Jogo
Assassin's Creed Black Flag Resynced
O mito da cidade submersa de Atlântida, narrado por Platão, descreve uma civilização lendária com uma riqueza abundante e arquitetura grandiosa revestida de ouro e de um metal mítico chamado oricalco, que de repente foi destruída por violentos terremotos e um tsunami, desaparecendo no fundo do mar em um único dia.
Assassin’s Creed Black Flag Resynced é o tesouro mais valioso da Ubisoft em uma versão ainda mais brilhante. O ouro de Atlântida em formato de videogame. Se exploradores, ao longo dos séculos, navegaram em busca dos mistérios da cidade mítica, os desenvolvedores da empresa já tinham o mapa nas mãos.
Era “só” traçar uma rota pra lá de conhecida e bem-sucedida. Assassin’s Creed Black Flag é um clássico e, em uma era marcada por remasters e remakes, não era à toa que rumores e mais rumores sobre um “upgrade” para ele, que é considerado por muitos o melhor título da franquia, surgiram nos últimos anos.
O “X” vermelho indicava um pote de ouro. E a Ubisoft, que tanto navegou em águas turbulentas recentemente, encontrou seu porto seguro. Fincou a âncora e cravou, mais uma vez, a história de Edward Kenway entre os mais bem-sucedidos mitos da história dos videogames. Dá para dizer que, sim, Assassin’s Creed Black Flag Resynced é tudo aquilo que esperávamos. E mais.
Disse Fernando Pessoa que “Navegar é preciso, viver não é preciso”. Para quem não aprendeu essa na escola, a gente explica: não se trata de necessidade, mas, sim, de precisão. Para ele, navegar exige cálculo, rumo e bastante precisão. Em contrapartida, a vida é imprevisível e não pode ser medida ou controlada.
Assassin’s Creed Black Flag Resynced é um remake preciso. Nos dois sentidos da palavra. Fez-se necessário, 13 anos depois do original, para trazer de volta os antigos fãs para a franquia e também dar à nova geração essa incrível oportunidade de viver a chamada Era de Ouro da Pirataria em toda a sua glória. E foi desenvolvido exatamente como deveria.

Graficamente, por exemplo, é um deleite. Logo nos primeiros momentos do jogo, você já percebe como a nova geração de consoles fez bem para Edward e companhia. Os mares do Caribe, as ilhas, os personagens… Tudo é lindo. Especialmente com os novos efeitos dinâmicos de clima e iluminação, que fazem com que a ambientação seja deslumbrante.
Seja navegando, seja explorando. Em terra firme e no mar. Porque, afinal, Black Flag é sobre isso.
É um Assassin’s Creed com tudo o que se espera da franquia. E, “ressincronizado”, ele fica ainda melhor. O gameplay é extremamente fluido, divertido e viciante. Os combates são intensos dentro da sua medida. É claro que, como todo jogo dos Assassinos, o foco está em ser letal e silencioso, mas, quando é preciso entrar na porrada, ele brilha. Principalmente nas invasões a navios inimigos.

E, para quem gosta, os momentos no mar são incríveis. Eu confesso que nem sou dos maiores fãs e, mesmo assim, achei bastante divertido ficar navegando, atirando, explodindo os inimigos, coletando tesouros, resgatando sobreviventes e tudo o que fez com que Black Flag fosse tão amado. Em Assassin’s Creed Black Flag Resynced, está ainda melhor.
É um jogo com um mundo aberto enorme, repleto de atividades, com missões bacanas e imersivas, além de sidequests que enriquecem a experiência, liderada por um protagonista marcante e divertido. A maneira como ele “vira” um integrante da Irmandade é divertida, diferente e cativante. E ainda temos conteúdo bônus que vai agradar quem ficou com um gostinho de quero mais tantos anos atrás.
Utilizando as tecnologias da Anvil Engine desenvolvidas para Assassin’s Creed Shadows, a Ubisoft acertou demais nas animações, na movimentação e na maneira como Edward se comporta em geral. Esquivar-se, esgueirar-se, pular, usar tirolesas e, sim, a mecânica de ouvir o que os inimigos estão falando e persegui-los. Tudo funciona muito bem. E sem ser dessincronizado automaticamente!

O combate, então, é digno dos piratas. Execuções silenciosas múltiplas, tanto saindo de arbustos quanto pulando de algum lugar, por exemplo. Sistema de parry perfeito, que permite encadear diversos golpes na sequência, a variedade de armas e seus golpes pesados, além dos diferentes itens e ataques desarmados. Com um nível de dificuldade bem justo, e que pode ser customizado para o seu gosto.
Na parte da navegação, também vale destacar melhorias relevantes para quem prefere agilizar um pouquinho o deslocamento. Dá para só seguir a rota e deixar o barco navegar automaticamente, enquanto ouve a tripulação cantar suas músicas preferidas, que são colecionáveis pelo mapa. Aliás, vamos falar da tripulação de Assassin’s Creed Black Flag Resynced?
Recrutar marinheiros e oficiais é uma das partes mais legais do jogo, junto com a personalização do barco e do próprio Edward. Temos três novos oficiais que ajudam a melhorar pontos importantes específicos do Gralha. E, caso você precise dar um mergulho, também pode e deve. Afinal, todo o mundo subaquático está lindo, com atividades de caça e uma vida marinha impressionante.
Assassin’s Creed Black Flag Resynced chega oficialmente no dia 9 de julho, custando a partir de R$ 299,99 no varejo. E, sim, vale muito a pena. É um jogo que vai te garantir dezenas de horas de diversão em uma versão ainda melhor de um dos melhores jogos de aventura de todos os tempos. A Ubisoft entregou algo à altura do que todos nós esperávamos, o que significa muito se tratando de Black Flag.
Ahoy!
Veredito
90
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Assassin's Creed Black Flag Resynced