MeuPlayStation | Tudo sobre PlayStation

Denshattack
Denshattack!

Denshattack!: vale a pena?

Ao longo da história da humanidade, várias ideias consideradas “malucas” acabaram transformando a sociedade. No ramo da tecnologia, alguns exemplos clássicos incluem Mark Zuckerberg, que transformou um simples projeto universitário no Facebook, e Sergey Brin e Larry Page, que criaram um sistema de busca capaz de organizar a internet e deram origem ao Google.

No mundo dos games, quando pensamos em ideias aparentemente absurdas que deram certo, um dos primeiros nomes que vem à mente é Hideo Kojima, seja com Metal Gear ou Death Stranding. Felizmente, a Undercoders também conta com desenvolvedores bastante criativos (no melhor sentido da palavra), como prova Denshattack!, novo título do estúdio indie sediado em Barcelona.

Denshattack! é um jogo excêntrico, que pode ser descrito como uma mistura de Tony Hawk’s Pro Skater com trens. O jogador controla um vagão ferroviário capaz de realizar manobras radicais de skate e até enfrentar chefões em alta velocidade. Parece difícil de imaginar, mas, nesta análise, vamos explicar por que essa ideia funciona tão bem.

O “esporte” Denshattack

Apesar do foco evidente na jogabilidade, Denshattack! conta uma história dividida em capítulos, apresentada conforme o jogador avança pelas fases. O enredo se passa em um Japão distópico, onde uma crise climática obrigou a população a viver em enormes domos capazes de preservar um ambiente habitável.

Nesse cenário, os trens se tornaram essenciais para conectar as cidades e transportar pessoas e mercadorias. O conceito lembra um pouco Death Stranding, no qual grandes estruturas mantêm a comunicação entre diferentes regiões dos Estados Unidos.

1

Com dublagem em inglês e japonês, acompanhamos Emi, uma entregadora que descobre o Denshattack, um esporte clandestino criado para promover corridas e disputas radicais entre gangues, cada uma com seu próprio trem. Determinada a cruzar o Japão e derrotar todos os líderes dessas facções, Emi embarca em uma jornada ao lado de seu amigo e fotógrafo Fernando para se tornar uma lenda da modalidade.

A campanha é apresentada em formato de mangá, com ilustrações em 2D acompanhadas por diálogos dublados. No geral, a narrativa funciona apenas como pano de fundo para aquilo que realmente importa: a jogabilidade.

É interessante acompanhar Emi e Fernando atravessando diferentes cidades japonesas, conhecendo novos personagens e formando alianças ao longo da viagem. Ainda assim, não espere um roteiro digno de premiações. A história aposta em clichês típicos dos animes battle shounen, com uma protagonista determinada, foco na amizade e rivais aparentemente invencíveis.

Ollies, kickflips, wallrides… com um trem!

É no gameplay que Denshattack realmente se destaca. O jogador controla um vagão em alta velocidade por trilhos pré-determinados, desviando de obstáculos enquanto cumpre objetivos variados e acumula pontos por meio de manobras radicais.

É possível pular, acelerar nas curvas, trocar de trilhos e executar diversas manobras aéreas, além de conectá-las usando manuais, exatamente como em Tony Hawk’s Pro Skater. A inspiração na clássica franquia da Activision é evidente, mas Denshattack adiciona elementos próprios, como batalhas contra chefões gigantescos.

A cada determinado número de fases, Emi enfrenta uma nova boss battle. Os confrontos variam bastante em ambientação, mecânicas e estilo, tornando difícil prever o que vem pela frente. Eles lembram as batalhas dos jogos 3D de Sonic the Hedgehog, nas quais o ouriço precisa correr em alta velocidade, desviar de ataques, rebater projéteis e atingir pontos fracos. Aqui, a lógica segue uma linha bastante parecida.

2

Voltando às manobras, o vagão funciona como se fosse um skate. Utilizando o analógico direito, o jogador executa tricks como ollies, grinds, kickflips e wallrides, além de dezenas de movimentos mais complexos que rendem pontuações maiores. Combos extensos podem render milhares de pontos, embora repetir constantemente as mesmas manobras reduza a pontuação obtida.

Cada uma das mais de 50 fases traz sete objetivos diferentes, muitos deles claramente inspirados pela série Tony Hawk’s Pro Skater: acertar objetos específicos, realizar grinds em determinados locais ou atingir uma quantidade de pontos. Esse é um dos grandes méritos de Denshattack, pois incentiva o jogador a revisitar as fases para completar todos os desafios e conquistar classificações mais altas.

Trilha sonora de primeira, gráficos vibrantes e menus modernos

A trilha sonora é outro grande destaque de Denshattack. Composta por Tee Lopes (Sonic Mania, Marvel Cosmic Invasion e Teenage Mutant Ninja Turtles: Shredder’s Revenge), a trilha mistura jazz, pop e outros estilos para acompanhar o ritmo frenético da ação.

Os menus, a interface e parte da identidade visual demonstram forte inspiração em Persona 5. Inclusive, o lendário Shoji Meguro participou de algumas composições da trilha sonora. O resultado é uma apresentação extremamente estilosa, moderna e cheia de personalidade.

3

Os gráficos também merecem elogios. Embora seja evidente o orçamento mais modesto, como esperado de uma produção independente, os cenários são coloridos, vibrantes e claramente inspirados pela estética dos animes. Algumas fases especiais levam o jogador a ambientes quase psicodélicos, reforçando ainda mais a identidade visual do jogo.

Outro ponto positivo é a estabilidade técnica. Durante todo o período de análise, não encontramos problemas de desempenho no PS5. A experiência permaneceu fluida do início ao fim, sem travamentos ou falhas que comprometessem a diversão.

4

Ô trem bão!

Denshattack é puro e é divertido. No papel, a ideia parece completamente absurda. Na prática, basta alguns minutos com o controle nas mãos para entender por que ela funciona tão bem. É difícil não recomendar uma experiência tão criativa e divertida, principalmente para quem gosta de Tony Hawk’s Pro Skater. Pode parecer estranho fazer manobras com uma locomotiva, mas a diversão aparece rapidamente.

O gameplay viciante, o excelente fator replay, as referências bem utilizadas e a trilha sonora de alto nível fazem de Denshattack um indie que merece atenção. A história está longe de ser memorável, mas também nunca tenta roubar o protagonismo daquilo que realmente importa: a diversão. Se a proposta chamou sua atenção, embarque nesse trem do hype sem medo. As chances de se surpreender são muito grandes.

Veredito

85

Ficha Técnica

Desenvolvedor

Undercoders

Consoles

PlayStation 5

Jogadores

1

Vantagens do jogo Denshattack!

Vantagens

  • Conceito criativo e bem executado
  • Gameplay divertido
  • Alto fator replay com dezenas de desafios
  • Direção de arte vibrante e interface estilosa
  • Trilha sonora cheia de personalidade
Desvantagens do jogo Denshattack!

Desvantagens

  • História excessivamente previsível
  • Personagens pouco memoráveis

Veredito

85

capa do jogo Denshattack!

Jogo

Denshattack!

Autor

foto do author do artigo Vinícius Paráboa

Vinícius Paráboa

Vinícius Paráboa é redator no MeuPlayStation, com experiência na cobertura do universo PlayStation e da indústria de games. Acompanha a evolução da marca desde o PS1, com foco em notícias e tendências do mercado. Tem afinidade com clássicos como Crash Bandicoot, Sonic e Spyro, além de franquias como Persona, Assassin’s Creed e God of War.

Mais artigos de Vinícius Paráboa

icone representando um redirecionamento para outra pagina
Comunicar erro no artigo