Jogo
NBA 2K21
NBA 2K21 é mais um daqueles casos de jogos de esporte que avisaram, de antemão, que não iriam mudar muita coisa ainda nessa geração para focar na próxima. E é verdade. Quem bate o olho no game rodando num PS4 só consegue diferenciá-lo de NBA 2K20 nos menus, que têm uma nova identidade visual. In-game, sinceramente, é basicamente a mesma coisa.
Só que tem uma mudança, que deveria ser pequena, mas está dando o que falar. Um novo sistema de arremessos. Há quem defenda, há quem critique (com a maioria na segunda opção, inclusive o astro da capa do jogo, Damian Lillard). Já teve até hotfix para tentar fazer o público se acalmar – dias depois do produtor dizer que isso não aconteceria.
E o fato é: nunca a jogabilidade de um jogo da série foi tão polêmica quanto em NBA 2K21.
Os lados da polêmica são simples: quem diz que o novo sistema foi feito para ser difícil e criar uma skill gap entre os jogadores, e os que acreditam que ele está quebrado – punindo bem mais do que deveria. Pelo que testei, como um jogador casual, tendo a concordar com os “reclamões”.

A dificuldade é bem-vinda, até porque em NBA 2K20, muita gente abusava, principalmente de arremessos de três pontos “surreais”, mas parece que a 2K Sports “pesou a mão” demais. Para acertar um arremesso sem que o release seja excelente, está praticamente impossível. Principalmente em mid-range e pra três, mas as vezes até em bandejas.
Os arremessos wide open, ou seja, sem marcação, deveriam sofrer menos com a “punição” por não acertar o momento exato de soltar o botão. Em lances em que você está marcado, tudo bem dificultar mais, porém após fazer a jogada e ter um bom arremesso, um slightly early ou slightly late não deveria ser tão ruim.

Obviamente, tudo depende do atleta virtual que você está usando e das badges que ele tem, mas mesmo assim, não é fácil. Até mesmo ao jogar com times especialistas de bolas longas, como o histórico Golden State Warriors de 2015, você vai errar muitos arremessos. Vai ser necessário treinar à exaustão para ficar bom – o que pode afastar o público mais casual.
A 2K Sports, apesar de seu produtor Ronnie 2K ter dito que manteria o “skill gap”, lançou um patch que fez com que as coisas ficassem um pouco mais fáceis – mas só nos níveis iniciais, até o “Pro”. É interessante, porém não soluciona tudo, pois esses níveis são básicos e, com o arremesso “voltando ao normal”, as partidas ficam extremamente fáceis. Ou seja, ficou um “8 ou 80”.
No online, então, “esquece”. Para nós, brasileiros, que não temos servidores na região e normalmente enfrentamos jogadores de fora, fica ainda mais complicado. A conectividade sempre deixou a experiência multiplayer via web em NBA 2K abaixo da média, e com NBA 2K21 não é diferente.

Mas isso não chega a ser novidade, né? Assim como todo o resto de NBA 2K21. O modo MyTeam ainda é o mais viciante, MyCareer tem aquela pegada de filminho interativo com o desenvolvimento do seu jogador, que depois que entra pra NBA, pode seguir a carreira pela Liga mesmo ou ficar jogando online e aproveitando a Neighborhood, que agora tem até praia…
No MyGM, algumas novidades interessantes merecem destaque: mais cutscenes, uma skill tree para o seu GM e níveis de dificuldade e personalização diferentes. Fora isso, ainda há a possibilidade de criar a sua própria liga, jogar uma temporada completa ou só fazer partidas rápidas, seja online ou offline, no estilo da NBA ou no basquete de rua com o Blacktop. Nada de relevante mudou nesse sentido.

Modos de jogo, gráficos, ambientação, trilha sonora, movimentos dos jogadores e fidelidade às características deles na vida real… Tudo segue o “padrão 2K de qualidade” pra geração. Infelizmente, inclusive, as microtransações. Tudo gira em torno de VCs, o que não parece estar no horizonte para ser alterado.
Ou seja, é um ótimo jogo de basquete. Tão bom que, nos últimos anos, fez NBA Live, da EA Sports “ir e voltar” do mercado por algumas vezes – e não ser mais lançado desde NBA Live 19. NBA 2K fez uma enterrada daquelas que viram pôster no seu concorrente e isso só foi possível porque, realmente, a franquia deu um salto incrível e tornou-se referência no mercado.

Nada que um sistema de arremessos polêmico ou uma versão pouco inspirada para a atual geração de consoles mude. Mas, obviamente, a expectativa é enorme para ver o que NBA 2K21 será no PlayStation 5. Especialmente pelo teaser espetacular que a companhia apresentou no evento de revelação de jogos do console. O problema é o preço.
NBA 2K21 custa R$ 249,90 na versão standard, que não vem com upgrade para o PS5. A Mamba Forever Edition, única que conta com o benefício, sai por R$ 414,90. Ou seja, por enquanto, é melhor esperar uma promoção – especialmente se você tiver a aquisição do console novo em breve. Provavelmente, vai ser mais barato comprar o jogo só quando ele sair na next-gen mesmo.
Veredito
75
Data de lançamento
4 de Setembro de 2020
Desenvolvedor
2K Sports
Consoles
PlayStation 4
Jogadores
1 jogador
Veredito
75
Jogo
NBA 2K21