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Marvel’s Guardians of the Galaxy: vale a pena?

Novo jogo dos Guardiões da Galáxia apaga a má impressão deixada por Marvel's Avengers

por Vinícius Paráboa
Marvel's Guardians of the Galaxy: vale a pena?

Quando Marvel’s Guardians of the Galaxy foi anunciado em junho, a comunidade não parece ter se empolgado. Isso porque, o título é uma publicação da Square Enix, empresa responsável pela distribuição de Marvel’s Avengers, jogo que não cativou os fãs. Entretanto, aqui cabe aquela velha máxima: “Nunca julgue um livro pela capa“.

O título desenvolvido pela Eidos Montreal (Avengers é da Crystal Dynamics) reúne tudo que há de bom nos filmes dirigidos por James Gunn no Universo Cinematográfico da Marvel (UCM): piadas engraçadas, personagens super carismáticos e uma trilha sonora clássica. Pegue esses elementos e some a uma história original muito bem construída, para receber um produto final digno de elogios.

Claro, a experiência totalmente single-player não está livre de problemas. Alguns erros técnicos e um gameplay pouco atrativo diminuem a qualidade do game. Apesar disso, já apaga a péssima impressão deixada por Marvel’s Avengers.

A história de um líder desajeitado

Marvel’s Guardians of the Galaxy é um jogo claramente voltado para a história. Os personagens principais (Peter Quill, Drax, Groot, Gamora e Rocky) conversam o tempo todo, não deixando o jogador parar de prestar atenção — todos os diálogos têm relevância para o desenvolvimento dos relacionamentos e para a construção da narrativa em si.

Apesar de os Guardiões da Galáxia serem compostos por cinco integrantes, o foco do game fica em Peter (Senhor das Estrelas). Durante sua adolescência, o pequeno metaleiro recebeu a visita de alienígenas, que o levaram para o espaço — tal qual ocorre nas HQs e filmes. Em dado momento, ele forma o grupo de mercenários, que busca fama e fortuna.

Peter Quill como adolescente em Guardiões da Galáxia da Marvel
Peter sempre foi metaleiro (Foto: Reprodução/Vinícius Paráboa)

A premissa da história é bem simples: Quill é o dono da espaçonave Milano (apesar de Rocky brigar por esse título), portanto, o líder dos Guardiões. No entanto, muitas de suas decisões não são bem aceitas pelo restante da tripulação, o que gera um clima de desconforto e, principalmente, desconfiança.

Ao longo da aventura, o objetivo do herói é conquistar o respeito da equipe, para se tornar o líder que eles precisam. Entretanto, não será fácil: cada personagem possui seus problemas e traumas do passado, nos quais o Senhor das Estrelas deve lidar.

A narrativa tem a cara dos Guardiões: eles arrumam “treta” com todo mundo. Primeiramente, se envolvem em uma confusão com a Tropa Nova, grupo responsável pela segurança do universo. Precisando pagar uma multa gigante para os oficiais em curto espaço de tempo, os heróis passam a perna em Lady Hellbender, uma poderosa guerreira que coleciona “pets” espaciais. Enquanto ela persegue a trupe, um culto religioso fanático está tomando a galáxia inteira. Ufa.

Conforme a história se desenvolve, os problemas se multiplicam. Peter e seu bando elaboram soluções malucas uma atrás da outra, que vão amarrando bem o enredo e prendem a atenção do jogador.

Peter no comando da espaçonave Milano, junto de Gamora e Groot em Guardiões da Galáxia da Marvel
(Foto: Reprodução/Vinícius Paráboa)

O player também participa da direção para qual a narrativa irá. Em praticamente todas as conversas, o jogo apresenta opções de fala para serem selecionadas e ditas pelo Senhor das Estrelas. Elas são determinantes para que certos acontecimentos tomem forma (ou não).

Por fim, é válido destacar a excelente dublagem (sim, Marvel’s Guardians of the Galaxy está em PT-BR!). Os atores são os mesmos dos filmes do MCU: Rapahel Rossatto é Peter, Priscilla Amorim empresta sua voz à Gamora, Mauro Ramos faz um trabalho primoroso com Drax, enquanto Mckeidy Lisita e Duda Ribeiro dublam Rocky e Groot, respectivamente.

Gameplay não empolga muito

Peter em combate em Guardiões da Galáxia da Marvel
(Foto: Reprodução/Vinícius Paráboa)

Quando falamos da jogabilidade de Marvel’s Guardians of the Galaxy, ela não empolga tanto, apesar de funcionar bem. Os jogadores controlam apenas Peter Quill, que comanda seus aliados nos combates, além de dar uns tiros também.

Cada personagem conta com quatro skills especiais (uma delas é a “ultimate”), estas desbloqueáveis com pontos conquistados por meio da experiência ganha nas lutas. Como exemplos, Groot enraíza oponentes, Drax usa seus golpes para atordoar os inimigos, Gamora causa muito dano individual, Rocky dá dano em área, enquanto Quill dispara uma rajada de tiros.

Todas essas habilidades variam o gameplay e dão funções aos heróis: Groot é suporte, Gamora é assassina, Drax é tanque, etc. Elas ainda ajudam a equipe a se entrosar, permitindo o uso de combos de finalização. Por fim, caso esteja se dando mal em um combate, o líder Peter consegue chamar sua trupe para motivá-los e, assim, buffá-los (sem contar, que músicas dos anos 80 começam a tocar ao fundo).

