Skull and Bones: vale a pena?
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Skull and Bones: vale a pena?

Skull and Bones até diverte, mas falha em proporcionar a verdadeira experiência pirata tão sonhada

por Vinícius Paráboa

Skull and Bones tem uma história bastante longa… de desenvolvimento. Pensado inicialmente como um DLC para Assassin’s Creed IV: Black Flag lá em 2013, logo se transformou em um game próprio. O problema vem a partir daí: após vários adiamentos, o jogo só saiu 11 anos depois, sem conseguir carregar o legado do Capitão Edward Kenway.

Nem tudo é ruim, é verdade. O game diverte e até vicia, nas primeiras horas. Batalhar contra outros navios, saquear vilarejos, coletar recursos e explorar o mundo aberto baseado no Oceano Índico é surpreendentemente imersivo.

Por outro lado, Skull and Bones carece de mecânicas que tornariam a experiência ainda mais profunda. Não só isso, mas há momentos em que as mecânicas existentes evidenciam uma necessidade de melhorias.

História para jogar no fundo do mar

Antes de falarmos sobre a história do game, é importante frisar: esse não é nem de longe o foco de Skull and Bones. A campanha existe muito mais para guiar o jogador em sua jornada do que engajá-lo em uma narrativa.

O game começa com seu personagem, um pirata subordinado que trabalha em um grande navio, posteriormente afundado por uma frota naval francesa. Sobrevivente do naufrágio, ele obtém um dhow (pequeno barco à vela) e parte para Sainte Anne, uma ilha de piratas.

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Todo pirata começa por baixo (Foto: Vinícius Paráboa)

Por lá, o seu personagem conhece NPCs dos mais variados — carpinteiros, mercantes, ferreiros, etc. — e o chefe do local: o Capitão John Scurlock. É com ele que ocorre a maioria dos diálogos, principalmente por ser o responsável em te dar missões.

As conversas com Scurlock e outros NPCs são extremamente genéricas e facilmente esquecíveis. O jogo até te dá opções do que falar em meio a esses momentos, mas, não há nenhum resultado diferente em escolher “Fala A” ou “Fala B” — mais um motivo para basicamente minar com a paciência do jogador, que só quer partir para a ação no mar.

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John Scurlock é um guia para o jogador na campanha (Foto: Vinícius Paráboa)

Skull and Bones não tenta ser Assassin’s Creed IV: Black Flag, mas a comparação é inevitável

Um dos problemas de Skull and Bones não é nem culpa do jogo em si. Como dito no início dessa análise, o game foi inicialmente pensado como um DLC de Assassin’s Creed IV: Black Flag, até evoluir para algo diferente. No entanto, a comparação se torna inevitável.

O novo título da Ubisoft Singapore é um simulador de batalha naval, com estrutura de um jogo como serviço (GaaS) — ou seja, microtransações se fazem presentes. Em outras palavras, o foco principal da experiência é a guerra entre navios, onde deve-se afundar o inimigo no fundo do mar (ou abordá-lo em uma espécie de captura) para alcançar seus objetivos.

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(Foto: Vinícius Paráboa)

A proposta é bem executada: o jogador faz missões de campanha e secundárias, obtém diagramas e, com eles, constrói navios melhores e armas mais avançadas. Dessa forma, seu nível sobe e fica mais fácil enfrentar adversários mais poderosos ou aceitar quests mais difíceis.

Nas horas iniciais, tudo é viciante. As missões normalmente te fazem ir de ponto A a B, para afundar um barco, visitar uma ilha ou guerrear contra um vilarejo. Assim, se consegue saques, que enchem seus bolsos e servem para melhorar seu status como um pirata.

No entanto, conforme o jogo avança, essa fórmula passa a se tornar bastante repetitiva, principalmente pelo grind excessivo e pesado. Claro, os itens que se obtêm são diferentes, conforme o jogador visita áreas mais avançadas do mapa do Oceano Índico, mas, no fim, é basicamente a mesma coisa.

E é aí que a comparação com Black Flag, jogo também da Ubisoft, vem à tona. Naquele game, o jogador tinha acesso a mecânicas que se fazem essenciais para uma experiência pirata: é possível nadar, abordar um navio resulta na invasão do convés inimigo, combate corpo a corpo (com espadas e armas de fogo)… nada disso aparece em Skull and Bones.

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Abordagem é uma simples animação que lhe concede itens bônus (Foto: Vinícius Paráboa)

Calma: é bastante injusto afirmar que Skull and Bones deveria ter todas essas coisas, afinal, trata-se de um simulador de batalha naval (muito mais à lá World of Warships do que Black Flag). Entretanto, seu conceito inicial (ter sido formado em cima do jogo protagonizado por Edward Kenway) foi uma das ideias vendidas pela Ubi ao longo dos anos. Assim, a ausência desses recursos causa, sim, estranheza.

Vento no litoral

Se tem uma coisa que Skull and Bones merece aplausos é nas suas principais partes: a navegação e o combate. Abaixar a vela e deixar o vento te levar pelo oceano é extremamente agradável e relaxante. Tudo fica melhor com os cânticos dos marujos, que embalam a trilha sonora com faixas como “Drunken Sailor”, “Fish in the Sea”, “Homeward Bound” e “Bully in the Alley” — todas presentes em Assassin’s Creed IV.

