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EA Sports UFC 2: vale a pena?

por Thiago Barros
EA Sports UFC 2: vale a pena?

IT’S TIME! Segundo game do Ultimate publicado pela EA, EA Sports UFC 2 chega ao PS4 com um cartel enorme de lutadores, gráficos bonitos, novos modos de jogo e melhorias na jogabilidade.

No corner vermelho, o atual campeão dos direitos de jogo oficial do maior evento de MMA do mundo, EA Sports UFC 2, defendendo o seu cinturão pela primeira vez. No corner azul, UFC Undisputed, a série da THQ, que é considerada por muitos fãs dos games de artes marciais mistas a referência no ramo. Bruce Buffer sobe no ringue, diz que “It’s Time”, e o Meu PS4 analisa se o novo UFC é capaz de destronar, ou pelo menos igualar, os antigos.

A primeira luta que fizemos no EA Sports UFC 2 foi entre Anderson Silva e Uriah Hall, recém confirmada pela organização como um dos embates do UFC 198, em Curitiba. E o clima do UFC tomou conta logo na entrada dos lutadores. Quando o Spider caminhou ao som de Ain’t No Sunshine (Sim, a música está no game!), foi arrepiante. A ambientação está perfeita, nas entradas dos lutadores, na torcida, nos árbitros, no Bruce Buffer… E aí começou a porrada!

Jogabilidade melhora, mas segue com falhas

De cara é possível perceber que EA Sports UFC 2 está diferente em relação ao primeiro jogo da franquia. O novo game favorece mais o ataque. Os combos entram com uma maior facilidade, o lutador consegue se mover mais sem cansar tanto e até as transições no chão e no clinch estão muito mais fáceis. Graças à adição de menus com indicações de para onde o usuário deve mexer o botão se quiser realizar tal ação, o jogo agarrado ficou mais simples.

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O ritmo das lutas também está um pouco mais cadenciado. Conforme notamos no beta, EA Sports UFC 2 ficou menos arcade. A luta em pé parece não tão rápida, com menos trocações loucas sendo possíveis, e o chão agora está menos girar alavanca que nem um doido e mais estratégia e saber qual é a melhor posição, como deveria ser. Neste ponto, é possível notar a clara evolução da franquia.

Agora você pode gostar e aproveitar uma luta no chão, saber o que está fazendo e passar às posições desejadas de forma intuitiva, simples e inteligente. A defesa é que está mais difícil e imprevisível. Assim como o uso de dois botões para defender golpes em pé (um na cabeça e outro no tronco) ficou mais difícil. Conforme falamos, o jogo valoriza bem mais o ataque – o que é compreensível.

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Vale destacar também o alto nível de detalhamento dos movimentos dos lutadores. Não só nas animações pré-luta como no próprio in-game. Os golpes são muito bem recriados, tanto em pé como no chão. As transições, aliás, estão trabalhadas com exatidão. Os responsáveis por esta parte do jogo estão de parabéns. Em vários momentos, é como estar vendo mesmo uma luta de MMA.

É muito legal ver como isso evoluiu no EA Sports UFC 2. Pela facilidade que o novo Hub traz e também pela melhoria na mecânica e em detalhes gráficos mesmo. As posições dos lutadores na hora dos golpes estão mais reais. Você sente isso claramente. Em pé ou no chão. Mas nem tudo são os “melhores momentos”. Há falhas no gameplay que ainda não ficaram resolvidas desde o primeiro jogo da franquia.

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Em muitos casos, estas posições não ficam tão perfeitas assim. Pelo contrário. Há momentos de pura confusão nas lutas. Sem falar o fato de um golpe entrar e “tirar” o outro, em muitos casos, é injusto. Um exemplo simples da vida real: quando Conor McGregor derrotou José Aldo, seu golpe entrou no queixo do brasileiro e o nocateou, mas o soco que Aldo tentou dar quase que ao mesmo tempo, mesmo mais fraco, atingiu o rosto do irlandês.

