Jogo
Star Wars: Galactic Racer
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Se você viveu o fim dos anos 90/começo dos anos 2000 jogando Nintendo 64, como eu, provavelmente tem um lugarzinho especial no seu coração para Star Wars Episode I: Racer. Desde o lançamento do Episódio I nos cinemas, em maio de 1999, vivemos uma nova era de Star Wars, com objetivo claro de atingir não só quem se apaixonou pelos filmes da “saga original”, como também de criar um novo público. E os videogames, claro, poderiam ajudar bastante nisso.
Eu não virei um fã de Guerra nas Estrelas, mas com certeza aquele jogo de corrida de naves me marcou. Por isso, o anúncio de Star Wars: Galactic Racer mexeu comigo. E, depois de jogá-lo, dá para cravar que ele é capaz de recuperar aquele mesmo fascínio pelas corridas da franquia que a criançada sentiu mais de 20 anos atrás, porém com uma proposta que vai além da nostalgia. Desenvolvido pela Fuse Games, o título combina velocidade, disputas agressivas e uma campanha em que sobreviver pode ser tão importante quanto terminar na primeira posição.
O resultado é um jogo de corrida arcade com personalidade, profundidade e um nível de dificuldade crescente e adaptável. É uma experiência excelente, seja para quem já está imerso neste universo fantástico, seja para quem só quer acelerar como se não houvesse amanhã. Um sopro bem-vindo de diversão e imaginação em um mundo tão realista que vivemos hoje em dia.
Star Wars: Galactic Racer se passa após a queda do Império, em uma galáxia que tenta se reorganizar sob a Nova República. Na Orla Exterior, esse cenário abre espaço para a Galactic League, um circuito clandestino em que velocidade, dinheiro e influência caminham lado a lado. É nesse ambiente que entra Shade, um piloto com contas a acertar com a família Bool e, especialmente, com Kestar Bool, o atual campeão da competição.

A campanha acompanha sua ascensão na liga, entre disputas nas pistas, encontros com outros competidores e rivalidades que tornam a busca pelo título uma questão pessoal. Essa trajetória é organizada em Tours, sequências de eventos por diferentes planetas nas quais é preciso escolher caminhos, disputar provas e administrar os recursos conquistados. Entre as corridas, há oportunidades para conversar com personagens, reparar equipamentos e adquirir peças e habilidades para o veículo.
Esta parte do jogo adota uma estrutura que podemos dizer que tem uma inspiração roguelite: acumular derrotas ou esgotar as chances disponíveis pode encerrar o percurso, exigindo uma nova tentativa. Parte da progressão permite voltar mais preparado, mas avançar também depende de aprender os circuitos e encontrar uma combinação de veículo e melhorias adequada ao próprio estilo.
Além da campanha, Galactic Racer oferece os modos Arcade e Cenários. O Arcade concentra desafios contra o relógio, com marcas a superar, medalhas e rankings que incentivam a busca pela volta perfeita. Já os Cenários apresentam sequências mais curtas de provas com personagens e veículos predefinidos, colocando o jogador diante de configurações e estilos de pilotagem que talvez não explorasse na campanha. São alternativas que ampliam o desafio e dão motivos para experimentar outras formas de correr.

O multiplayer online comporta até 12 jogadores e oferece crossplay entre plataformas. É possível participar de corridas rápidas ou disputar Tours, torneios que adaptam parte da progressão e das melhorias da campanha para confrontos contra outras pessoas. O modo também inclui evolução por experiência e desbloqueios cosméticos. A ausência fica por conta da tela dividida: não há opção de reunir amigos para competir localmente no mesmo console.
O primeiro destaque está na pilotagem. Galactic Racer transmite velocidade sem abrir mão da precisão necessária para enfrentar curvas fechadas, passagens estreitas e adversários dispostos a transformar qualquer ultrapassagem em uma disputa de contato. Há uma satisfação particular em atravessar um trecho perigoso mantendo o ritmo, administrar o turbo no limite e encontrar espaço onde parecia impossível passar.

A experiência dos veteranos da Criterion aparece nesse equilíbrio entre controle e destruição. As colisões fazem parte do espetáculo, mas a agressividade exige cálculo. Empurrar um rival pode abrir caminho para a vitória, enquanto insistir em uma manobra arriscada pode comprometer toda uma sequência de provas. A influência de Burnout é evidente, embora os sistemas de progressão deem ao jogo uma dinâmica própria.
A variedade começa nos veículos. Landspeeders favorecem derrapagens, speeder bikes oferecem agilidade e impulsos na saída das curvas, enquanto skim speeders utilizam uma inclinação lateral para enfrentar mudanças de direção mais fechadas. Cada classe exige uma abordagem diferente, interferindo na escolha de caminhos e na maneira de reagir aos obstáculos. Trocar de máquina significa reaprender parte da condução.
Os podracers, por exemplo, elevam ainda mais a velocidade das disputas. Sua participação, porém, precisa ser entendida dentro de uma experiência mais ampla: Galactic Racer dedica bastante espaço aos speeders, e as tradicionais corridas de pods entram posteriormente na campanha. A variedade beneficia o conjunto, embora a transição obrigatória entre veículos possa quebrar o ritmo de quem já encontrou uma configuração confortável.

