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Dying Light: The Beast

Dying Light: The Beast: vale a pena?

Planejado originalmente como um DLC de Dying Light 2, The Beast acabou aumentando seu escopo e virou uma aventura à parte. Ciente de que o segundo capítulo da série não agradou a todos, a Techland decidiu voltar um pouco às raízes da série para criar uma aventura mais direta e menos restritiva em sua exploração.

Para ajudá-la a atingir esse objetivo, a empresa trouxe de volta o protagonista Kyle Crane, que apareceu no primeiro jogo da série e em sua expansão, The Following. No processo, ela canonizou algumas das conclusões dos títulos anteriores, ao mesmo tempo que transformou um pouco o personagem.

No momento em que Dying Light: The Beast começa, Crane não é mais o novato sonhador que buscava uma cura para a praga zumbi. Agora, ele é um veterano que tem um pouco do DNA das criaturas e passou 13 anos sendo torturado por um cientista cruel conhecido como o Barão. Mas será que essas mudanças funcionam a favor da série?

Dying Light: The Beast é uma busca por vingança brutal

Enquanto os primeiros momentos do jogo acontecem em corredores fechados, ele não demora a nos apresentar ao mundo aberto de Castor Woods. Localizada nos Alpes Suíços, a cidade turística também precisa lidar com seu apocalipse zumbi pessoal. Ele se torna ainda pior graças à proximidade do local com os laboratórios do Barão, que usa a população como parte de seus experimentos.

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Dying Light: The Beast acompanha a busca por vingança de Crane, que deseja alguma compensação pela década que ficou preso. Para conseguir esse objetivo, ele precisa conquistar o apoio de diversos aliados, incluindo algumas figuras que não são exatamente confiáveis.

Isso significa ter que investigar as ações de outra criatura que escapou do laboratório do Barão, relatos de refugiados e missões para obter itens perdidos ou para matar certa quantidade de zumbis. Felizmente, as tarefas centrais do game são bastante diretas em suas propostas, o que ajuda o roteiro a manter sua coerência e senso de urgência.

No entanto, não é possível dizer que tudo funciona. Boa parte da história se centra na busca pelas quimeras, algumas das criaturas mais bizarras e poderosas criadas pelo Barão. Além de serem uma grande ameaça à população civil, elas também guardam dentro de si um DNA especial que Crane pode usar para estimular suas próprias mutações.

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Com os pontos obtidos dessa maneira, podemos expandir o modo Fera do personagem, que, ao ativá-lo, fica temporariamente mais forte, resistente e capaz de realizar ataques poderosos. Em compensação, isso envolve ter que participar de várias batalhas repetitivas, que consistem em bater, se desviar enquanto o inimigo executa alguma animação, e voltar a bater, alternando entre os processos até que a vida do chefe chegue ao fim.

Felizmente, isso não prejudica tanto a conclusão da história, que finalmente unifica toda a narrativa da série. Algumas reviravoltas e traições não são exatamente surpreendentes, mas a Techland merece créditos pela maneira como resolve algumas incongruências de seu universo.

Combate visceral, mas nem sempre necessário

Também depõe muito a favor de Dying Light: The Beast o fato de que ele mantém os fundamentos bem estruturados que definiram a fama da franquia. O parkour, embora seja mais limitado pelos ambientes mais abertos do jogo, continua funcionando excepcionalmente bem, especialmente para uma experiência que acontece em primeira pessoa.

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Enquanto a perspectiva ainda torna um pouco difícil medir certas distâncias, os quebra-cabeças de plataforma do game funcionam bem, e gostaríamos inclusive que eles estivessem um pouco mais presentes. Já o combate é o mais visceral da franquia, dando uma real sensação de peso e impacto para os golpes que acertamos em zumbis.

A variedade de armas é bastante interessante, assim como os sistemas de durabilidade de cada uma. Apesar de o jogo permitir restaurar os equipamentos disponíveis, é possível fazer isso de forma limitada. Ou seja, inevitavelmente você vai ser forçado a experimentar outras opções, já que sua arma favorita não vai durar para sempre.

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Assim, é preciso saber balancear bem o momento certo para usar alguns equipamentos, ou até mesmo quando é melhor só fugir e ignorar as criaturas ao seu redor. O único ponto fraco do jogo são as armas de fogo, que não parecem se encaixar muito bem em uma experiência na qual a furtividade é um foco tão grande.

Elas são excelentes para causar dano, mas, ao mesmo tempo, atraem tantos zumbis e possuem munições tão limitadas que usá-las não vale muito a pena. Assim, as reservamos somente para alguns confrontos específicos que acontecem em áreas mais fechadas e com eventos roteirizados.

Um sistema de evolução desencontrado

Enquanto o loop de gameplay básico de Dying Light: The Beast é competente, seu sistema de evolução parece um tanto deslocado. Isso porque os upgrades disponíveis não somente são reciclagens do que a Techland fez no passado, como também são desbloqueados em ritmo lento — e muitas vezes são pouco recompensadores.

