Jogo
Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties
A série Yakuza/Like a Dragon está completando 20 anos de sucesso em grande estilo: com a chegada de Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties, um pacote com um remake completo de um dos clássicos da franquia e uma nova história original. Perfeito não só para os fãs da saga, como também para tem curiosidade de entrar neste universo que está crescendo cada vez mais no ocidente; algo que não era comum alguns anos atrás.
Afinal, ele é o puro suco de Like a Dragon. Yakuza Kiwami 3 coloca você em Ryukyu, Okinawa, controlando Kazuma Kiryu em combates brutais, alternando estilos de luta e aproveitando atividades como karaokê, sub-histórias e personalização de roupas – com direito até a uma nova rede social. Dark Ties, por sua vez, traz um novo enredo focado em Yoshitaka Mine, com exploração por Kamurocho, side quests e combates frenéticos de shoot-boxing.
Experiências diferentes, que se completam, e fazem de Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties mais um ótimo jogo de uma franquia que vem acertando bastante nos seus últimos lançamentos. O único perigo é você ficar um pouco fadigado de “tanta coisa igual”, de certa forma, mas a forma como as narrativas vão se conectando as variações de cada título acabam dando uma impressão bem mais positiva do que negativa.
Quando Yakuza 3 chegou originalmente, em 2009, ele marcou uma virada tonal na série. Menos focado em guerras de gangues e mais interessado em relações humanas, política e pertencimento, o jogo dividiu opiniões, mas, com o tempo, tornou-se um capítulo fundamental para entender o lendário Kazuma Kiryu. Yakuza Kiwami 3 não apenas resgata essa história para uma nova geração, como a revitaliza tecnicamente e emocionalmente.

O remake começa exatamente onde Kiryu desejava estar: longe do submundo, se despedindo de seu passado (a solução para dar o resumo dos dois primeiros Yakuza, inclusive, é muito legal). Agora em Okinawa, cuidando do orfanato Morning Glory, ele não é mais o dragão de Dojima, mas um pai adotivo, mentor e figura de referência para crianças que já sofreram perdas irreparáveis.
Essa escolha narrativa diferencia Kiwami 3 de outros jogos de ação ao colocar o protagonista em um espaço de vulnerabilidade emocional antes do conflito estourar. E é claro que ele estoura. Aí é que Yakuza brilha com o seu já tradicional combate muito intenso, seus diálogos bem construídos, e muitas vezes engraçados, e as atividades extras para dar um tempinho de tanta insanidade.
Desde as lutas contra os NPCs nas ruas até as boss fights, com a variação de armas e habilidades de Kiryu, você tem uma gama de possibilidades divertidas e desafiadoras de luta enquanto o emocionante e surpreendente enredo se desenrola. Tudo ocorre com um visual que não deixa a desejar em relação aos títulos mais recentes da saga, excelentes efeitos sonoros e uma jogabilidade simples e que convida o jogador a se divertir por horas e horas.

Algo que é muito bacana é que realmente o jogo te motiva a fazer as sidequests, sem obrigação e sim por dar vontade mesmo, porém ao mesmo tempo, os personagens são tão cativantes que a história vai te prendendo a ponto de você também querer dar tudo o que tem para montar esse quebra-cabeças peça por peça.
A jogabilidade passa por ajustes bem-vindos. O combate, que no original podia parecer rígido para padrões modernos, agora é mais fluido, responsivo e estratégico. Kiryu continua sendo uma força imparável, mas o título incentiva o seu uso de diferentes estilos de luta, bloqueios e contra-ataques, evitando que os confrontos se tornem repetitivos. Chefes apresentam desafios mais equilibrados, exigindo leitura de padrões e timing preciso.
Além da campanha principal, Kiwami 3 mantém o DNA clássico da série com uma variedade de atividades secundárias. Minijogos, sub-histórias excêntricas, batalhas de rua e interações com NPCs enriquecem o mundo e dão personalidade ao universo do jogo. Okinawa oferece experiências próprias, como atividades marítimas e missões ligadas à comunidade local, diferenciando-se de Kamurocho sem perder identidade.

