Jogo
Flintlock: The Siege of Dawn
A moda criada pela franquia Dark Souls parece que ainda tem muita lenha para queimar. Agora, mais um membro se junta à essa equipe, trazendo um mix de elementos muito familiares para quem curte os títulos mais consolidados do gênero.
Sim, estamos falando de Flintlock: The Siege of Dawn, RPG de ação dos criadores de Ashen. O título chegará às plataformas de nova geração e ao PC nas próximas horas e vem tendo certo destaque nas redes sociais por possuir um marketing agressivo.
Mas será que essas apostas altas fazem jus à desafiadora aventura de Nor Vanek e Enki? Confira nossa análise completa logo abaixo e descubra se o game de ação é ou não feito para você.
Um evento inesperado abre a porta do Mundo Inferior e espalha hordas de mortos vivos por todas as terras de Kian. Liderados pelos deuses, eles ameaçam não apenas a humanidade, mas a Cidade do Amanhecer, que guarda segredos preservados pelo legado.
Assim, uma coalizão liderada por bravos guerreiros se reúne para expulsar as criaturas e fechar de vez o portal. Porém, esse combo inclui um trio de poderosos deuses, que precisam ser combatidos por meio da vingança, da pólvora, da magia e do aço.

Com uma profunda mágoa, Nor Vanek assume a linha de frente e toma partido para fazer justiça aos seus companheiros de batalha perdidos. É então que ela forja uma aliança com um ser improvável: a raposa Enki, que promete ajudá-la nessa dura jornada.
Agora, a dupla precisa trabalhar em união, enquanto obtém conhecimentos sobre o mundo e aprimora habilidades de combate e de travessia. Se isso será o suficiente para expulsar as entidades de suas terras, apenas o tempo poderá responder.

Flintlock: The Siege of Dawn é um RPG de ação com elementos de soulslike, desenvolvido pela A44 Games. Exclusivo de consoles de nova geração e PC, o título traz um mundo semiaberto, com gameplay baseado em formação de builds.
Entre esses elementos, estão: inimigos ressuscitando depois de descansar em acampamentos, Reputação recuperável após a morte e mitologia baseada em itens do mundo.

O título também tem foco narrativo, com localização em português do Brasil para legendas e menus. Infelizmente, a quase total ausência de CGIs e de animações dinâmicas prejudica o desenvolvimento da história e deixa a campanha muito estática.
Aqui, há alguns aspectos elogiáveis, como as ótimas interações entre Nor e Enki, o áudio em 3D para dublagem e visuais de cenários ambientais bem realizados. Porém, as frustrações começam a aparecer quando se aprofundam no gênero proposto para a jogabilidade.
Fãs de RPGs de ação devem baixar muito as expectativas para Flintlock: The Siege of Dawn. O jogo possui vários problemas técnicos e de conceito, deixando a experiência bastante superficial e com poucos estímulos.
Nos termos do combate, há apenas um botão para ataque físico e uma quantidade insuficiente de lâminas e de martelos. Cada equipamento possui propriedades exclusivas e que podem ser utilizadas em diversas circunstâncias, mas sem brilho.

Entre as vantagens, estão: melhorias no ganho de Reputação (XP, almas ou como assim entender), quebra de armadura, dano elemental de fogo, atordoamento, preparação para marca da morte e mais.
Enquanto isso, há armas de fogo com mira automática e manual (munições limitadas, mas recarregáveis via cooldown) e um comando para atacar com Enki. A raposa é ativada para “preparar” inimigos para a morte, enchendo uma barra que aciona um golpe fatal.

Além disso, a protagonista de Flintlock: The Siege of Dawn se esquiva, salta, rola, defende e dá parry. Equipamentos de ombro, braços e cabeça permitem que ela resista um pouco mais na batalha, mas com uma variedade de efeitos únicos pouco eficazes.
Esses equipamentos são prejudicados por uma exploração bastante rasa. Os saltos e o transporte rápidos pelas fendas favorecem o alcance de áreas muito verticais, mas as recompensas escondidas em diversas áreas de difícil acesso não valem o esforço.

Nor também pode aprimorar suas vantagens por meio de uma árvore de habilidades. Apesar disso, elas se restringem praticamente benefícios adicionais e relativamente úteis, não a melhorias de atributos como ataque, defesa e mais.
Por fim, Flintlock: The Siege of Dawn não possui barra de vigor e todas as ações defensivas são praticamente ilimitadas. A defesa não gera redução de dano tomado e absorve tudo, mas há ataques indefensáveis, sinalizados por um ponto avermelhado.

Esse é um resumo completo da jogabilidade, que mantém um loop cansativo durante toda a campanha. O gameplay é muito prejudicado pela repetição abusiva de inimigos e pela baixíssima variedade de chefes, que já contam com movesets previsíveis.
Flintlock: The Siege of Dawn também é um jogo bastante fácil e não há necessidade de jogar no menor nível de dificuldade. Com exceção da batalha final, todas as outras lutas podem ser concluídas rapidamente com leves melhorias em equipamentos.
O combate, os visuais de cenário e o sistema de áudio ainda brilham no game, mas são impactados por uma história com péssimo desenvolvimento e encerramento. Concluir a campanha de Flintlock: The Siege of Dawn traz uma forte sensação de “só isso”?

A aventura dele levar de 15 a 20h para ser terminada, se estendendo caso as missões secundárias, coletáveis e minigames (jogo do Sebo) sejam completados. Mas as motivações para isso são baixíssimas e mesmo perder o multiplicador de Reputação não é má notícia.
No geral, Flintlock: The Siege of Dawn é muito simples. A interface acessível e quase copiada de God of War aparenta ser bastante preguiçosa, com espaços em branco para uma certa quantidade de itens mesmo sem haver tudo isso pelo mapa.

O título também possui quedas de FPS constantes. Apesar da resolução satisfatória e da boa integração com os recursos do DualSense, é comum perceber engasgos, popping ambiental e falhas recorrentes na performance.
Infelizmente, Flintlock: The Siege of Dawn exibe inúmeras limitações já nos primeiros minutos. Muitas quedas de FPS, inimigos e chefes extremamente repetitivos, combate com pouco brilho e uma progressão estranha superam qualquer aspecto positivo.
Não há como negar que os ambientes são profundos e ricos em detalhes, enquanto a exploração vertical conversa relativamente bem com o conceito do jogo. Porém, isso se torna meros detalhes em uma aventura excessivamente simples, pouco ousada e inconclusiva.

Nesse estágio e por preço cheio, Flintlock: The Siege of Dawn não é recomendado, em especial se você for fã de soulslike e de RPGs de ação com altos níveis de profundidade. Caso você embarque nessa, há muitas chances de ser apenas uma experiência esquecível.
Na PS Store, o título já está em pré-venda e sai por apenas R$ 199,90 — assinantes PS Plus pagam R$ 179,55 até o dia 18 de julho. Apesar disso, não há custo-benefício que salve e mesmo embutido em um serviço pode ser bastante frustrante.
Flintlock: The Siege of Dawn será lançado em 18 de julho para PS5, Xbox Series e PC.
Veredito
60
Desenvolvedor
A44 Games
Consoles
PlayStation 5
Jogadores
1
Veredito
60
Jogo
Flintlock: The Siege of Dawn