A maior parte dos pontos de experiência do game é oferecida completando missões principais e secundárias. Dado que as tarefas opcionais só começam a aparecer depois de algumas horas, fica a sensação de que estamos jogando “em desvantagem” por uma parte considerável da aventura.

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E, mesmo quando abrimos habilidades mais avançadas, fica a sensação de que elas não valem tanto a pena assim. Quando finalmente abrimos a capacidade de passar correndo por uma multidão de zumbis, ou conseguimos usar as entranhas de criaturas para nos disfarçar, já nos acostumamos tanto a ficar sem essas opções que elas parecem inúteis.

As habilidades de Fera de Dying Light: The Beast passam por uma situação semelhante. Quando finalmente temos controle sobre a ativação da transformação, já passamos por tantas batalhas e confrontos que isso acaba não fazendo tanta diferença quanto poderia parecer em um primeiro momento.

Assim, parece que faltou algum equilíbrio aos sistemas de RPG do jogo, que muitas vezes batem de frente com seu lado mais voltado à ação. Talvez, se a Techland tivesse construído o roteiro da aventura de forma a liberar novos poderes para o protagonista aos poucos, esse seria um problema menor ou até mesmo inexistente.

Para completar, não ajuda nada o fato de que o game tem um salto notável em suas exigências de nível para seus trechos mais avançados. Com isso, as missões ditas opcionais, na verdade, acabam se mostrando obrigatórias para que consigamos chegar ao final da trama.

Dying Light: The Beast não é um jogo de terror, mas…

Assim como afirmamos em nossa prévia do jogo, atestamos que Dying Light: The Beast realmente não é um jogo de terror. No entanto, você pode deixá-lo bastante assustador, especialmente se decidir andar por Castor Woods e seus arredores durante a noite. Nesse período, não somente a visibilidade é muito limitada, como os zumbis se tornam mais fortes e resistentes.

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No entanto, a maior ameaça desse período são as criaturas conhecidas como Voláteis, que trazem poderes especiais e uma grande agressividade. No game, elas são ainda mais temíveis do que em Dying Light 2, reagindo rapidamente a qualquer sinal de luz ou barulho que o jogador faça.

Embora eventualmente seja possível lidar com esses inimigos, eles são um sinônimo de morte nas primeiras horas da aventura. Caso você não esteja próximo de um lugar seguro, é difícil ter uma chance de escapar das criaturas, o que acaba resultando em uma tela de Game Over — pelo menos o carregamento ao save anterior é rápido.

A tensão não é a mesma durante as missões principais de Dying Light: The Beast, que possuem cenas mais roteirizadas e um pouco previsíveis. No entanto, o game sabe construir bem alguns momentos de perseguição que fazem o coração bater mais rápido — muito disso graças ao excelente trabalho de som da Techland, que acompanha uma dublagem muito competente para o português brasileiro.

Dying Light: The Beast vale a pena?

Com uma duração relativamente curta para um jogo de mundo aberto — o que é compreensível, visto que a experiência nasceu como um DLC —, Dying Light: The Beast é bastante competente no que se propõe. Ao mesmo tempo que não acerta em tudo, o game traz um parkour competente, combates viscerais e uma história divertida, mesmo que previsível em alguns momentos.

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Apresentando um bom desempenho mesmo no PlayStation 5 básico (apesar de o modo desempenho ter uma queda notável de resolução), o game é tecnicamente estável — algo que deve ser destacado em meio a uma série de lançamentos recentes um tanto problemáticos. Assim, o único aspecto que chama a atenção negativamente é seu preço.

Enquanto R$ 299 é menos do que é cobrado por um jogo triplo A moderno, o valor não deixa de ser um pouco salgado. Assim, embora a experiência entregue pela Techland seja sólida, você pode preferir esperar por uma promoção para economizar um pouco na hora de conferi-la.

Jogamos Dying Light: The Beast no PS5 básico com um código fornecido pela Techland.

Veredito

80

Ficha Técnica

Desenvolvedor

Techland

Consoles

PlayStation 5

Jogadores

1 Jogador

Vantagens do jogo Dying Light: The Beast

Vantagens

  • Parkour interessante e que funciona bem a maior parte do tempo
  • Combate corpo a corpo brutal
  • Uma ótima dublagem
  • História mais madura e centrada do que a de Dying Light 2
  • Ótimo desempenho mesmo no PS5 básico
Desvantagens do jogo Dying Light: The Beast

Desvantagens

  • Batalhas contra chefes são repetitivas
  • Árvore de evolução pouco desenvolvida
  • Grind exigido nos trechos finais da história
  • As armas de fogo ainda parecem um tanto deslocadas do gameplay
  • Os veículos não são tão interessantes assim, tanto que não mereceram um destaque no texto principal

Veredito

80

capa do jogo Dying Light: The Beast

Jogo

Dying Light: The Beast

Autor

foto do author do artigo Felipe Gugelmin

Felipe Gugelmin

Jornalista

Dedicado à PC Master Race desde 2012, ainda dedica um espaço quentinho no coração ao PlayStation e a qualquer console portátil.

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