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De gerente de comunidade a criador de conteúdos para Internet, é bem possível alcançar o sonho
O sonho de trabalhar com games parece permear o imaginário de qualquer pessoa minimamente simpatizante a eles: um engenheiro que joga casualmente, uma professora que curte com a família, um jogador que acompanha o mercado desde a infância, um advogado que deseja largar o juridiquês. Casuais, hardcore, tanto faz.
O primeiro e mais palpável caminho, hoje democratizado e pulverizado mundialmente, é a criação de conteúdo, seja pela via do jornalismo ou pela rota autônoma, uma vez que qualquer um pode, sem dificuldades, abrir canal no YouTube, Twitch, criar um blog, gravar um podcast etc.
Ao escolher o campo da comunicação, envolvendo ou não conhecimento acadêmico, muitos miram a redação de games, ambiente que, em escala global, sofreu grande enxugamento nos últimos anos – especialmente hoje, em que o mundo é um grande home office conectado. Mas, ao olhar para fora da caixa, viver de games não se restringe a isso.

Pensando fora do espectro redação, podcast ou canal no YouTube, quando falamos em trabalhar com games, automaticamente visualizamos as esferas em comum, acima citadas: ter um canal com milhões de inscritos, um podcast consolidado, publicação de textos em larga escala, publicidade garantida, hype em redes sociais.
Ainda na cúpula da comunicação temos, por exemplo, o setor de Relações Públicas, no qual também atuo hoje. Exercer esse ofício, classificado como “PR”, isto é, “Public Relations”, em inglês, significa gerir a imagem da empresa, trabalhar do “outro lado do balcão”, criar relacionamentos e atuar junto aos jornalistas/criadores de conteúdo enviando cópias de jogos a partes interessadas, convites para eventos, traçando um planejamento estratégico etc.
Em contraste a isso, temos as mídias sociais, que também representam um segmento próprio de trabalho, por meio das quais conteúdos específicos podem ser capazes de engajar os fãs de uma marca e aqueles que ainda a desconhecem. Existe um departamento responsável por essa atividade, terceirizada ou não; pessoas que criam táticas para isso acontecer. A internet é retroalimentada por informações a todo momento, e os agentes de mídias sociais são responsáveis por mediar, filtrar e aplicar isso tudo no dia a dia.

Numa ramificação diferente, temos o mercado de dublagem, que cresce exponencialmente no país – já que os games explodem em proporção e, consequentemente, criam uma demanda maior de acesso.
Não existe um pé no freio nessa indústria vital; o Brasil sente os reflexos disso em diferentes campos. Se você gosta da ideia de dar vida aos personagens de games, considere a dublagem uma valiosa opção. É necessário, cabe ressaltar, ter DRT (Delegacia Regional de Trabalho) de artista para atuar profissionalmente nesse mercado.
Esse documento é obtido ao término de um curso de teatro profissionalizante; é a chancela de que você apresentou peças, passou por testes e provações que atestam sua habilidade artística. Lembre-se de que arte não é uma ciência exata e que isso requer tempo, dedicação e disciplina, como qualquer outra profissão.

Atuar como apresentador(a) é outra alternativa. Há demanda para conduzir eventos ao vivo – hoje, virtualmente, e no mundo não pandêmico, nos palcos. Tenha em mente que, nesse processo, deveras prazeroso, a dicção precisa estar em dia. Considere consultar um(a) fonoaudiólogo(a), se for o caso. Eu fiz isso por quase um ano e só tive ganhos na minha vida, bem como o teatro – me expresso melhor, me sinto melhor, gerencio o fôlego melhor.
Treinar a dicção é permitir que sua fala faça “academia”, que ela se exercite, que você bote as pronúncias e articulações da boca em prática. Quando essa pandemia acabar, e esse dia vai chegar, os eventos presenciais devem voltar a acontecer (saudades, Brasil Game Show!), e o trabalho de palco, conforme mencionado, é uma saudosa opção também.
Tradução, para quem gosta de inglês, também é uma área em expansão no Brasil, especialmente porque testemunhamos um número cada vez maior de jogos sendo lançados e, muitas vezes, completamente localizados, isto é, com vozes e textos em português.

Já pensou adaptar todas aquelas gírias e expressões gringas ao nosso idioma dentro de um jogo? “Tem caroço nesse angu” e “Salve, mano” são patrimônios do linguajar brasileiro. É um mercado. E, claro, fica o reforço: saber inglês é fundamental em todo o processo, qualquer que seja a área, ok?
Publishers como Ubisoft e Warner têm ampla presença no Brasil, com escritórios físicos e equipes divididas em diferentes forças de trabalho. Adeptos de marketing podem e devem mapear essas oportunidades, que vivem brotando e rebrotando na internet.
Já no campo corporativo, telecom e nuvem são dois setores que, aos poucos, conversam intimamente com os games – vide o 5G e o crescimento dos jogos mobile, por exemplo, como grandes portas de entrada a esse mundo.

Gerente de comunidade – ou Community Manager, como você preferir – é o/a responsável por responder a uma determinada fanbase de um jogo/franquia, atuando na linha de frente das redes sociais e se envolvendo em inúmeras estratégias de engajamento – alguns migram até para a produção de jogos e executam tarefas do cume do panteão.
…Ou viver de games pode simplesmente ser um estado de espírito. Uma cultura que você adota, uma atividade que você respira, um prazer que se materializa. Independente de sua escolha, lembre-se deste conselho fundamental: não se pressione. Curta cada momento.
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