Agora, não espere grandes inovações. No fim das contas, Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties ainda é Yakuza. Ou Like a Dragon.
Mas em Dark Ties as coisas mudam de figura. Longe de ser um mero bônus, este spin-off funciona como uma peça-chave para entender Yoshitaka Mine. Em vez de apresentá-lo somente como um vilão frio e calculista, o jogo mergulha em sua origem: um empreendedor promissor traído pelo próprio sistema que acreditava dominar. Sua queda e posterior entrada no submundo são tratadas com nuance, mostrando um homem moldado por frustração, ambição e uma visão distorcida de poder.

Jogando como Mine, o jogador experimenta um ritmo narrativo diferente. A progressão não é só sobre força bruta, mas também sobre estratégia, influência e alianças. Essa mudança de perspectiva faz com que Dark Ties pareça menos um derivado e mais uma narrativa paralela legítima, conectada tematicamente ao arco de Kiryu.
Em gameplay, destaca-se o sistema de combate elegante e refinado de Mine, que gira em torno do shoot-boxing, usando combos e movimentos aéreos. Assim como Kiryu, ele também tem um estilo de habilidade “sobrenatural”, com um poder das trevas e golpes brutais. Duas novidades bacanas são a Hell’s Arena, onde há combates contra ondas inimigas, e o Kanda Damage Control, com missões para melhorar a reputação do chefão Kanda.
Do ponto de vista temático, o conjunto discute ideias profundas: o que significa família, até onde a lealdade deve ir e qual é o preço do poder. Kiryu representa proteção e responsabilidade; Mine, controle e racionalidade extrema. Esse choque de filosofias dá ao confronto final em Kiwami 3 um peso que transcende o simples embate físico. É uma conclusão épica para as duas histórias do pacote.

Agora, uma coisa precisa ser dita: desde o “reboot” da saga com Like a Dragon em 2020, tivemos praticamente um jogo por ano: Lost Judgement (2021), Gaiden (2023), Infinite Wealth (2024), Pirate Yakuza (2025) e agora esse remake de Yakuza 3 com Dark Ties. Se você é fã e quer jogos e mais jogos da sua série favorita, pode ser legal, mas também pode acabar ficando um pouquinho cansativo ter quase tudo igual, né?
Outro ponto que não muda em Yakuza Kiwami 3 é a localização. Temos até menus e legendas em português, mas nada de dublagem. Uma pena, né?
Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties é, acima de tudo, uma celebração do que a série faz de melhor. O pacote equilibra nostalgia e modernização ao resgatar um capítulo fundamental da trajetória de Kazuma Kiryu, ao mesmo tempo em que expande o universo com uma história original que aprofunda um dos antagonistas mais interessantes da franquia. Não é um game revolucionário, porém é um refinamento muito bem-vindo de uma fórmula que continua funcionando.
Com suas narrativas humanas, personagens marcantes e combates empolgantes, ele vale a pena, especialmente para fãs de Like a Dragon ou para quem quer entender melhor o arco de Kiryu e a complexidade de Mine. Pode ser que o seu ritmo anual de lançamentos gere certo cansaço, e a ausência de dublagem em português ainda pesa. Mesmo assim, a soma das experiências faz deste pacote uma adição sólida e emocionante à biblioteca da série.
Se você quiser conferir por si só, Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties será lançado para PlayStation 5, PlayStation 4, Nintendo Switch 2, Xbox Series X|S e PC (Steam) em 12 de fevereiro. O título custa R$ 296,50 na PS Store, mas tem uma demo gratuita para quem quiser testar.
Veredito
83
Desenvolvedor
Ryu Ga Gotoku Studio
Consoles
PS5
Jogadores
1
Veredito
83
Jogo
Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties