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Cult of the Lamb
Cult of the Lamb

Cult of the Lamb: vale a pena?

É normal vermos jogos em que é preciso derrubar um culto lunático em nome do bem. Mas e quando os papéis invertem, e os jogadores são colocados para assumir a gestão desse culto? Isso pode soar estranho no primeiro momento, mas Cult of the Lamb atraiu os olhares da comunidade gamer desde o primeiro momento.

O jogo da Massive Monster e Devolver Digital chamou a atenção porque não é todo dia que se vê personagens fofinhos em uma história tão macabra a ponto de envolver possessões e o gerenciamento de um culto a uma entidade. Ele é direto e não possui rodeios, oferece ao jogador diversão do início ao fim com sua premissa e mecânicas simples.

Tudo isso alinhado ao gameplay viciante, o título é um dos games independentes mais divertidos do ano. Acessível para todo tipo de jogador, desde os mais casuais até para quem gosta de um desafio. É um jogo que vale a pena cada minuto investido!

Antes de entrarmos propriamente na análise, ressaltamos que somente a resposta tátil do DualSense é utilizada no game. O recurso acontece o tempo todo e é até engraçado como o controle vibra para toda situação. Não há uso dos gatilhos adaptáveis.

Redenção ou vingança

As primeiras cenas de Cult of the Lamb explicam todo o roteiro do game. O protagonista, um cordeirinho, é o último de sua espécie e ele foi capturado pelos deuses da Antiga Fé. O ritual de sacrifício fará com que a “Antiga Fé seja preservada”. No entanto, a entidade “Aquele que Espera” – um antigo deus aprisionado –  salva o animal, concede poderes demoníacos e pede para ele matar os quatro deuses da Antiga Fé a fim de libertar os dois de um destino horrível.

Nos primeiros dez minutos, o jogo já apresenta cenários assustadores, criaturas bizarras e uma temática pesada. Essas características, em contraste ao design fofinho do protagonista, cativam o jogador que fica a serviço do Aquele que Espera, mas desenvolve suas próprias pretensões e objetivos. Logo, a jornada se resume em: derrotar os quatro deuses para libertar a antiga divindade ou se rebelar contra todos para criar o seu próprio culto?

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Uma história direta, mas beeeem sombria. Fonte: Raphael Batista.

Cult of the Lamb acerta justamente na história objetiva: derrube os quatro deuses, confronte seu destino e decida o que fazer com seu culto. Isso cria uma identificação com o tema “rebeldia contra as divindades” — como em God of War — por ser um jeito de lutar contra o próprio destino, superar as adversidades e mostrar que cada um é dono da sua própria história. Ainda mais pensando em um cordeirinho, um animal tão indefeso.

Além disso, toda a construção do universo convence, porque há muitas referências religiosas. Por exemplo, existem chefões como Baal, uma deidade bíblica; e Shamura, um deus que lembra muito o Shuma Gorath, entidade do universo Marvel. Esses paralelos ajudam o jogador a criar empatia pelo cordeirinho, que não é mais indefeso e pode definir o rumo da sua história.

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As monstruosidades são bem construídas. Fonte: Raphael Batista.

Animal Crossing do capiroto?

A jogabilidade de Cult of the Lamb se destaca por mesclar dois gêneros: gerenciamento e dungeon crawler. O jogador precisa explorar quatro vezes os quatro reinos diferentes para enfrentar o deus daquela região. Em cada tentativa, o cordeirinho coleta matérias-primas, moedas, conhece NPCs e obtém vários recursos. Ao terminar as expedições – cada uma delas girando em torno de 10 minutos – chega o momento de gerenciar o culto.

Conforme o cordeirinho recruta novos seguidores, as demandas do culto aumentam: é necessário cuidar da alimentação, da higiene, habitação e deixar a fé em alta. Para isso, existem os rituais e sermões na capela, além de outras atividades. Lembre-se: o jogo constantemente mescla o fofinho com o macabro. Então, caso seu culto esteja em uma crise de fé, é possível fazer um Ritual de Sacrifício para invocar o Cthulhu e matar um dos seguidores para os demais orarem mais.

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Saber gerenciar o seu culto é essencial. Fonte: Raphael Batista.

Atividades não faltam no culto. Além de realizar construções específicas, é possível personalizar com decorações e caminhos únicos. Os seguidores ainda fornecem tarefas aleatórias como resgatar um amigo em uma área ou servir um pote de cocô como almoço (sim, é isso mesmo que você leu). Os NPCs também aumentam a gama de afazeres da região, incluindo um minigame de dados bem inteligente e gostoso de jogar.

Infelizmente, o endgame é bem limitado. Após concluir a jornada, não há muito o que fazer pelo culto. Não existem novos desafios ou incentivos para ficar no game. Enquanto a campanha está acontecendo, é impossível se desconectar do jogo, mas após o fim dela, não tem muito conteúdo para descobrir.

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Tudo tem pequenos inícios, inclusive seu poderoso culto. Fonte: Raphael Batista.

