Halo: Campaign Evolved: vale a pena?
Master Chief estreia no PlayStation em um remake que preserva a essência do clássico e moderniza sua jogabilidade
Feche os olhos e vá na fé!
Uma garota se aventura em uma mansão, que tem permeado seus sonhos há algum tempo. Lá, ela irá tentar desvendar os segredos do lugar, enquanto é perseguida por uma entidade sobrenatural. Com um detalhe que torna tudo ainda mais intrigante: ela é cega, e somente pode se localizar, e “enxergar”, por meio de sons. Eis Perception.
Qualquer pessoa que o tenha acompanhado, desde seu anúncio, percebe que a sua temática é, de fato, instigante. Um jogo que priva o jogador do principal sentido, e o coloca vulnerável a uma presença fantasmagórica. Poderia-se até mesmo compará-lo a Outlast, onde mesmo com tudo às cegas, o jogador ainda possui sua câmera com visão noturna.
Cassie possui apenas sua ecolocalização.
No entanto, a jogabilidade é falha. Extremamente repetitiva, o jogador precisará revisitar determinadas áreas diversas vezes. O clima de terror não prospera por todo jogo. Alguns sustos repentinos não são suficientes para sustentar uma atmosfera que, de repente, está tomada pelo tédio. Um jogo que prometia muito, mas acabou mostrando-se insosso.
Uma das chamarizes mais intrigantes e instigantes do título é exatamente sua proposta. Jogar com uma personagem totalmente cega, cuja única maneira de se localizar no mundo é utilizando sons do ambiente. Cassie é cega. E por isso precisou dominar a ecolocalização, para poder viver mais independentemente neste mundo.
Ela está determinada a resolver os mistérios que envolvem uma mansão em Massachusetts. No entanto, as energias sombrias que emanam do lugar não são o único obstáculo que a protagonista terá que enfrentar. “A Presença”, uma entidade malevolente, que está determinada a subjuga-la permanentemente.

Além de sua própria história, a protagonista também poderá experienciar histórias de outras pessoas que já viveram na mansão. Enquanto explora os quatro capítulos da história, Cassie irá se deparar com itens e locais que a remeterão a situações do passado.
Infelizmente, a narrativa de Perception sofre de dois problemas graves. O primeiro é: para descobrir tudo o que o jogo tem a oferecer, em termos de enredo, será necessário visitar inúmeras vezes os mesmos locais, em busca de novos colecionáveis. O segundo, está na questão de sua duração. O jogo pode ser terminado em quatro horas ou menos.

Apesar de bons momentos, e alguns acertos, a curta duração e a pouca capacidade de prender o jogador à situação atual acabam por minar a sensação de mistério outrora lançada em nossas mentes. O fato o enredo ser tão focado em colecionáveis, ser necessário encontra-los no ambiente, e Cassie ser cega, geram uma combinação nada agradável.
Perception possui uma jogabilidade única, por assim dizer. O jogador é privado de seu principal recurso – a visão. E, por isso, precisará utilizar sons para se localizar. Cada vez que algo faz barulho, ou Cassie usa sua bengala, uma onda sonora irradia o ambiente, e revela o que há no cômodo da mansão. Assim, o jogador saberá onde está, baseado onde esteve.
Com o som, o jogador também pode localizar outros objetos no ambiente, como colecionáveis. Estes são necessários para conhecer um pouco mais dos mistérios da casa, abrir novas salas, ou progredir durante o jogo. Só tem um porém: quanto mais barulho Cassie fizer, mais rápido será encontrada pela Presença.

Ao notar Cassie, ela passará a persegui-la, e será necessário se esconder dela, ou a protagonista morrerá, e deverá voltar ao último checkpoint. Esse jogo de gato e rato dá um clima de tensão genuíno à situação… por um tempo. As mortes acabam sendo mais um empecilho para a progressão do jogador. E a entidade sequer se mostra tão ameaçadora.
O jogador descobrirá que não existe essa ameaça real ao jogo. A imersividade proporcionada pela tela preta quase sempre onipresente dá lugar a um senso de solidão, ao invés de medo. E este senso é quebrado apenas vez ou outra por algumas vozes dos fantasmas que habitam a casa.

A ecolocalização também não é muito bem utilizada. Sendo alguém tão versada nesta técnica, Cassie deveria “perceber” o ambiente por mais tempo. Os cenários se “apagam” deveras rápido. Isso gera a necessidade de “bater” com a bengala por mais vezes. O que, por sua vez, a torna mais vulnerável à entidade.
Apesar destas lacunas no título, o trabalho audiovisual deve ser elogiado. As dublagens estão muito bem dirigidas. Os sons ambientes transmitem certo ar de opressividade (quando não quebrado pela jogabilidade falha). A trilha sonora ajuda a criar um sentimento urgência e tensão.
Mas os efeitos sonoros deixam um pouco a desejar. Especialmente em se tratando de um game onde a orientação por este sentido é basicamente todo alicerce do jogo. Isso não tira, contudo, toda primazia da execução da trilha sonora. E, apesar de não haver dublagem, o jogo conta com localização de menus e legendas.

Os gráficos também são muito bem elaborados. Eles tentam passar a sensação do que seria estar realmente “cego”, e o fazem bem. Sendo um sentido falho no jogo, não se pode esperar que o título apresente algo ao estilo “Uncharted” e afins. Ele se fixa à proposta minimalista de mostrar apenas o que o som pode mostrar. E nisso, o jogo se sagra.
Perception é uma ousada tacada da The Deep End, formada por antigos funcionários da Irrational Games (Bioshock / Bioshock Infinite). Não se pode negar que há um toque destes jogos neste título. Até mesmo um troféu de platina ele possui.
É certo que o título tenta acertar em sua proposta. Falha em determinados pontos. Como por exemplo, em tentar carregar demais o jogador pelas mãos (o jogo basicamente te “arrasta” para onde precisa ir). Para aqueles que gostam de algo mais intrincado, este título não agradará tanto.

Certamente, aparando algumas arestas aqui e ali, a desenvolvedora poderá trazer algo que vá surpreender. Mas, infelizmente, não foi dessa vez.
VEREDITO: É Indie Mas…não é tão legal
O que é bom:
O que não é bom:
Para quem jogou e gostou de:
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