso dentro do cenário. Houve ainda situações em que precisei reiniciar a missão porque determinados diálogos da campanha simplesmente não eram ativados.

Esses problemas demonstram que o hardware ainda precisa evoluir para oferecer experiências mais ambiciosas e refinadas. Ainda assim, isso não diminui os avanços importantes conquistados pelo PlayStation VR2 nos últimos anos.
The Boys: Trigger Warning é uma boa porta de entrada para o PlayStation VR2. Talvez existam experiências mais completas ou que aproveitem melhor os recursos do dispositivo, mas o jogo consegue agradar tanto os veteranos da plataforma quanto quem deseja experimentar a realidade virtual pela primeira vez.
Com movimentos imersivos, uma campanha divertida e um bom equilíbrio entre desafio e fantasia de se tornar um Super, The Boys: Trigger Warning é uma boa escolha para estar biblioteca de qualquer jogador que possua um PlayStation VR2.

Além disso, a versão para o headset da Sony recebeu melhorias específicas para a plataforma, proporcionando uma experiência ainda mais refinada quando comparada às demais versões.
Veredito
80
Desenvolvedor
ARVORE
Consoles
PlayStation VR 2
Jogadores
1
Veredito
80
Jogo
The Boys: Trigger Warning