Jogo
Final Fantasy Resonance
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Final Fantasy é uma das franquias mais importantes da história dos videogames, e parte de sua longevidade está na capacidade de revisitar suas próprias raízes sem deixar de apresentar novas ideias. Final Fantasy Resonance aposta justamente nessa combinação: resgata o combate por turnos clássico, investe em um visual pixelado HD-2D extremamente charmoso e oferece sistemas de personalização capazes de manter os fãs do gênero envolvidos por dezenas de horas.
O resultado é uma aventura que abraça as características mais tradicionais dos RPGs japoneses. Em vez de apostar em um ritmo acelerado ou em combates que exigem reflexos constantes, o jogo convida o jogador a observar os adversários, explorar suas fraquezas e montar estratégias para superar os desafios. É uma proposta que funciona muito bem para quem gosta de pensar cada movimento, mas que também pode se tornar cansativa para quem prefere uma experiência mais dinâmica.
Entre os principais destaques está o sistema de Visions, que conecta personagens conhecidos da franquia e permite utilizar seus poderes durante os confrontos. A mecânica amplia as possibilidades estratégicas e reforça a sensação de estar diante de uma celebração do universo de Final Fantasy, sem depender apenas da nostalgia para sustentar a experiência.
Com uma campanha que pode durar cerca de 40 horas, Final Fantasy Resonance oferece uma jornada extensa, especialmente para quem gosta de explorar cada canto do mapa e descobrir tudo o que o jogo tem a oferecer. Entretanto, o ritmo lento, alguns desafios punitivos e a ausência de textos em português brasileiro impedem que a experiência alcance todo o seu potencial.
O primeiro aspecto que chama a atenção em Final Fantasy Resonance é sua apresentação visual. O estilo HD-2D combina personagens pixelados com cenários tridimensionais, criando uma identidade que consegue ser nostálgica sem parecer ultrapassada. O resultado é extremamente charmoso e combina com a proposta de resgatar elementos clássicos dos RPGs japoneses.
Essa direção artística ajuda a dar personalidade à aventura e reforça a conexão com uma época em que os jogos da franquia apostavam em personagens pixelados e mundos repletos de possibilidades. Ao mesmo tempo, os recursos visuais modernos contribuem para tornar os ambientes mais interessantes, mantendo o apelo estético ao longo da campanha.

Juntamente com o visual, está no mesmo patamar a trilha sonora. As composições vão alternando entre os momentos de exploração e combate, mas todas as música casam muito bem com as situações. Como a franquia sempre foi conhecida por tratar bem este aspecto, Resonance não decepciona de forma alguma.
Além disso, podemos destacar o bom trabalho no desenvolvimento de personagens. Acompanhamos o herói Rain na missão de proteger o reino enquanto investiga incidentes misteriosos envolvendo o Cristal da Terra. As reviravoltas e os novos personagens que surgem fazem com que o jogador se importe com o destino do protagonista e de seus amigos da party.

O sistema de batalha segue a estrutura tradicional dos combates por turnos, exigindo que o jogador avalie as condições do confronto antes de escolher suas ações. Aqui, atacar sem pensar nem sempre é a melhor estratégia. Conhecer as características dos adversários e aproveitar suas vulnerabilidades pode ser a diferença entre uma vitória tranquila e uma derrota frustrante.
Um dos principais elementos desse sistema é o Stagger, que permite neutralizar os inimigos ao explorar suas fraquezas elementais. Ao utilizar o elemento adequado, o jogador consegue deixá-los vulneráveis e aproveitar a oportunidade para causar ainda mais dano. É uma mecânica que recompensa a observação e o planejamento, incentivando a adaptação de estratégias de acordo com cada confronto.

O combate também ganha profundidade graças às possibilidades de personalização. A escolha de equipamentos, armas e configurações da party permite experimentar diferentes builds e encontrar combinações que se encaixem no estilo de cada jogador. Essa liberdade é importante porque transforma a preparação para as batalhas em uma parte relevante da experiência, em vez de limitar a progressão ao ganho de níveis.
Outro destaque é o sistema de Visions, que conecta personagens conhecidos da franquia e permite recorrer aos poderes deles durante os confrontos. Além de ampliar as opções disponíveis em batalha, a mecânica funciona como uma homenagem ao legado de Final Fantasy e oferece mais possibilidades para lidar com os inimigos.

O problema é que toda essa estrutura depende de paciência. O ritmo das batalhas é bastante lento, e a necessidade de analisar fraquezas, escolher ações e administrar os recursos pode tornar os confrontos repetitivos para quem não está acostumado com RPGs mais táticos. A proposta funciona dentro daquilo que o jogo pretende entregar, mas exige disposição para acompanhar seu ritmo.
A campanha de Final Fantasy Resonance oferece aproximadamente 30 horas de conteúdo, um tempo considerável para quem deseja acompanhar a aventura principal. Já os jogadores que preferem explorar os cenários com calma e descobrir tudo o que está escondido pelo caminho podem facilmente dobrar essa duração.
Essa extensão é um ponto positivo para quem gosta de RPGs com progressão prolongada. Há espaço para experimentar equipamentos, testar diferentes builds e aprofundar o domínio sobre as mecânicas de combate. A exploração também permite prolongar a jornada para além dos acontecimentos centrais da história, tornando a experiência especialmente atrativa para quem busca um jogo capaz de ocupar dezenas de horas.

Entretanto, a dificuldade pode transformar parte dessa jornada em uma experiência frustrante. Alguns desafios parecem desequilibrados e punem o jogador com severidade, exigindo uma preparação que nem sempre acompanha o ritmo da progressão. Como o combate já é cadenciado, encontrar obstáculos excessivamente punitivos pode tornar determinados trechos ainda mais cansativos.
A ausência de textos em português brasileiro também é um ponto negativo importante. Em um RPG que valoriza a compreensão das mecânicas, a análise das fraquezas dos inimigos e a personalização dos personagens, não contar com localização para o nosso idioma pode dificultar o entendimento de informações essenciais. É uma barreira que limita o acesso de parte do público a uma experiência que, em outros aspectos, tem bastante a oferecer. Sem contar que estamos em 2026, né? Ter esse recurso é o mínimo.

Final Fantasy Resonance é uma boa escolha para quem sente falta dos RPGs japoneses tradicionais e procura uma aventura que valorize estratégia, personalização e exploração. O visual HD-2D é um dos grandes atrativos, enquanto o combate por turnos, o sistema de Stagger e as possibilidades oferecidas pelos Visions garantem profundidade suficiente para sustentar uma campanha extensa.
Por outro lado, o ritmo lento exige paciência, e os desafios desequilibrados podem tornar a progressão frustrante em determinados momentos. A falta de textos em português brasileiro também pesa contra o jogo, especialmente para quem depende da localização para compreender as mecânicas e acompanhar todas as informações apresentadas.
Final Fantasy Resonance entrega uma experiência robusta para quem aprecia o estilo clássico da franquia. É uma aventura recomendada para os fãs de RPGs por turnos, desde que estejam preparados para um ritmo mais lento e desafios que nem sempre são justos.
Veredito
85
Desenvolvedor
Square Enix
Consoles
PlayStation 5
Jogadores
1
Veredito
85
Jogo
Final Fantasy Resonance