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Hades: vale a pena?

Título chega ao PlayStation 5 e PlayStation 4 comprovando que mereceu todos os elogios e prêmios recebidos

por Raphael Batista
Hades: vale a pena?

A vida no Olimpo sempre se provou caótica (Kratos que o diga!) com deuses interesseiros e relações complicadas entre parentes. “É duro ser um deus”, já diziam Túlio e Miguel em Caminho para El Dorado da DreamWorks. E é assim que o jogo Hades reforça o ponto, mostrando relações conturbadas combinadas com um gameplay desafiador.

O título da Supergiant Games chegou ao PlayStation e Xbox após um período somente no PC e Nintendo Switch, e comprovou que mereceu todos os prêmios e indicações recebidos em 2020. Hades é uma experiência divertida, envolvente, intrigante e muito viciante.

Hades é o nome da fera

No Hades — conhecido como o submundo da mitologia grega e também como o nome da divindade responsável pelos mortos — conhecemos Zagreu, o protagonista do jogo. Ele é filho do próprio deus do submundo e sua missão é simples: fugir desse inferno, literalmente.

Para cumprir este complicado objetivo, ele conta com a ajuda de seus tios e parentes do Olimpo. Zeus, Poseidon, Afrodite, Hermes e outras divindades oferecem bênçãos a Zagreu como melhorias de dano, mais agilidade ou poderes especiais para ele escapar dos lacaios e subchefes de Hades.

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Os deuses do Olimpo estão ajudando Zagreu ou estão atuando por interesses próprios?

Ora, mas por que o príncipe do submundo deseja escapar do seu próprio lar? Já se sentiu como se sua casa não fosse mais onde você devia estar? Pior: e se você descobrisse que te contaram mentiras durante grande parte de sua vida? A frustração é grande demais e Zagreu vivencia isso. E sem mais comentários para evitar spoilers.

Mas analisando a história, há uma razão justificável para a fuga do protagonista que não é explicada apenas “por pura rebeldia”. Inclusive, o desenvolvimento do enredo deixa o jogador bastante curioso ao longo da progressão para descobrir os segredos do submundo e como Zagreu lidará com eles.

Não espere por um storytelling ao nível de The Witcher ou The Last of Us, mas pode ficar tranquilo porque a história não é nada confusa como Returnal. Tudo é muito bem explicado e amarrado.

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Há um porquê da história de Zagreu e isso o jogador descobre ao longo de suas tentativas frustradas de fugir.

O inferno não é fácil, mas tem água!

Hades é um jogo roguelike: morreu? Volta para o início. Sem pontos de salvamento ou checkpoints. O jogador precisa “concluir o game” em uma tentativa. Não é demorado para chegar ao último chefão — dependendo das habilidades. Na fuga que deu certo, levei 44 minutos para vencer o desafio final.

Contudo, as mecânicas do jogo oferecem um pouco de água nesse calor infernal da dificuldade roguelike. Ao contrário de muitos títulos do mesmo gênero, o jogo da Supergiant conta com um diferencial: ele te dá uma sensação de evolução o tempo todo.

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A primeira fuga é apenas a primeira de muitas!

Há dois tipos de evolução. A primeira é obtida com as tentativas de fuga do mundo dos mortos. O jogador aprende os padrões dos inimigos, descobre as melhores salas para explorar, entende os recursos mais poderosos e busca pelas builds mais fortes. Isso é com o tempo e com o gameplay.

A segunda forma de evolução é por meio das próprias conquistas in-game. Cada run resulta em recompensas e melhorias para Zagreu, sendo possível aumentar a vida total do príncipe, desbloquear novas armas, obter melhorias para as bênçãos dos deuses e muito mais.

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Conhecer os mapas e os inimigos são essenciais para o desenvolvimento do jogador.

Para se fazer uma comparação rápida, Returnal é um roguelike que deixa a protagonista “a mesma” do início ao fim. A diferença são as armas melhoradas ao longo da jornada. Em Hades, o Zagreu da 10ª tentativa é um herói completamente diferente do início do jogo.

Por isso que o título é uma ótima porta de entrada para todos. Embora seja frustrante morrer no último chefão e recomeçar o game desde a primeira sala, a nova partida trará melhores chances da vitória por causa da evolução do protagonista.

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Quanto mais tempo descobrindo as bençãos e habilidades, mais familiaridade se pega com os melhroes upgrades.

Não há como sair do Hades

Embora a intenção de Zagreu seja fugir do Hades, o jogador ficará extremamente viciado no jogo. Somente após 10 horas consegui fugir do submundo pela primeira vez, mas vencer esse desafio apenas liberou novas possibilidades para o roguelike.

A experiência não se torna repetitiva graças ao gameplay conciso e divertido. Os comandos respondem muito bem à movimentação frenética de esquiva, ataque e poderes. Nesse gênero, precisão é tudo e Hades entrega com louvor.

A versão para o PlayStation 5 está com carregamentos rápidos, porém, os recursos utilizados no DualSense são “ok”. Não são ruins, mas são bastante secundários e pouco contribuem para a imersão.

A câmera aérea permite uma boa visão de todos os cenários e os mapas possuem nuances específicas. Há um total de quatro biomas até a fuga de Zagreu e cada um deles conta com armadilhas específicas e um visual único. Percebe como a repetitividade é amenizada quase que o tempo todo?

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Por mais que seja simples, o visual de Hades é arrebatador.

Outro fator que favorece a experiência viciante são os diálogos de Zagreu com os personagens espalhados no submundo. Até mesmo nos chefões que ele reencontra após as mortes, há novas opções de conversas e o protagonista satiriza suas quedas.

É interessante notar como o jogador cria uma identificação com o príncipe. Ele é irreverente e debochado, um jovem que não leva muito a sério a própria situação de estar no inferno. Além disso, todos os personagens contam com suas personalidades engraçadas e até sentimentais.

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Zagreu sempre descobre algo novo e surpreendente.

De boas intenções, o inferno tá cheio

Mesmo quem não é fã do gênero roguelike, provavelmente ficará encantado com a experiência em Hades. O jogo poderia contar com modos introdutórios e tutoriais para auxiliar os novatos, mas a curva de aprendizagem é bastante justa. Além disso, o título oferece praticamente um gameplay infinito pelas diferentes possibilidades em combinar habilidades, poderes, armas e salas para explorar.

Na PlayStation Store, o game custa R$ 124,50 e é um preço válido diante de uma experiência com muitas horas de conteúdo — um ótimo custo-benefício.

Se é duro ser um deus, imagine como filho do dono do submundo? É necessário fugir do Hades!

Veredito

Hades
Hades

Sistema: PlayStation 4 | PlayStation 5

Desenvolvedor: Supergiant Games

Jogadores: 1

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90 Ranking geral de 100
Vantagens
  • Gameplay viciante
  • História e diálogos bem construídos
  • Experiência infinita com novas possibilidades e desafios
  • Trilha sonora movimenta os momentos de combate
  • Ótimo custo-benefício
Desvantagens
  • Faltou um tutorial para familiarizar os novatos
  • Poucos diferenciais no DualSense
Raphael Batista
Raphael Batista
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Jogando agora: Elden Ring
Estudante de Teologia e apaixonado por PlayStation desde sempre. Jogos preferidos são The Witcher 3, Metal Gear Solid, God of War e Marvel's Spider-Man.