Em EA Sports UFC 2, isso, em muitos casos, não acontece. Houve uma melhora em relação ao anterior, mas há muitos golpes que simplesmente cortam outros. Ou seja, melhor do que lançar um golpe de encontro, que muitas vezes funciona na vida real, é esperar, defender seu ataque rival e contragolpear, o que acaba gerando uma ordem de fatores que não existe tão definida assim no MMA de verdade.

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A “apelação” com chute baixo e jabs repetidos segue sendo usada, e isso pode frustar jogadores no modo online. Um outro problema é como conectar as combinações e aproveitar espaços após esquivas. É preciso ser super rápido e ainda ter sorte de os comandos “pegarem”. O tempo de resposta não é tão bom, e isso pode ser frustrante em ocasiões de uma luta parelha na trocação.

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Outro detalhe que incomoda é a reação dos lutadores a alguns golpes. Quando eles são atingidos, em certas ocasiões, caem para trás e vão para longe de quem está batendo. Isso não só não é nada parecido com o UFC de verdade, como ainda prejudica o outro lutador. Além disso, o bug de o lutador se enrolar com o próprio corpo e ficar em uma posição esquisita segue no game – e aconteceu logo em uma das primeiras lutas que fizemos.

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No geral, a sensação é de que o game de luta está caminhando para ser um simulador de MMA. Ele, sem dúvida, evoluiu. Está um pouco mais imprevisível. Mas ainda é um pouquinho “travado” demais. Os golpes, as sequências, seguem sempre um “padrão”, e os movimentos não são tão livres como em um jogo de futebol ou basquete. É óbvio que é muito difícil recriar uma luta do UFC, mas este deveria ser o objetivo, e isso ainda pode ser melhorado.

Gráficos mantêm o bom padrão do antecessor

Quem jogou EA Sports UFC não vai se impressionar com EA Sports UFC 2 em termos de visual. Pouca coisa mudou. Houve melhorias em personagens não-lutadores, como Bruce Buffer, as ring girls, Dana White e a torcida. Toda a ambientação segue perfeita, e os rostos dos lutadores estão muito bem detalhados, além de seus movimentos característicos serem um show à parte – como a estrela de Jon Jones ao entrar no octógono.

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O mais impressionante é que o plantel de atletas aumentou muito, e mesmo com alguns que não são tão conhecidos pelo grande público, o trabalho foi super bem feito. A única crítica que fica é no Modo Carreira, em que o personagem fica com um aspecto abaixo do que se vê nos lutadores “reais”, e nas cenas de introdução do TUF, ele tem gráficos com uma “cara de PES”, abaixo da qualidade tradicional da série do UFC.

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É importante destacar também o bom trabalho feito nos menus, simples e bonitos, e claro, nas animações pré e pós-lutas, seguindo o modelo visual adotado pelo UFC em seus eventos em cada detalhe. No geral, a experiência visual do jogo é muito bacana. Até as arenas são super fieis à realidade, como a Rio Arena, que é a HSBC Arena, no Rio de Janeiro.

EA SPORTS™ UFC® 2_20160317212456Talvez EA Sports UFC 2 seja um dos mais bonitos games esportivos já feitos, em uma briga acirrada com os jogos mais recentes da série NBA 2K e o último Madden. O que indica mais uma vez como faz a diferença ser um game de uma franquia fechada, que não depende de tantos indivíduos como nos de futebol, onde sempre há discrepâncias enormes entre times.

Dublagem decepcionante: alô, Rhodes Lima!

Se a jogabilidade melhorou, apesar de ainda ter errinhos, e os gráficos seguem muito bons, a dublagem continua decepcionante. Morna, sem sal, com frases que tentam ter algum efeito, porém são pronunciadas de forma sonolenta, ela é um ponto negativo do jogo. Ainda mais se for comparada ao excelente trabalho da versão em inglês.