Aliás, vale mencionar as mecânicas de navegação. A principal é o vento, que sopra em várias direções distintas. A depender da posição da sua vela, isso pode ser favorável à embarcação, ao fazê-la ganhar velocidade, ou ruim, pois a desacelera.

O jogador consegue abrir parte das velas, para se locomover lentamente, ou abaixá-las totalmente, para ir mais rápido. Só há um porém: se movimentar depressa consome vigor, e seus tripulantes precisarão recuperá-lo, uma vez que a barra se esgote. É aí que entram as comidas e a água. Cozinhar e beber oferecem buffs importantes, como aumento de estamina, defesa, velocidade, etc.

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(Foto: Vinícius Paráboa)

Destas mecânicas, apenas a do vento realmente agrada. Comida, água e vigor até funcionam, mas irritam em determinado ponto — te fazendo optar em pagar umas moedas de prata extras para usar a viagem rápida em vários momentos.

Quanto ao combate, a Ubisoft Singapore também caprichou. Há uma variedade interessante de navios — todos com propriedades diferentes. O dhow serve para caçar animais marítimos, o Bedar é rápido e pode causar grande dano com seu aríete, o Hulk é um tanque com muita vida, e por aí vai.

Equipar os canhões corretos também é importante. Cada navio tem espaços para armamentos (a quantidade a equipar depende de cada um deles), onde é necessário entender se você vai preferir atirar de perto com semicanhões ou ficar bem longe dos seus adversários e castigá-los com o morteiro.

As batalhas em si são bem divertidas: posicionar sua embarcação na posição do vento, escapar das balas inimigas ou disparar as suas… tudo funciona muito bem. O jogador pode se defender com o R1 ou disparar canhões com o R2 — a câmera precisa estar apontada a estibordo, bombordo, proa ou popa para utilizar a arma equipada na área escolhida.

Gráficos navais agradam, mas NPCs são mais feios que o Barba Negra

Em aspectos técnicos, Skull and Bones em divide em dois rios: seus gráficos durante a exploração agradam, porém, os NPCs poderiam passar em um salão de beleza.

Ao subir em seu navio, o jogador contempla belas paisagens marítimas, especialmente quando posiciona sua câmera em cima do mastro. A iluminação e as ondas merecem um destaque adicional, mas, por outro lado, os visuais terrestres, onde se encontram vilarejos e árvores, podem ser um tanto ruins.

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Paisagens marítimas são de admirar (Foto: Vinícius Paráboa)

Ruim também são as aparências dos personagens. Cada NPC parece ser feito de borracha, sendo perceptível observar pixels (pequenos pontos) em seus cabelos e barbas. Este é um velho problema da Ubisoft, que parece não conseguir dar beleza a seus personagens.

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Infelizmente, os personagens parecem pouco inspirados (Foto: Vinícius Paráboa)

Skull and Bones: vale a pena?

No que Skull and Bones se propõe a fazer, ele funciona. Um jogo de batalha naval, que diverte e traz certa nostalgia dos tempos de Assassin’s Creed IV: Black Flag. No entanto, sua ligação inevitável com o game de 2013 faz sua âncora abaixar demais seu nível, pois o jogador esperava algo diferente.

Dito isso, se o jogador tiver consciência da proposta, aqui existe um produto decente. Entretanto, vale as ressalvas: os gráficos estranhos dos personagens, o grind excessivo e a repetição podem pesar contra. Além disso, não dá para considerá-lo um game “AAAA”, como o CEO da Ubisoft, Yves Guillemot, o definiu.

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(Foto: Vinícius Paráboa)

Outra ressalva é o endgame, praticamente nulo neste momento: ao chegar no nível 10, basicamente não há mais o que fazer. Mas vale mencionar que a editora francesa já garantiu um primeiro ano recheado de conteúdo, com quatro temporadas — a primeira chega já nesta terça-feira (27).

Pelo menos por enquanto, Skull and Bones mais “anda na prancha” do que enche os bolsos de prata. No entanto, o sol no horizonte do jogo ainda pode brilhar.

Veredito

Skull and Bones
Skull and Bones

Sistema: PlayStation 5

Desenvolvedor: Ubisoft Singapore

Jogadores: 1-3

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65 Ranking geral de 100
Vantagens
  • Batalhas navais divertidas
  • Cânticos do mar são muito legais
  • Imersão garantida
Desvantagens
  • NPCs extremamente feios
  • Mecânicas de navegação podem irritar
  • Extremamente repetitivo
  • Grind pesado
  • Não consegue carregar o legado de Assassin's Creed IV: Black Flag
  • Conteúdo endgame muito pobre (por enquanto)
Vinícius Paráboa
Vinícius Paráboa
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Jogando agora: Final Fantasy VII Rebirth, A Plague Tale: Requiem, Dragon's Dogma 2
Editor no MeuPlayStation. Fanático por Crash Bandicoot, God of War e pelo Grêmio.