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Christophe Gans dirigiu o primeiro filme de Silent Hill, voltou 20 anos depois e ainda quer mais.
Christophe Gans dirigiu o primeiro filme de Silent Hill em 2006, mas foi duramente rejeitado pela crítica no lançamento. Com o passar dos anos, no entanto, a recepção mudou de forma significativa, impulsionada principalmente por um público que descobriu o longa ainda jovem e manteve uma relação afetiva com ele. E é com esse contexto que Gans retorna à franquia quase 20 anos depois, comandando Return to Silent Hill, novo longa inspirado em Silent Hill 2.
Segundo o diretor, adaptar um jogo tão reverenciado foi um processo cercado de pressão. Ele relembra, em entrevista à Variety, que, durante a produção do primeiro filme, inclusive, recebeu ameaças de fãs mais exaltados.
“As pessoas diziam: ‘Se você estragar esse, vamos te encontrar’. Isso me colocou em uma posição de grande responsabilidade, ainda maior agora.” Ao mesmo tempo, ele ressalta que o filme precisava funcionar também para quem não conhece o universo dos games. “Era importante imaginar um filme que interessasse a quem não joga.”
Além do peso criativo, houve limitações práticas. O orçamento de Return to Silent Hill ficou em torno de 23 milhões de dólares, valor modesto diante da escala do projeto. Foram 50 dias de filmagem e 67 cenários diferentes. Para viabilizar essa ambição, Gans passou cerca de um ano apenas na fase de concepção visual.
“Desenhei tudo, fiz storyboards, produzi muito material artístico. Quando entramos na pré-produção, eu estava extremamente preparado”, explica. Ainda assim, nem sempre foi simples justificar certas escolhas. “Às vezes era difícil fazer pessoas que não jogam entenderem por que alguns elementos eram tão importantes. Em alguns momentos, precisei insistir porque sabia que os fãs iriam apreciar.”
Mesmo após dois filmes, Gans afirma que ainda vê potencial para continuar explorando a franquia no cinema. “Se eu tiver a oportunidade, voltaremos a Silent Hill mais uma vez”, diz. Para ele, a série vai além do entretenimento tradicional. “Não vejo Silent Hill apenas como um grande videogame. Vejo como uma obra de arte moderna, com algo realmente ousado e experimental.”
E, pra ele, ver que seu primeiro trabalho com Silent Hill hoje é mais reconhecido, é recompensador: “Fiquei muito satisfeito ao ver como a reputação do filme cresceu. Em turnês internacionais de imprensa, muitos jornalistas começavam a conversa dizendo que tinham visto o filme aos 13 ou 14 anos e que gostavam muito dele. De repente, estou diante de uma geração 2.0 de fãs de Silent Hill. Existem filmes grandes que desaparecem da memória em seis meses. O teste do tempo é o teste definitivo.”
Fonte: Variety
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