MeuPlayStation | Tudo sobre PlayStation

A.I.L.A AILA
A.I.L.A

A.I.L.A: vale a pena?

Os criadores brasileiros de Fobia: St. Dinfna Hotel apresentaram o novo projeto: A.I.L.A. A Pulsatrix Studios já havia mostrado um survival horror de qualidade que lembrava vários elementos de Resident Evil, mas o novo título demonstra a vontade de afirmar uma identidade mais autêntica.

A boa notícia é que A.I.L.A funciona muito bem na proposta criativa e na maneira como a narrativa acontece. Mais uma vez estamos diante de uma experiência de terror. Na verdade, de várias experiências, porque o jogo nos convida a embarcar em aventuras diferentes dentro dele mesmo.

A ambientação é envolvente e cheia de detalhes que reforçam a personalidade do estúdio. A.I.L.A entrega sustos, momentos de tensão e uma história moderna que desperta a curiosidade desde cedo.

O jogador certamente vai notar referências de Outlast, Resident Evil, Alien e outras franquias famosas, mas ao mesmo tempo vai perceber que a Pulsatrix se esforça para não se perder em um amontoado de ideias. Ao contrário disso, tudo se conecta de maneira coerente para fortalecer a história.

A.I.L.A: rosto angelical e personalidade demoníaca

A narrativa acompanha Samuel, um beta tester que acaba preso em uma nova tecnologia disruptiva. Ele avalia jogos de videogame e oferece feedback para as desenvolvedoras. Em 2035, morando em um apartamento totalmente automatizado, recebe a caixa de A.I.L.A para analisar. Assim que se conecta, conhece a inteligência artificial responsável por criar as experiências.

O que ele não imagina é que as simulações de A.I.L.A são tão vívidas e intensas que começam a afetá-lo no mundo real. Há desde pesadelos com elementos sobrenaturais até aventuras medievais repletas de bruxas e maldições. Essas experiências virtuais deixam marcas profundas no protagonista mesmo depois que as sessões terminam.

1
A.I.L.A parece ser empática e amigável, mas as aparências enganam. Fonte: tela de captura.

Havia o risco de tudo se tornar apenas uma coleção de mini-jogos desconectados, mas a Pulsatrix acerta ao transformar cada sessão em algo que parece um game completo, com temas fortes e com ligação direta com Samuel.

Essa variedade permite uma campanha que dura entre 20 e 25 horas, sempre alternando entre combate, puzzles e exploração. Cada sessão leva o jogador a um lugar totalmente diferente, o que evita a sensação de repetição.

2
Desde cedo, a história misteriosa é convidativa para os jogadores. Fonte: tela de captura.

Sobrevivendo a qualquer custo

Em cada simulação criada pela A.I.L.A, Samuel controla personagens virtuais em missões variadas. Um deles busca por sua companheira, outro precisa entender a origem de sua maldição. Samuel sempre chega de surpresa a esses mundos e precisa enfrentar monstros e resolver enigmas.

O gameplay lembra alguns survival horror em primeira pessoa, mas segue um caminho próprio. As armas brancas ganham protagonismo, como espadas e tacos, e as armas de fogo estão presentes, embora não sejam tão precisas e sejam difíceis de manusear.

3
O combate está ainda mais presente no game, mas as armas corporais são melhores de usar. Fonte: tela de captura.

Mesmo com opções para se defender, o terror nunca sai de cena. A ambientação e o design de som fazem um trabalho excelente. Durante a exploração, o jogador ouve risadinhas distantes, ruídos inesperados e sons que causam desconforto. Usar fones de ouvido é praticamente obrigatório para aproveitar tudo.

Os puzzles também são parte importante da experiência. Há vários enigmas em cada simulação, sempre bem encaixados nos universos apresentados. A maioria é obrigatória para avançar, e seria interessante ver alguns ainda mais desafiadores como opcionais. No geral, são todos bem elaborados e criativos.

4
Desde montagem de dispositivos eletrônicos até interpretação de números, os enigmas são legais de solucionar! Fonte: tela de captura.

As batalhas contra chefes receberam uma atenção especial. Em cada simulação, o jogador precisa derrotar um inimigo poderoso que exige habilidade, ainda mais porque o combate corpo a corpo é constante. As lutas funcionam bem como encerramento das seções e contam com trilhas envolventes.