Drax, Gamora, Rocky e Groot sendo motivados por Peter em Guardiões da Galáxia da Marvel
(Foto: Reprodução/Vinícius Paráboa)

Se a variedade nas skills é legal, o mesmo não se pode dizer da repetitividade nos objetivos. O game adota cenários bastante lineares, onde os jogadores basicamente devem derrotar inimigos e atravessar obstáculos com a ajuda de habilidades de fora do combate dos personagens — Groot cria pontes com raízes, Rocky hackeia sistemas e por aí vai.

No início, até é interessante ver como os Guardiões se entrosam para superarem as barreiras. Entretanto, a repetição é tanta, que perde a graça conforme o jogo avança. Se Marvel’s Guardians of the Galaxy fosse um título de mundo aberto, essa desculpa até faria sentido, mas não é o caso.

Por falar na linearidade, ela também prejudica os exploradores de plantão. Peter e os outros personagens até fazem muitas piadas quando o player desvia da rota certa, mas esses são caminhos curtos, de fácil alcance, que trazem recompensas pouco atrativas: skins e componentes (esses servem para modificar habilidades exclusivas do Senhor das Estrelas, em bancadas de trabalho).

Trilha sonora espetacular

Quando falamos da franquia Guardiões da Galáxia, logo nos lembramos dos filmes do MCU, onde a trilha sonora é parte importantíssima da experiência. Pois bem, esse também é o caso em Marvel’s Guardians of the Galaxy.

O jogo reúne diversos hits do rock and roll dos anos 80, como “Kickstart My Heart” do Mötley Crue, “I Love It Loud” do KISS e “Where Eagles Dare” do Iron Maiden. Já os amantes do pop se deleitam com “Take On Me” do A-Ha e “Wake Me Up Before You Go-Go” do Wham!. Ainda há espaço para a banda original do game “Senhor das Estrelas” — que originou o apelido de Peter Quill.

Essas músicas podem ser tocadas na rádio da nave Milano ou ao ativar a já citada mecânica de motivação nas batalhas. Elas dão um charme necessário ao game, que precisa desses clássicos para dar credibilidade à década na qual o protagonista era adolescente.

Modos gráficos dão opções aos jogadores

Em Marvel’s Guardians of the Galaxy existem dois modos de gameplay: qualidade e performance. O primeiro faz o título rodar a 30 FPS, mas com os gráficos em destaque. Já o outro trava a taxa de quadros em 60, mas com visuais menos vistosos.

Isto é uma pena, pois por se tratar de um shooter de ação, o ideal para o jogador é utilizar a fluidez dos 60 FPS. Deixar os gráficos de lado frustra, porque eles estão muito bonitos. Há ainda de se mencionar que um modo com ray tracing será lançado no período pós-estreia.

Outra ressalva a se fazer quanto ao jogo, é a quantidade de bugs. Não são erros que atrapalhem a experiência, mas são notáveis, em alguns casos, problemas na iluminação ou a necessidade de reiniciar o checkpoint por ausência das vozes. Todos, provavelmente, acabarão corrigidos em patches futuros.

Peter Quill e Rocky em Guardiões da Galáxia da Marvel
(Foto: Reprodução/Vinícius Paráboa)

Por fim, vale mencionar o modo “Foto” de Marvel’s Guardians of the Galaxy, que possui muitas opções para quem é fã de cliques. Dá para mexer nas poses dos personagens, ajustar opções da lente, escolher filtros e muito mais.

Peter e Gamora posam para foto em Guardiões da Galáxia da Marvel
(Foto: Reprodução/Vinícius Paráboa)

Marvel’s Guardians of the Galaxy: vale a pena?

Na nossa prévia do game, já havíamos cantado a bola: fãs dos filmes de James Gunn curtirão a nova aventura produzida pela Eidos Montreal. O bom humor dos heróis da franquia, as interações ácidas e a trilha sonora fazem o jogo ser uma grande surpresa em 2021, ainda mais depois que a comunidade tenha recebido os primeiros trailers com certo desdém.

A experiência dura cerca de 20 horas, se os jogadores escutarem os diálogos. Esse montante diminui, caso eles quiserem “rushar” a campanha. Um tempo de gameplay agradável para os moldes atuais da indústria.

Na PS Store, a versão padrão de Marvel’s Guardians of the Galaxy sai por R$ 299,90, um preço talvez muito alto para o que a Eidos Montreal entregue. Entretanto, se você é amante de uma boa história, valerá cada centavo investido.

Veredito

Marvel's Guardians of the Galaxy
Marvel's Guardians of the Galaxy

Sistema: PlayStation 4 | PlayStation 5

Desenvolvedor: Eidos Montreal

Jogadores: 1

Comprar na Amazon
80 Ranking geral de 100
Vantagens
  • História muito bem amarrada, que não cansa o jogador
  • Dublagem em PT-BR primorosa
  • Trilha sonora excelente
  • Diálogos bem escritos
Desvantagens
  • Gameplay não é recompensador
  • Bugs são constantes
Vinícius Paráboa
Vinícius Paráboa
Editor
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Jogando agora: Marvel's Guardians of the Galaxy, Ratchet & Clank (2016)
Editor no MeuPlayStation. Fanático por Crash Bandicoot, God of War e pelo Grêmio.