Combate divertido e viciante

O segundo elemento cativante de Cult of the Lamb é a jogabilidade. O game se assemelha bastante no estilo de Hades ou The Binding of Isaac. Há quatro reinos, com armadilhas e inimigos específicos — cada um deles oferece minichefes únicos da região. O jogador passa por “salas” que oferecem recursos ou desafios únicos até chegar ao estágio final onde se depara com o boss.

Claro, assim como os games citados, o título da Devolver Digital possui seu aspecto roguelite. Se morrer durante a expedição, você perde os recursos coletados. Porém, uma informação é importante: a dificuldade é bem equilibrada. O game oferece modos de dificuldade (fácil, normal, difícil e muito difícil) sendo que o modo padrão é tranquilo.

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Prepare-se para combates divertidos. Fonte: Raphael Batista.

Há uma boa variedade de armas e poderes — desbloqueados a partir do nível de devoção do culto — e uma grande variedade de inimigos. Os monstrinhos ainda possuem modificadores, como liberam venenos, soltam bolas de fogo e causam explosões.

É bem viciante como os dois aspectos do game dependem entre si. As expedições para coletar dinheiro e seguidores aumenta a devoção do culto enquanto que, em contrapartida, o aumento da fé libera mais armas, poderes e ferramentas para as expedições. Essa mistura é natural e não torna nenhum dos lados cansativos.

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As melhorias funcionam para o gerenciamento e para as expedições. Fonte: Raphael Batista.

Quanto menos, melhor

Ultimamente, um dos principais defeitos dos jogos é inserir muitas mecânicas, muitas atividades e poucas deles serem realmente importantes para a experiência. Porém, tudo demonstrado em Cult of the Lamb tem uma boa utilidade — até mesmo as tarefas secundárias que garantem pontos preciosos para a felicidade do culto.

Neste jogo, o simples não significa simplório. Não existem árvores de habilidades complexas ou vários marcadores para você desvendar. Há uma aventura que oferece tudo muito bem feito e sem “encheção de linguiça”. Tanto é que, para completar a história no modo Normal, 15h são o suficiente. Os platinadores levarão um pouquinho mais de tempo, entre 20h e 25h.

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As mecânicas do game são simples e funcionam durante toda a experiência. Fonte: Raphael Batista.

Vade retro, Satanás!

Embora o título tenha muitas características positivas, ele não está livre de falhas. Na verdade, há muitos relatos de bugs e problemas técnicos — principalmente para os jogadores dos consoles. Durante o período de testes, aconteceu de inimigos ficarem invisíveis, o jogo travar e até mesmo a tela ficar inclinada para o lado direito sem nenhuma explicação.

A Massive Monster já anunciou estar trabalhando em uma atualização para corrigir todos os defeitos e os jogadores podem contribuir com rápidos reports dos bugs. A maioria dos erros não compromete a experiência, mas é frustrante chegar ao final de uma expedição e precisar reiniciar o game por causa de um defeito do jogo.

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Possivelmente, o update sairá em breve. Fonte: Raphael Batista.

Além disso, o título sofre em alguns momentos com a taxa de quadros. Em salas que têm muitos inimigos, armadilhas e explosões acontece uma queda notória de FPS, complicando um pouco dos comandos. Isso não é recorrente, mas pode custar pontos de vida preciosos para os jogadores.

Cult of the Lamb: vale a pena?

Cult of the Lamb é um dos jogos independentes mais divertidos do ano. A mistura entre o fofo e o macabro, o gameplay de gerenciamento e combate em expedição e até a ligação entre ambos os aspectos, deixa o jogador viciado em cuidar dos seguidores de seu culto para aumentar o nível de fé.

Os bugs e problemas técnicos deverão estar ajustados nos próximos dias, mas seria interessante ver algum update para inserir novidades que estendem a vida útil do game, como um Modo Desafio. Embora a experiência seja divertida e muito bem aproveitada em todas as mecânicas, ela oferece pouco incentivo após o término da campanha.

É um título que vale totalmente o investimento. A dificuldade equilibrada atrai todos os tipos de jogadores e a história se sustenta por si própria. Expandindo a influência do culto e derrotando os hereges, os jogadores perceberão o quão satisfatório é liderar uma seita um tanto quanto assustadora — cruz credo.

Veredito

88

Ficha Técnica

Desenvolvedor

Massive Monster

Consoles

PlayStation 4 | PlayStation 5

Jogadores

1

Vantagens do jogo Cult of the Lamb

Vantagens

  • Combate preciso
  • História cativante e objetiva
  • Mecânicas fáceis e divertidas
  • Dificuldade justa
  • Gameplay viciante
  • Mistura perfeita entre o fofo e o macabro
Desvantagens do jogo Cult of the Lamb

Desvantagens

  • Bugs frequentes
  • Conteúdo endgame limitado

Veredito

88

capa do jogo Cult of the Lamb

Jogo

Cult of the Lamb

Autor

foto do author do artigo Raphael Batista

Raphael Batista

Produtor de conteúdo em vídeo no MeuPlayStation, com atuação voltada à cobertura de jogos e tendências da indústria. Tem preferência por experiências narrativas e franquias marcantes, como The Witcher 3, Metal Gear Solid, God of War e Marvel’s Spider-Man, trazendo uma visão próxima da comunidade e do dia a dia dos jogadores.

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