Vale uma menção ao grande avanço em relação à dublagem. A.I.L.A conta com nomes de peso que trazem mais imersão e muita qualidade, como Luiza Caspary (a Ellie de The Last of Us) como a própria IA; Fábio Azevedo (Deacon St. John de Days Gone) como o protagonista Samuel e o Ricardo Juarez (Kratos de God of War) na voz do Capitão.

Uma aventura interativa

A.I.L.A mistura vários elementos que tornam o gameplay divertido. Há partes que lembram Outlast, momentos de combate que evocam Skyrim e até toques de ficção científica em um mundo altamente tecnológico. Tudo isso se junta para cumprir o objetivo principal da Pulsatrix, que é contar uma história.

Enquanto Fobia era mais direto ao prestar homenagem a Resident Evil, A.I.L.A é mais profundo. Ele usa o terror como ferramenta para explorar temas filosóficos e reflexões sobre tecnologia e humanidade. As escolhas de Samuel dentro das simulações abrem novos diálogos e influenciam o final, que possui sete variações.

5
Suas decisões geram consequências diferentes que afetam o final e textos ao longo da campanha. Fonte: tela de captura.

A coesão narrativa impressiona. Era fácil se perder em tantas experiências diferentes, mas tudo se conecta para mostrar como a A.I.L.A está influenciando a mente de Samuel e quais consequências isso pode trazer.

A Pulsatrix entrega algo capaz de agradar tanto quem gosta de terror quanto quem busca uma aventura com identidade própria.

6
Com personalidade, a Pulsatrix não teve medo de aumentar a escala. Fonte: tela de captura.

Terror, mas não para os olhos

Os cenários e o visual de A.I.L.A são muito competentes. Desde o apartamento futurista de Samuel até as simulações variadas, tudo parece mais refinado do que em Fobia. As áreas são grandes e repletas de detalhes, texturas e elementos bem trabalhados.

Os NPCs também melhoraram bastante, embora ainda apresentem algumas limitações. Nada que comprometa a experiência, especialmente porque os personagens principais receberam atenção especial.

7
Houve uma melhoria considerável se comparado com Fobia. Fonte: tela de captura.

A.I.L.A: vale a pena?

A Pulsatrix Studios marca mais um acerto. A.I.L.A é uma prova real de que o estúdio tem identidade e não precisa depender apenas do survival horror para se destacar. O jogo apresenta uma história sólida que mistura terror, aventura, ficção científica e viagens temporais em uma combinação criativa e única.

Com preço localizado no PS5, A.I.L.A oferece uma jornada assustadora, reflexiva e envolvente. Exatamente o tipo de experiência que a própria A.I.L.A gostaria de proporcionar.

E, por fim, uma excelente notícia: o game chega ao mercado com um preço muito acessível em todas as plataformas, apenas R$ 63,96. Vale a pena conferir.

Veredito

85

Ficha Técnica

Desenvolvedor

Pulsatrix Studio

Consoles

PlayStation 5

Jogadores

1

Vantagens do jogo A.I.L.A

Vantagens

  • Diferentes experiências em uma só coesa
  • Ambientação com vários detalhes
  • Design de som com recursos assustadores
  • Puzzles divertidos e criativos
  • Desafio bem equilibrado
  • Dublagem de qualidade
Desvantagens do jogo A.I.L.A

Desvantagens

  • Combate de armas de fogo é difícil de manusear
  • Design de NPCs ainda é um pouco limitado

Veredito

85

capa do jogo A.I.L.A

Jogo

A.I.L.A

Autor

foto do author do artigo Raphael Batista

Raphael Batista

Produtor de conteúdo em vídeo no MeuPlayStation, com atuação voltada à cobertura de jogos e tendências da indústria. Tem preferência por experiências narrativas e franquias marcantes, como The Witcher 3, Metal Gear Solid, God of War e Marvel’s Spider-Man, trazendo uma visão próxima da comunidade e do dia a dia dos jogadores.

Mais artigos de Raphael Batista

icone representando um redirecionamento para outra pagina
Comunicar erro no artigo