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Mesmo com fortes inspirações em eventos históricos reais, nem tudo no jogo aconteceu exatamente como dizem os especialistas
Ghost of Tsushima é um dos grandes jogos de PlayStation. O game foi tão bem recebido por críticos e fãs que muitos se questionaram sobre a fidelidade dos eventos da narrativa. Em produções tão profundas como esta, quase sempre fica a pergunta: o que foi real e o que é criação?
Seja no lançamento original (2020) ou na Versão do Diretor (2021) para PS5 onde exploramos as belezas da Ilha Iki, o título realmente retrata o período Kamakura (1274), época na qual os samurais estavam em ascensão. Naquele tempo, os guerreiros controlavam toda a região apresentada no game, e sim, a invasão mongol aconteceu.

Com a ajuda do Dr. Kazuto Hongo, professor do Instituto Historiográfico na Universidade de Tóquio, muitas dessas dúvidas foram respondidas. Até onde Ghost of Tsushima foi fiel à história do confronto com os mongóis?

Segundo o historiador, há duas principais teorias sobre a invasão dos mongóis. Uma delas é a expansão territorial e submissão da população japonesa ao seu imperador, porém ele revela outro possível motivo: a produção de pólvora.
O império mongol estava em expansão, então, a procura por recursos também cresceu bastante, e como o Japão extraía muito enxofre, matéria prima da pólvora explosiva, os olhos cobiçosos do imperador logo viu uma oportunidade.

Os guerreiros japoneses eram adestrados para lutas mais 1 vs. 1. Já o mongóis combatiam em grupo. Isso foi uma grande vantagem para os invasores, que também eram mais numerosos.

Ele nunca existiu, mas seu nome se parece muito com imperador mongol da época, Kublai Khan. O senhor de reis enviou um representante ao Japão, que quando retornou, explicou ao chefe “que os japoneses eram selvagens, imprevisíveis e que não valiam ser conquistados”.

A saga de Jin Sakai para se tornar o “fantasma” pode ter sido inventada para enriquecer a narrativa de Ghost of Tsushima, mas essa divisão, historicamente, acabou ocorrendo após o período Kamakura em um evento chamado Shimotsuki (1285). Duas gerações de samurais acabaram entrando em guerra pelo mesmo dilema do protagonista.
O primeiro grupo tinha uma filosofia parecida com a do herói do jogo, já o segundo era fiel às tradições e fiéis às ordens dos seus mestres. Este, por sinal, saiu vencedor na luta.
O dilema vivido por Jin Sakai – preservar sua honra ou salvar o povo de Tsushima a qualquer custo – foi o ponto de partida para trama. De acordo com Kazuto, os samurais realmente respeitavam o combate, ao contrário dos invasores.

Algumas referências acabaram mesclando diversos períodos da história. Os chifres no capacete da armadura do clã Sakai foram originados quatro séculos após a época na qual o game é ambientado. No período Edo, Tadakatsu Honda, um dos maiores heróis do Japão, utilizava um equipamento semelhante.

O Hwach’a, lançador de flechas flamejantes com o qual Jin intercepta as embarcações mongóis na jornada, foi criado algumas décadas depois na Coreia. A catapulta, por sua vez, foi uma tecnologia européia apropriada pelos invasores.
Professor Kazuto explica que o Japão feudal é muito politeísta e existem o deuses do fogo, terra, mar e animais. O fato enriquece o folclore e a cultura local, então é comum ouvir contos sobre “armas poderosas capazes de fazer coisas sobrenaturais”. Em Ghost of Tsushima, os contadores de lendas sempre sabem o caminho para se chegar às melhores habilidades.
A primeira invasão de 1274 foi um sucesso para os mongóis, porém, a segunda investida em 1275 não saiu como o esperado para o exército de Khan. Os japoneses estavam muito mais preparados, além de contarem com uma ajudinha inesperada.

Alguns dos colonizadores estavam invadindo os territórios de barco, e as condições climáticas não foram nada favoráveis. Um tufão destruiu boa parte da frota, e muitos navios sofreram as consequências. Foi daí que surgiu o termo “kamikaze” – o vento divino. O jogo até brinca com isso através da frase “uma tempestade se aproxima”.
Após a vitória, os samurais cobraram pagamentos em forma de territórios e títulos, uma tradição da época. No entanto, o Shogun – líder militar – não tinha nada a oferecer, pois o Japão não teria conquistado nenhum terreno novo e as propriedades da época não eram negociáveis.
O país acabou mergulhando em uma guerra civil.
O modo preto e branco de Ghost of Tsushima faz referência a Akira Kurosawa, lendário cineasta e um dos pioneiros a levar o estilo samurai para os cinemas. Suas obras impactaram diretamente a produção do título. Saiba como isso aconteceu clicando aqui!
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