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Wildgate: Como os veteranos de Hearthstone, StarCraft e Overwatch estão criando o jogo dos seus sonhos — e da sua própria rebelião

Direto de Irvine, na Califórnia, o MeuPlayStation visitou a Moonshot Games para conhecer Wildgate, o novo e ousado jogo dos criadores de StarCraft e Hearthstone

Wildgate: Como os veteranos de Hearthstone, StarCraft e Overwatch estão criando o jogo dos seus sonhos — e da sua própria rebelião

Irvine – Existe algo poeticamente simbólico em visitar uma empresa chamada Dreamhaven. Afinal, o nome carrega exatamente aquilo que ela representa: um refúgio para criadores que, um dia, sonharam com uma indústria diferente — mais leve, mais criativa, mais livre.

Foi exatamente esse sentimento que tomou conta de nós durante nossa visita ao estúdio Moonshot Games, em Irvine, na ensolarada Califórnia. Fomos recebidos de braços abertos por Jason Chayes e Dustin Browder, duas figuras que, se você é fã de StarCraft, Hearthstone, Command & Conquer ou Heroes of the Storm, provavelmente já moldaram muitas das suas melhores (e mais estressantes) memórias nos games.

E agora, eles estão mirando em algo completamente novo. Ou, melhor dizendo… lançando sua própria moonshot — aquele tipo de aposta ousada, quase impossível, que só se faz quando se tem coragem (e um baita currículo nas costas).

Do colapso de Ares ao nascimento de Wildgate

Jason e Dustin se conhecem de longas jornadas no mundo dos games — ambos foram peças-chave da Blizzard. Jason foi o produtor de Hearthstone e, antes disso, trabalhou no Battle.net, StarCraft II e Diablo III. Dustin, por sua vez, é uma lenda viva dos RTS, sendo diretor de StarCraft II, Heroes of the Storm e designer de clássicos como Command & Conquer: Generals e Red Alert 2.

Mas tudo mudou em 2019, quando um projeto interno da Blizzard — um FPS no universo de StarCraft, chamado Ares — foi abruptamente cancelado. Aquela decisão não destruiu só um jogo; destruiu também a motivação de muita gente que sonhava em criar algo diferente.

Foi então que surgiu a Dreamhaven, e dentro dela, a Moonshot Games. O nome não é por acaso. “É sobre mirar alto, mirar na lua, mesmo sabendo dos riscos”, comentou Jason enquanto almoçávamos com ele e Dustin na área de convivência do estúdio.

Wildgate: caos, aventura e liberdade no espaço

O resultado dessa jornada se chama Wildgate, um jogo que mistura PvP, PvE, exploração, gestão de nave e caos controlado — tudo isso com uma camada procedural que garante que nenhuma partida seja igual à outra.

E se tem uma coisa que Jason e Dustin deixaram claro é que Wildgate não é um hero shooter no espaço. Aliás, eles riram bastante dessa comparação.

“Se eu sou o equivalente da Mercy e vou invadir uma nave sozinho… o que eu tô fazendo aqui? Eu teria que trazer um amigo. E aí outro. E pronto — parabéns, você acabou de criar um hero shooter,” brincou Dustin, arrancando gargalhadas da sala.

Aqui, não existem papéis fixos. Não há tank, healer ou DPS. Cada personagem tem sua identidade, claro — alienígenas, humanos, engenheiros anfíbios —, mas todos precisam estar prontos para pilotar, invadir naves, atirar, saquear e sobreviver. Sozinhos, em dupla ou em grupo.

O conceito é simples: ou você escapa com o Artefato, atravessando o misterioso portal conhecido como Wildgate, ou então destrói todas as naves adversárias e se torna o último sobrevivente na Orla — um lugar tão bonito quanto implacável.

O mar aberto do espaço… e dos jogadores

Se tem algo que impressiona em Wildgate é como o mapa nunca é o mesmo. “Queríamos que o espaço parecesse o oceano”, explicou Jason. “Se uma onda atinge seu barco, você não fica bravo com a onda. É o oceano. Bonito, perigoso, imprevisível. Você respeita.”

