Jogo
Castlevania: Belmont's Curse
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“Castlevania”. Dizer esse nome em voz alta é quase como invocar um ritual específico do próprio Drácula: os fãs relembram os bons tempos marcados pela glória de Symphony of the Night, os mais novos reforçam o quanto a série Lords of Shadow foi subestimada e todos finalizam a oração com um ressonante “que saudade da Konami fazendo excelentes jogos para consoles”. Bom, as preces foram atendidas!
A empresa japonesa vem retomando suas produções para videogames nos últimos anos com ótimos títulos, como Silent Hill f, Silent Hill: Townfall, Silent Hill 2 e Metal Gear Solid 3, mas sua nova era é coroada com o retorno glorioso de uma de suas principais franquias. Castlevania: Belmont’s Curse não é apenas uma ode para quem acompanha a série desde os primórdios, mas também representa um novo rumo muito positivo para uma marca que já teve seus altos e baixos.
Com uma nova protagonista que remete à Casa Belmont e referências aos jogos anteriores, além de elementos que dialogam até mesmo com as produções da Netflix, o novo game desenvolvido pela Evil Empire é mais do que um excelente Castlevania. Trata-se de um metroidvania com características próprias, muito bem adaptadas ao universo do Conde Drácula.
Claro que é impossível alcançar a perfeição, e alguns defeitos incomodam ao longo da experiência. Ainda assim, para quem esperou mais de 12 anos pela chegada de um novo jogo da saga, Castlevania: Belmont’s Curse é uma prece atendida de forma louvável.
Em 1499, Rose e Trevor Belmont chegam a Paris para investigar o motivo do surgimento de monstruosidades. A cidade está um caos até que ela se depara com uma realidade temível: o Lorde das Sombras está retornando, acompanhado de seu imponente castelo. Como uma boa Belmont, é sua missão impedir que Drácula volte para instaurar o caos na Terra.
Ao longo da história, Rose conhece personagens ligados à linhagem dos Belmont. Tanto aliados quanto inimigos aparecem de forma progressiva e bem-vinda, sem sobrecarregar o jogador com informações, até porque a própria cronologia de Castlevania é bastante confusa em alguns momentos.

Quem acompanhou a adaptação da Netflix também vai reconhecer alguns nomes interessantes, embora os personagens não apresentem grandes semelhanças visuais com suas versões da animação. De qualquer forma, é interessante notar como a Evil Empire incorporou de maneira abrangente a lore de Castlevania.
Ainda há espaço para algumas surpresas, muito bem encaixadas na trama. Não espere por reviravoltas capazes de explodir sua cabeça, mas a narrativa é bem trabalhada e combina elementos religiosos da franquia com temas como vingança e ódio.

Algo que foi bem trabalhado e contribui para o avanço da narrativa é o sistema de Cartas de Tarô e investigação. Rose herdou Cartas da sua mãe que revelam detalhes dos principais desafios. Elas são desbloqueadas conforme a heroína descobre pistas que identificam quem é o alvo e como encontrá-lo.
É muito natural achar todas as Pistas, mas é possível encontrar os inimigos sem ter todas as informações. De qualquer forma, a própria história ganha camadas e detalhes adicionais interessantes com base no próprio sistema de jogabilidade.

Após entregar The Rogue Prince of Persia, a Evil Empire mostrou que sabe desenvolver jogos de plataforma 2D. Em Castlevania: Belmont’s Curse, a responsabilidade era ainda maior, já que se trata de uma franquia que ajudou a estabelecer as bases do próprio gênero. Felizmente, o estúdio acerta em cheio em diversos aspectos, inclusive naquilo que diferencia o projeto de outros títulos do estilo.
A aventura de Rose Belmont tem um ritmo mais cadenciado. Há esquivas e parries, mas esses movimentos não podem ser usados levianamente. Em muitos jogos de plataforma e metroidvanias, é possível deslizar para passar pelas costas dos inimigos e evitar seus ataques. Aqui, porém, os monstros também golpeiam para baixo, impedindo que a heroína recorra à mesma estratégia com facilidade. Por isso, é necessário observar a direção dos ataques e escolher a melhor abordagem para cada confronto.

