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Mais de 155 milhões de cópias vendidas, faturamento acima de US$ 1 bi e presença constante no ranking de mais vendidos: quando GTA 5 vai perder o fôlego?
Das lendas que existem nos games, conseguimos contar com os dedos das mãos aquelas que sobreviveram à prova do tempo e perduraram em vendas – no topo – por um longo período. No caso de GTA 5, estamos falando de quase uma década ostentando o luxo, o garbo e a fama.
Quando divulga seus relatórios fiscais, a Take-Two raramente surpreende: o título da Rockstar bate ponto nas metas orçamentárias, contemplando, hoje, a lendária marca de mais de 155 milhões de unidades comercializadas mundo afora, entre canais digitais e lojas físicas, considerando todas as plataformas para as quais foi lançado – que agora em março, aliás, vão aumentar, já que PS5 e Xbox Series X|S receberão o game.
De acordo com a Take-Two, nada menos que 1 bilhão de dólares, para dizer o mínimo, foi gerado em receita. Combinado a isso temos GTA Online, cujas microtransações rodam a conta bancária dos executivos como “dinheiro em árvore”, ou, em outras palavras, grana infinita.

Uma fonte lucrativa é uma fonte que jamais pode secar, obviamente, aos olhos do mercado e das pessoas envolvidas na publicação do jogo, e agora que teremos a “separação” de GTA 5 e GTA Online – uma vez que este será lançado como um produto à parte –, a pergunta cabalística é: existe data de validade para o jogo perder fôlego?
Certas coisas não se explicam ao caírem na febre do público, entrando num looping de popularidade que pode ser curto, médio ou duradouro, mas quando há um racional por trás disso, do ponto de vista criativo, conseguimos analisar de forma um pouco mais científica um fenômeno como GTA 5.
Além da história magnífica e lotada de sátiras, na dose crítica que os irmãos Sam e Dan Houser (fundadores da Rockstar) gostam de aplicar, GTA 5 ampliou Los Santos exponencialmente em relação ao que GTA San Andreas, outra lenda da franquia, já havia feito (brilhantemente, diga-se).

A cidade, uma réplica de Los Angeles, é absolutamente fiel à geografia do mundo real, reta e curvilínea, hilária e receptiva, praiana e urbana. Quem já viajou a Los Angeles sabe que lá é uma cidade que não necessariamente agrada todo mundo, mas resguarda seu próprio charme se explorada do jeito certo – na vida real e no jogo.
Some a isso uma área periférica enorme, com toques rurais, nos entornos da região principal, em Los Angeles County, e você tem, basicamente, um imenso playground de tiro, porrada e bomba. Aí plante essa ideia no imaginário daquele jogador que pensava: “Cara, já pensou se desse pra conectar com os amigos num ambiente online, nessa cidade, com essa grandeza, e sair destruindo tudo juntos?”. Pois a Rockstar atendeu exatamente esse anseio.
GTA Online foi lançado ligeiramente após a campanha, lá em 2013, e teve rápida aceitação entre os fãs, que enxergaram ali o parque de diversões perfeito para o caos generalizado junto aos amigos – mas um caos com estratégia, personagens, missões, customização, personalidade e consistência em atualizações. Em outras palavras: um caos com muito conteúdo.

Os marketeiros costumam dizer que “conteúdo é rei”, e não é por menos: GTA Online se divide em inúmeras temporadas e temperou seu mundo com atualizações que trouxeram diferentes camadas à experiência, desde a compra de propriedades até os almejados assaltos a banco, que são planejados e executados em equipe numa escala cinematográfica.
Quem quiser jogar sozinho, aliás, consegue se divertir à beça também – justamente porque as missões foram criadas com a seriedade de um single-player, com direito a cut-scenes, introdução de novos personagens, objetivos complexos, recompensas fartas e mais.
A ideia de ter uma “vida online” de GTA rapidamente fez a Rockstar investir toda sua infraestrutura ali – e, até agora, GTA Online está atrelado a GTA 5, diferentemente de Red Dead Online, que é um produto separado de Red Dead Redemption 2.

Com a chegada de GTA 5 aos consoles de nova geração agora em março de 2022, a Rockstar quer implementar uma iniciativa diferente: GTA Online vai, enfim, caminhar com as próprias pernas, sendo lançado como um jogo avulso, isto é, que não obriga o jogador a ter GTA 5.
Certamente veremos uma queda nas vendas de GTA 5 isoladamente, mas o efeito decrescente vai demorar um bocado para gerar impacto negativo aos cofres da Rockstar. Ela assumiu que GTA Online pode ser algo “infinito”, diferentemente de GTA 5, e por isso colocou os dois em rotas separadas. Com isso, o estúdio consegue dedicar uma força-tarefa só ao multiplayer para, enfim, tirar GTA 6 do papel.
Aproveitando a popularidade que GTA 5 adquiriu no finzinho da geração PS3/Xbox 360, a Rockstar, obviamente, surfou na onda: ela anunciou o título ao PS4 e ao Xbox One numa E3, com toda a pompa que o evento tem, dando um ar de “relançamento” ao jogo, em caráter definitivo, estratégia que ela agora vai repetir no PS5 e no Series X|S (tirando a E3 e adicionando uma pandemia à equação).
O que se extrai disso tudo é consistência. É a manutenção de um motor que não envelhece, a estratégia de conteúdo no online e, consequentemente, a máquina de dinheiro que isso gera para a equipe, que depois reaplicará um montante da receita em novos conteúdos.
Portanto, é cíclico. GTA Online ganhou uma rotação tão forte, tão característica e tão regular que agora, em 2022, quase uma década após ter aberto suas portas ao mundo, vai desatar seu vínculo com GTA 5 – e a avalanche de conteúdo só deve aumentar.
Com base nos últimos anos e na mudança de modelo que o mercado está desenhando para a atual década, as vendas de GTA 5 devem arrefecer, mas GTA Online ainda vai colher muitos frutos das sementes que plantou ao longo do tempo.
Novamente: conteúdo é rei e vice-versa.
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