A personalização é um dos sistemas mais bem aproveitados. Melhorias de resistência, bateria, turbo e comportamento nas curvas produzem mudanças perceptíveis. Habilidades ofensivas e defensivas ampliam as possibilidades, permitindo preparar uma máquina para resistir às colisões, explorar atalhos perigosos ou priorizar velocidade. Experimentar combinações se torna parte importante da diversão.
Os circuitos dão utilidade a essas escolhas. Água, lava, gelo e ácido interferem nas condições da corrida, obrigando o jogador a considerar mais do que a trajetória ideal. A água pode ajudar a resfriar o motor, enquanto outras superfícies oferecem riscos que precisam ser enfrentados com equipamento e habilidades adequados. Os planetas ganham identidade também pela maneira como afetam a pilotagem.
O gerenciamento do Ramjet concentra boa parte dessa tensão. O turbo oferece um ganho expressivo de velocidade, mas o superaquecimento pode provocar uma explosão. Saber quando insistir e quando aliviar passa a ser uma habilidade tão importante quanto contornar uma curva. O sistema funciona especialmente bem quando permite uma ultrapassagem ousada, mas a quantidade de comandos e informações exige atenção constante.
A campanha aproveita essa combinação por meio dos Tours, percursos com diferentes eventos e oportunidades de melhoria. A estrutura de inspiração roguelite faz da derrota uma etapa da progressão: uma tentativa encerrada leva a outra, agora com mais conhecimento e recursos para preparar o veículo. Reconhecer as pistas, entender os adversários e ajustar a configuração cria uma evolução que depende tanto dos equipamentos quanto da habilidade.
É uma proposta envolvente, mas também punitiva. Perder uma sequência longa de provas pode gerar vontade de tentar novamente ou simplesmente cansaço. Essa diferença depende bastante das circunstâncias da derrota. Quando o erro é claro, o reinício faz sentido. Quando surge de uma passagem mal sinalizada ou de uma mudança brusca na exigência, a frustração ganha espaço.

A leitura dos circuitos nem sempre acompanha a velocidade. Alguns trechos dificultam a distinção entre uma passagem válida e um obstáculo, problema ampliado pela ausência de minimapa. Memorizar o percurso resolve parte da dificuldade, mas o aprendizado cobra um preço elevado quando uma colisão ameaça encerrar a tentativa. As provas obrigatórias de podracing também podem impor uma adaptação abrupta depois de várias corridas com outro tipo de veículo.
Fora da pista, o ritmo perde força. Caminhar entre personagens e negociar melhorias ajuda a construir o ambiente da Galactic League, mas essas atividades se tornam menos interessantes com a repetição. A semelhança entre alguns circuitos de um mesmo planeta também reduz a sensação de novidade. A campanha oferece motivos para voltar, embora pudesse encurtar o caminho até a próxima largada.
A história acompanha Shade em uma competição marcada por rivalidades e interesses particulares. Os personagens acrescentam personalidade às disputas, mas o enredo ocupa uma posição secundária. Seu melhor papel é transformar os competidores em figuras reconhecíveis, dando contexto aos confrontos. A estrutura de tentativas, por outro lado, nem sempre favorece a continuidade dos acontecimentos.

A apresentação audiovisual sustenta o espetáculo. Os ambientes exploram a identidade de Star Wars, enquanto motores, colisões e alertas reforçam a intensidade das corridas. O som também fornece informações úteis sobre o estado do veículo. No PS5, a fluidez a 60 quadros por segundo contribui para a resposta dos comandos, ainda que existam oscilações pontuais em situações específicas. A resistência moderada dos gatilhos do DualSense complementa a condução.
Arcade e Cenários oferecem desafios adicionais, enquanto o multiplayer reúne até 12 jogadores, com crossplay e disputas organizadas em corridas rápidas ou Tours. A ausência de tela dividida pesa: um jogo com esse perfil teria muito a ganhar com a possibilidade de dividir as corridas no mesmo console.
Star Wars: Galactic Racer tem na combinação entre pilotagem e estratégia seu maior acerto. Os veículos apresentam diferenças relevantes, a personalização incentiva experiências e os perigos das pistas mantêm cada disputa sob tensão. A campanha exige tolerância à repetição e poderia ser mais cuidadosa com a orientação e o ritmo, mas oferece uma identidade forte. Para quem aceita aprender com os erros, há um jogo de corrida capaz de transformar cada nova tentativa em uma oportunidade real de correr melhor.
O jogo chega oficialmente em 6 de outubro, custando R$ 299,90 na PS Store.
Veredito
90
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Star Wars: Galactic Racer