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Uncharted: Fora do Mapa é leve, divertido e uma ótima “sessão da tarde”

Tom Holland convence como Nathan Drake e Sony entrega uma aventura divertida

por Raphael Batista
Uncharted: Fora do Mapa é leve, divertido e uma ótima

Filmes adaptados de jogos sempre geram desconfiança. Afinal, é um baita desafio conciliar a experiência de 10 ou 15 horas em que o expectador é ativo para um longa-metragem de, no máximo duas horas e meia em que apenas assistimos aos eventos. São formatos diferentes e, por isso, nem sempre dão certo – como o último Resident Evil.

Contudo, Uncharted: Fora do Mapa consegue cumprir o papel de apresentar uma boa adaptação. Não era uma tarefa difícil porque a franquia da Naughty Dog era a receita ideal para os cinemas: cenas de ação, um personagem carismático e uma aventura cheia de perigos. A Sony Pictures identificou a essência e apresentou de forma leve e divertida como um bom entretenimento.

Obviamente, nós não somos especialistas em fazer críticas de filmes. Porém, à convite da Sony Pictures, nós participamos de uma sessão de Uncharted: Fora do Mapa e saímos contentes com o resultado. É um ótimo filme para relaxar na poltrona, de casa ou do cinema, comer uma pipoca, dar risada dos personagens e se envolver nas cenas de ação. Nada épico ou memorável, mas o suficiente para valer o ingresso.

Nathan Drake, a estrela

É impossível não falar de Nathan Drake quando o assunto é Uncharted. Quem ficou responsável por interpretar o ladrão de tesouros é o astro Tom Holland e, de início, é ainda difícil aceitar a escolha. Talvez por causa da ligação automática que os fãs fazem com Spider-Man. Contudo, fique tranquilo! Nas primeiras cenas já é possível desvincular o ator do herói da Marvel justamente pela forma que ele mesmo interpreta.

Nathan é o jovem malandro, sempre utilizando do humor para se livrar de situações tensas e buscando ganhar o tempo todo. Holland entendeu isso e a interpretação é bastante positiva durante toda a trama. A narrativa não exige muito do ator, mas ele consegue desvincular a imagem prévia de um adolescente para encarnar o estilo Nathan Drake.

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A química entre os dois protagonistas é muito boa!

Falando sobre o enredo, o longa adapta basicamente vários momentos de Uncharted 4: A Thief’s End, mas os insere em uma jornada de origem do ladrão de tesouros. Nathan e Sully vão atrás de pilhas de ouro, mas como não se conhecem, eles desconfiam um do outro constantemente. “Não há honra entre ladrões”, é a frase central da trama, dos diálogos e de todos os personagens.

Por isso, o roteiro fica muito previsível. Você já sabe o que vai acontecer, como vai acontecer e os resultados. Por isso, não espere ser surpreendido porque a aventura é bastante linear. No entanto, você se permite ser levado porque o carisma de todos são positivos – Mark Wahlberg como Victor Sullivan rouba a cena sempre e Sophia Taylor Alli como Chloe Frazer manda muito bem!

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Essa é a história de como Nathan e Chloe se conhecem

Investimento alto

Além das estrelas, a Sony apostou pesado nos efeitos visuais. Numa sala IMAX, os cenários paradisíacos ganham vida e os momentos de ação não decepcionam. A icônica – e talvez, saturada – cena do avião é realmente muito boa e deixa as mãos suadas de apreensão. Claro que esses momentos exagerados são a lá estilo Velozes e Furiosos de “cenas mentirosas”, porém, convenhamos, estamos falando da adaptação de um videogame, então verocidade não é lá um assunto adequado para esse momento.

Chama atenção como o filme se inspira em Indiana Jones, A Lenda do Tesouro Perdido e outras aventuras do gênero porque brinca com as ideias dos mistérios, lugares distantes que escondem tesouros riquíssimos e quebra-cabeças capazes de, literalmente, arrancar a cabeça dos personagens.  Embora os momentos de puzzles sejam bastante simplórios e rápidos no cinema, as cenas de ação compensam porque acontecem em quase todo momento.

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Faltou dar uma importância maior aos puzzles e mistérios

Por outro lado, quando as cenas mais movimentadas não acontecem, os diálogos não são muito envolventes. Basicamente, os personagens são os mesmos do início ao fim – exceto Sully. Talvez essa seja a impressão de quem cresceu jogando a franquia Uncharted, mas apenas reforça o fato do filme não estar preocupado em desenvolver os heróis, mas sim, divertir o público com um bom entretenimento.

Os problemas de uma adaptação

Direto ao ponto, Uncharted: Fora do Mapa não tem um vilão marcante. É uma pena, porque havia um potencial interessante entre os antagonistas, mas as decisões de plot twist aconteceram já nos momentos finais do filme, não dando tempo de criar uma sensação de perigo melhor.

O problema das adaptações é justamente o pouco tempo para criar uma experiência capaz de replicar os sentimentos da obra original. Uncharted 4 é épico e magistral, por isso, suas referências remetiam diretamente ao game que causa nostalgia ao público que assiste. É um título que sempre será assunto de conversa entre os fãs, enquanto o filme não tem a mesma premissa de entregar algo tão grande.

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Antonio Banderas não desempenha um bom vilão

Uncharted: Fora do Mapa: vale a pena?

Após os problemas de produção como as várias trocas de diretores e a desconfiança natural da comunidade, Uncharted: Fora do Mapa vai contra todas as apostas e faz uma boa estreia! É um filme divertido, ideal para ver com a família ou com uma galera que quer entretenimento. Não é memorável ou épico, nem fará parte dos assuntos até final do ano, mas será um bom passatempo que valerá a companhia, o ingresso e a experiência.

Além disso, é uma boa porta de entrada para a PlayStation Productions. O estúdio mostrou suas habilidades para o mundo com uma aventura gostosa de acompanhar e, agora, cria-se mais expectativas para as próximas adaptações. Se todas elas seguirem o mesmo ritmo de Uncharted, veremos uma boa sofra de adaptações dos videogames nas telonas.

Veredito

Uncharted - Fora do Mapa
Uncharted - Fora do Mapa

Sistema:

Desenvolvedor: Sony Pictures

Jogadores:

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80 Ranking geral de 100
Vantagens
  • Boas cenas de ação
  • Personagens carismáticos
  • Tom Holland convence como Nathan Drake
  • Humor equilibrado
  • Uma representação fidedigna do universo da Naughty Dog
Desvantagens
  • Vilões pouco causam impacto
  • Roteiro previsível
  • Diálogos superficiais
Raphael Batista
Raphael Batista
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Jogando agora: Elden Ring
Estudante de Teologia e apaixonado por PlayStation desde sempre. Jogos preferidos são The Witcher 3, Metal Gear Solid, God of War e Marvel's Spider-Man.