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Com Joe Rogan inspiradíssimo e Mark Goldberg também muito bem, é fácil de se sentir em um evento do UFC com a narração. Já na versão em português, a empogalção é zero e ainda há erros de pronúncia em alguns nomes de lutadores (como a de Uriah Hall). Sem contar no Modo Carreira em que nos nossos testes, um atleta homem foi chamado, durante toda a introdução dele antes dele entrar no octógono, de “lutadora”.

Alô, EA Sports, já que vocês colocam uma propaganda do Canal Combate na versão física do jogo, chamem o Rhodes Lima para narrar e a Kyra Gracie para comentar o EA Sports UFC 3!

Ultimate Team, Nocaute e Eventos

EA Sports UFC 2 tem três novos modos de jogo: Ultimate Team, que é uma tradição nos jogos da EA Sports, Nocaute, que transforma o UFC em Street Fighter – só permite luta em pé e com uma barra de vida que não regenera, com cada lutador precisando vencer dois rounds para ganhar a luta, e Eventos, pedido dos fãs, onde é possível jogar o card do próximo evento do UFC ou então criar o seu próprio.

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São três apostas acertadas e interessantes, para dar maior vida útil ao jogo. Até porque seu modo online não tem grandes novidades, somente o sistema de temporadas já famoso do Fifa, do Madden e do último UFC, e o modo Carreira idem. Neste, você segue começando no UFC, pode treinar, escolher lutas e seguir sua carreira rumo ao Hall da Fama do Ultimate. Um modo que poderia ser melhor, mas que seguiu burocrático.

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Das novidades, sem dúvidas, o Eventos é o que mais se destaca. O Ultimate Team é legal, porém muito coletivo para um esporte tão individual. Você tem que montar uma equipe, e ir ganhando com todos os lutadores, é legal, tem os modificadores das cartas, que podem dar novos golpes e atributos para cada um, você cria uma espécie de time, mas é um processo longo e complicado para um jogo de MMA. Ainda precisa convencer de que encaixa bem ali.

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Os Eventos não. São a alma do UFC. A possibilidade não só de vivenciar os eventos reais do Ultimate como de criar os seus próprios, com as lutas que você quer, e jogar sozinho ou com seus amigos é muito legal. É este o grande ponto alto do jogo para quem não disputa partidas online por algum motivo. Vale a pena se divertir e criar as diversas possibilidades de se sentir um Fertita ou Dana White por um dia.

Vale para os fãs, mas tem que melhorar

EA Sports UFC 2 é um jogo recomendado para quem curte o UFC, jogou o primeiro game da série e sabe que este tem algumas importantes melhorias em relação ao anterior. Porém, até mesmo para este público, ainda não é o jogo perfeito de MMA. Tem muitos detalhes importantes a serem melhorados. Por isso, nossa recomendação é esperar uma promoção na PSN ou nas lojas físicas para comprá-lo.

Não é que o novo game da EA seja ruim. Pelo contrário. É até melhor do que o antecessor. Porém, não é um jogo para todo mundo, e até o seu público-alvo vai encontrar alguns pontos que não vão agradar. Assim como seus atletas de capa, Conor McGregor e Ronda Rousey, EA Sports UFC 2 tem um potencial enorme e bons momentos, mas também falhas visíveis e os resultados não tão bons quanto esperado.

Ou seja, na luta contra os fantasmas do passado, o atual campeão consegue defender seu título, mas de forma burocrática, com uma decisão dos juízes após cinco rounds. Para satisfazer aos fãs do UFC e dos jogos do evento, é preciso que a EA Sports trabalhe um pouco mais e consiga entegar um nocaute no próximo game. Mas ela está no caminho certo.

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Thiago Barros
Thiago Barros
Editor-Chefe
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Jogando agora: Ghostwire Tokyo
Jornalista, teve PS1, pulou o 2, voltou no 3 e agora tem o 4, o 5 e até o PSVR. Acha God of War III o melhor jogo da história do PlayStation.