E essa filosofia transborda para o próprio jogo. Nebulosas podem ser densas e servir de esconderijo em uma partida, e completamente abertas e mortais em outra. Asteroides, nuvens de gás e tempestades cósmicas moldam os desafios — e as oportunidades.

Wildgate - Espaço

A luta contra a toxicidade e a favor das boas histórias

Um jogo competitivo, multiplayer e com loot compartilhado parece, na teoria, a receita perfeita para brigas, xingamentos e aquele velho ranço dos chats online. Mas Jason e Dustin aprenderam muito nos tempos de Hearthstone e Heroes of the Storm sobre como prevenir isso — e, principalmente, sobre o que não fazer.

Wildgate tem voice chat opcional, ping system robusto, chat de texto e, claro, uma equipe de comunidade pronta para estabelecer regras claras. Mas eles sabem que não existe solução mágica.

“É sobre criar ferramentas, sim, mas também sobre criar uma cultura,” explicou Jason. “E isso começa desde o primeiro dia.”

Quando tudo dá errado… é aí que começa a diversão

Dustin foi categórico sobre o tipo de jogador que Wildgate quer atrair:

“Se você é do tipo que não aceita que coisas ruins aconteçam no jogo… esse não é o seu jogo. Você vai morrer. Vai ser emboscado. Vai ver alguém fugindo com o artefato que você quase pegou. Mas quando você invade uma nave, mata todo mundo, rouba a melhor arma deles, instala na sua nave e volta pra explodir eles com a própria arma… cara, isso você vai contar pros seus amigos por semanas.”

E esse é, talvez, o verdadeiro espírito do jogo. Não se trata apenas de vencer. Trata-se de criar histórias. De viver o improvável. De se ferrar — e se vingar de forma épica logo depois.

Wildgate Gameplay

Uma comunidade que molda o jogo

O estúdio não esconde que a ideia é que a comunidade ajude a construir o futuro de Wildgate. Durante a visita, Jason contou sobre um evento recente chamado SHIP-A-PALOOZA, onde a própria comunidade votou nos melhores nomes para as naves. Os quatro mais votados vão aparecer oficialmente no jogo.

Além disso, eles deixaram claro que estão de olho em feedback sobre tudo — desde equilíbrio de gameplay até sugestões de features como custom lobbies, evolução do mapa e até proximidade de voz (que, por enquanto, está em debate interno).

Preço, filosofia e futuro

Ao contrário da tendência dos free-to-play, Wildgate chega com preço fixo: US$ 30. A escolha foi bem pensada.

“Você compra e tem tudo o que precisa para jogar de forma competitiva,” explicou Jason. “O resto é cosmético, progressão e personalização.”

Mas, claro, eles estão abertos a avaliar parcerias futuras — seja com serviços como PlayStation Plus ou outros. Desde que faça sentido para a comunidade.

E quanto ao futuro? Dustin responde com aquele sorriso de quem sabe mais do que pode contar:

“Temos um roadmap que vai muito além do lançamento. Novos prospectores, naves, histórias, atualizações para a Orla… Isso aqui tá só começando.”

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Uma moonshot que sonha em acertar em cheio

Saímos da sede da Dreamhaven com a certeza de que Wildgate não é só um jogo. É uma declaração de princípios. É sobre dois veteranos — e uma equipe inteira de apaixonados — decidindo que, sim, ainda vale a pena fazer jogos do jeito certo. Com criatividade, com liberdade, com aquela dose certa de caos e, claro… com muita história pra contar.

Ah, e se você ficou curioso para experimentar tudo isso, Wildgate está em beta aberto no PS5 até o dia 16 de junho. É só baixar, montar sua tripulação e partir rumo à Orla para viver suas próprias histórias — seja escapando com o Artefato, seja explodindo naves inimigas no melhor estilo “improvisa, adapta e sobrevive”. O lançamento oficial acontece no dia 22 de julho, quando o jogo chega completo ao PlayStation 5, Xbox Series e PC.

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Daniel dos Reis

CEO

Fundador do MeuPlayStation, formado em Ciência da Computação e especialista na indústria de games, com mais de 15 anos de experiência e ampla cobertura do ecossistema PlayStation.

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