Jogo
EA Sports UFC 6
Quem pensou que colocar um efeito especial que parece deixar um lutador com “super poderes” em um jogo oficial do UFC seria uma boa ideia? É impossível analisar EA Sports UFC 6, que tem, sim, seus pontos positivos, sem começar com essa pergunta. É inimaginável pensar que isso possa fazer sentido em alguém que está desenvolvendo um game do maior evento de artes marciais mistas do mundo.
A versão virtual do Ultimate Fighting Championship não pode ser arcade. Não pode tentar levar a luta para um lado mais Street Fighter ou Mortal Kombat. Sangue exagerado e “fake”, “poderzinho”, tempo desacelerando para você fazer ações, barras de “vida” e de “especial” no canto superior da tela… O que aconteceu com o “As Real As It Gets”, slogan mais famoso do UFC?
Fazendo um pouco de mea-culpa, é claro que dá para entender o direcionamento. Provavelmente, a ideia é tentar atingir um público mais casual do que os fãs da simulação e/ou das lutas da vida real. Mas você não faz isso às custas de desagradar a sua base mais hardcore. E basta só dar uma olhadinha nos comentários do vídeo de deep-dive do gameplay para entender que foi exatamente isso o que EA Sports UFC 6 causou na sua comunidade…
Dito isso, UFC 6 talvez seja o mais completo jogo da franquia desde que ela passou para as mãos da EA. Com uma bela variedade de modos de jogo, elenco completo, conexões bacanas com a vida real, gráficos e atmosfera de alto nível e uma jogabilidade agradável no combate, apesar de ainda cometer alguns erros antigos da série.
A experiência com EA Sports UFC 6 não é ruim, mas decepciona por dois motivos: a tentativa de deixar o jogo mais arcade e a impressão de que, em 2026, ele ainda não conseguiu superar um título de 2012 – que sempre vai estar ali para assombrá-lo.
No que realmente importa, a porrada, o título até evoluiu em relação a seu antecessor, mas não tanto a ponto de ser considerado um grande jogo. A física dos movimentos até parece um pouco mais “realista”, mas ainda temos muitos momentos em que os movimentos se confundem, as coisas ficam meio estranhas, e várias quedas não parecem tão naturais.

Obviamente, não deve ser nada simples fazer um jogo de MMA – bem menos do que um de boxe, por exemplo. Afinal, essa parte justamente do encontro das movimentações é bastante complexa. E realmente fica esquisito quando entram comandos ao mesmo tempo dos lutadores, e o que vemos em muitas ocasiões são os lutadores se embolando de uma forma que só aconteceria em um jogo mesmo.
Quando tudo flui da maneira que deveria, no entanto, EA Sports UFC 6 é um bom jogo. Socos, chutes, grappling, tudo funciona. O problema é só a pegada arcade mesmo que fica evidente com o Flow State e os muitos menus que ficam na parte superior da tela. Para quem gosta mais daquela pegada simulação, é estranho ver a tela mudar de cor, as coisas ficarem em câmera lenta e 20% do display com menus. O bom é que no modo simulação dá pra tirar a maioria dessas coisas!
Quando tudo dá certo, a sensação é recompensadora demais. Aquele nocaute perfeito, ou escapar daquela finalização no finalzinho. Terminar um evento com o cinturão na barriga é incrível. Sem falar na possibilidade de poder fazer lutas como Jon Jones x Tom Aspinall, que ficarão somente na nossa imaginação mesmo, pelo visto.
Agora, se você conseguir ignorar isso, vale ver o lado meio cheio do copo. EA Sports UFC 6 tem diversos modos de jogo bem interessantes. Seja no Modo Carreira tradicional, onde você vai evoluindo seu personagem até se tornar um grande campeão do UFC, seja nas lutas usando os próprios lutadores consagrados do evento, seja no incrível no modo que valoriza o legado de ícones como Poatan.

Este último, então, é incrível. É muito mais para conectar o mundo do jogo com a vida real, mas é incrível. E esse é um dos grandes pontos altos de EA Sports UFC 6. Por ser um game oficial do evento e ter essa conexão com ele, o título funciona como uma ode à história deste que se tornou o principal campeonato da história das artes marciais mistas no mundo. Temos vídeos históricos, simulações de lutas marcantes e muito mais.
Sem falar nas atualizações de conteúdo baseadas nos UFCs da vida real, como o da Casa Branca no último final de semana. O local da luta já está disponível no game, de forma impressionante. O jogo também deve ter aquelas atualizações de elenco, como acontecia no anterior, e essa talvez seja a franquia com mais inspirações diretas e constantes do que vemos no mundo de verdade.
Visualmente, inclusive, EA Sports UFC 6 é um espetáculo. Apesar de alguns lutadores não terem seus modelos virtuais tão iguaizinhos à vida real, os gráficos ainda são incríveis. Seja na construção dos corpos, seja na reprodução das arenas. O estilo de transmissão e a imersão para o jogador merecem elogios. É como estar vendo um UFC na televisão, mas com você controlando tudo o que acontece.

EA Sports UFC 6 ainda adiciona uma outra camada interessante que é a Academia, onde você vai desbloqueando lutadores e cosméticos conforme progride no jogo ou no passe de batalha. Dando aquele sentimento de que o que você está fazendo conta para mais alguma coisa. E vale lembrar, claro, que o título tem um elenco repleto não só de lutadores atuais como de lendas do UFC, o que torna tudo ainda mais divertido.
No fim das contas, EA Sports UFC 6 ainda é o lugar para os fãs de MMA se sentirem dentro do octógono. Poderia ser melhor? Sim, mas ainda entrega o que precisa para ser uma boa experiência com o maior evento de MMA do planeta. O título custa R$ 349 na versão standard para PS5 na PS Store e será lançado oficialmente no próximo dia 19 de junho.
Veredito
80
Jogo
EA Sports UFC 6