O ritmo do combate pode causar estranhamento no início. Como a proposta exige comandos mais precisos e bem calculados, não basta repetir ações aleatórias com golpes e poderes especiais. No entanto, a resposta dos comandos nem sempre acompanha essa intenção, dando a impressão de um pequeno atraso na execução dos movimentos. O parry, que exige precisão no momento certo, acaba sendo o recurso mais prejudicado por esse problema.
Ainda assim, há muitas possibilidades de combinação para garantir a vitória. O jogo apresenta um combate equilibrado, no qual até os monstros mais comuns representam riscos à vida de Rose. Felizmente, a caçadora conta com um vasto arsenal: são mais de 20 armas, divididas em cinco classes com quatro variações cada, além de poderes especiais obtidos após derrotar chefões e diversas Relíquias que concedem melhorias de atributos e efeitos especiais à heroína.

Os cenários também apresentam uma boa diversidade, com áreas que vão de cemitérios a ambientes urbanos. Durante a exploração, o jogador encontra salas com baús que podem conter armas e Relíquias importantes. Essa estrutura incentiva a investigação dos mapas e torna a exploração recompensadora, inclusive em regiões protegidas por armadilhas ou desafios mais complexos.
Em relação à dificuldade, espere um jogo de ação punitivo. Há muitos monstros e chefões agressivos, capazes de causar grandes quantidades de dano. Para piorar, os pontos de salvamento ficam distantes uns dos outros. Embora as áreas sejam interconectadas, os checkpoints demoram a aparecer, exigindo que o jogador administre bem suas poções para não ficar sem recursos nos momentos mais difíceis.

Também vale destacar a profundidade da experiência. Enfrentar o Lorde Drácula é o objetivo central, mas a tarefa pode ser concluída rapidamente ou depois de explorar praticamente tudo o que o jogo oferece. Rose pode derrotar o vilão em menos de quatro horas, enquanto uma jornada sem pressa pode chegar a 15 horas. Já quem busca completar todos os objetivos e conquistar a platina deve se preparar para dedicar mais de 30 horas à aventura.
Castlevania: Belmont’s Curse não está livre de falhas, e alguns problemas parecem perseguir a franquia há anos. Um exemplo são as quedas de desempenho durante as animações e em momentos aleatórios, especialmente quando há muitos efeitos visuais na tela. Embora isso raramente aconteça nas situações mais críticas dos combates, ainda é um problema que compromete parte da experiência.
Outro ponto que incomoda são as texturas e os detalhes dos cenários. Enquanto os personagens, os monstros e os principais elementos dos ambientes apresentam uma estética 2.5D rica em detalhes, os objetos e as estruturas ao fundo parecem sem vida e poderiam ter recebido mais atenção. Em alguns momentos, essa diferença prejudica a apresentação visual.

Por outro lado, a trilha sonora mantém a qualidade esperada da franquia, com composições marcantes durante a exploração e, principalmente, nas boss fights. As músicas remetem ao estilo sacro e reforçam o confronto clássico entre a escuridão e a luz, um tema que também encontra espaço na própria narrativa.
Mais do que o retorno glorioso de uma marca clássica, Castlevania: Belmont’s Curse é mais um excelente jogo de 2026. O título se sustenta por conta própria, independentemente de o jogador ser um fã de carteirinha da franquia ou ter conhecido a série há pouco tempo.
Com um combate cadenciado e extremamente letal, o jogo apresenta um universo intrigante, desafios que exigem atenção e muito conteúdo para explorar. Apesar dos problemas de desempenho e da resposta nem sempre precisa dos comandos, a experiência entrega uma aventura envolvente e respeita o legado da série sem depender exclusivamente da nostalgia.
Com preço de R$ 169,90 na PS Store, Castlevania: Belmont’s Curse oferece um ótimo custo-benefício e coroa a nova fase da Konami. Agora, resta torcer para que essa boa sequência de lançamentos continue.
Veredito
89
Desenvolvedor
Evil Empire
Consoles
PlayStation 5
Jogadores
1
Veredito
89
Jogo
Castlevania: Belmont's Curse