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Silent Hill f
Silent Hill f

Silent Hill f: vale a pena?

Silent Hill f… E este “f” é de  ̶f̶u̶  ferrar sua cabeça. Uma experiência capaz de gerar angústia, tensão, medo, ojeriza, desprezo, tristeza, incredulidade. Emoção. Ou melhor, emoções. Aquele mix de sentimentos que todo mundo que já jogou algum capítulo desta icônica franquia dos videogames conhece bem. De volta de uma maneira diferente, mas honrando as raízes do que justamente a fez ser tão marcante para tanta gente.

A história, cativante e maluca, o gameplay, intenso e desafiador, a imersão, com ambientações e caracterizações incríveis, e a performance, com ótimos gráficos e desempenho, fazem com que Silent Hill f seja realmente uma das produções mais interessantes de 2025 na indústria dos jogos eletrônicos. Mas fica aqui o aviso logo de cara: não é para todo mundo e pode ser bem perturbador com alguns temas bastante sensíveis.

Afinal, Silent Hill sempre foi sobre isso. Muito mais do que seus sustos com monstros horripilantes ou sua famosa névoa, ele trata dos demônios mais assustadores que um ser humano pode enfrentar: a si mesmo e a sociedade. E sempre, também, com um viés de abordar as dificuldades das mulheres. Cheryl, Alessa, Mary, Heather, Dahlia… Hinako. A nova protagonista traz à tona novamente assuntos como objetificação, pressões sociais, gravidez indesejada e abuso.

Agora, no Japão dos Anos 60, um período e região bem diferentes do que estamos acostumados, e ainda mais assustador. Em todos os sentidos. Com metáforas poderosas e alternando entre “vida real” e um “outro mundo”, o jogo navega muito bem entre a violência explícita e linguagens figuradas que vão se completando e formando um grande quebra-cabeças que vai, de novo,  ̶f̶u̶  ferrar com a sua cabeça.

Where my demons hide

O mais difícil de enfrentar seus demônios é não se tornar um no processo. Esta é a grande lição que Silent Hill f ensina. E que até mesmo almas inocentes podem ser corrompidas devido às inúmeras pressões que a vida impõe – seja com a família, seja com os amigos. Hinako Shimizu é, ao mesmo tempo, vítima e vilã. Uma personagem complexa e que lidera a história do mais novo (e diferente) capítulo da saga com maestria até um de seus cinco finais (sim, como é tradição da franquia, o game tem múltiplos encerramentos possíveis) ao longo de cerca de 8 a 10 horas de gameplay na primeira vez.

Silent Hill f é sobre olhar-se além do espelho (Foto: Reprodução/Thiago Barros)
Silent Hill f é sobre olhar-se além do espelho (Foto: Reprodução/Thiago Barros)

Abuso de substâncias, bullying, romance na adolescência, rivalidades escolares, crises de ansiedade, violência doméstica… Dá pra ver tudo isso (e muito mais) em Silent Hill f. Seja explícita ou implicitamente. Portanto, fica, outra vez, um aviso: se estes temas são sensíveis e podem lhe causar qualquer “gatilho” que seja, é melhor evitar. Agora, se você é um veterano na exploração das Colinas Silenciosas, muito provavelmente vai se sentir em casa – mesmo que não esteja na famosa cidade fictícia norte-americana.

Dito isso, vamos, resumidamente (e sem spoilers), falar sobre a história assinada por Ryukishi07, conhecido por suas obras de terror psicológico. Em Silent Hill f, a trama se desenrola na década de 1960, na cidade fictícia de Ebisugaoka, uma pequena localidade rural no Japão. A protagonista, Hinako Shimizu, é uma estudante do ensino médio que vive sob intensa pressão social e familiar.  Desde a infância, ela era uma criança alegre e cheia de vida, porém com o tempo, tornou-se mais reservada e raramente sorri, refletindo o peso das expectativas que lhe são impostas.

Ela vive com seus pais, Kanta Shimizu e Kimie Shimizu, e sua irmã mais velha, Junko Kinuta. Porém, com o casamento de Junko, Hinako se vê cada vez mais isolada em um lar que já não oferece o apoio emocional que ela tanto necessita. Hinako ainda mantém amizades com Shu, parceiro de infância, e Sakuko, uma garota espirituosa e divertida. Além disso, há Rinko, uma amiga que nutre sentimentos por Shu. Essas amizades dão a Hinako momentos de alívio em meio ao caos crescente, mas também dúvidas e polêmicas que guiam o começo do enredo.

Relacionamento de Shu e Hinako é fundamental em Silent Hill f (Foto: Reprodução/Thiago Barros)
Relacionamento de Shu e Hinako é fundamental em Silent Hill f (Foto: Reprodução/Thiago Barros)

E, sim, a história de Hinako é influenciada pelo movimento pelos direitos das mulheres que ganhava força no Japão daquele período – com o autoritarismo do pai e a relação complexa com o melhor amigo sendo expostas a todo momento. E à medida que uma densa névoa toma conta de Ebisugaoka, transformando a cidade em um pesadelo macabro, Hinako deve enfrentar não só os horrores sobrenaturais que surgem, mas estes monstros internos e as pressões externas que a moldaram. Sua jornada é uma luta pela sobrevivência física e emocional, desafiando as expectativas que lhe foram impostas e buscando um caminho para a liberdade e autodescoberta.

No fim das contas, há margem para várias interpretações e observações sobre a história de Silent Hill f. Provavelmente, você vai ficar com algumas caraminholas na sua cabeça, mas certamente teremos vários daqueles vídeos famosos com explicações bacanas para os eventos e a simbologia do jogo, além de todas as suas conclusões. Como nossa análise é spoiler-free, o máximo que dá para dizer é que, sim, é uma narrativa bem interessante, com alguns pontos em que talvez pudesse haver mais clareza nas coisas, porém que passa a mensagem que quer passar. E o(s) encerramento(s) pode(m) ser surpreendente(s).

Nevoeiro

Em termos de gameplay, Silent Hill f tem altos e baixos. A começar pelas dificuldades: só dá para escolher entre Narrativa e Difícil. Não tem meio termo, nem algo mais simples ou mais difícil. Você pode até escolher uma delas para Ação e outra para Quebra-Cabeças, mas fica por isso mesmo. O que é OK para a maioria dos jogadores, mas pode afastar quem tem um pouco mais de dificuldade com combate ou é iniciante. Principalmente nas boss fights e com alguns inimigos específicos, que são mais agressivos.

Cuidado com a névoa em Silent Hill f (Foto: Reprodução/Thiago Barros)
Cuidado com a névoa em Silent Hill f (Foto: Reprodução/Thiago Barros)

O jogo é basicamente dividido em duas partes, que se entrelaçam: o que Hinako vive em Ebisugaoka e um outro plano, onde ela é guiada por um homem misterioso que usa uma máscara de raposa. A jogabilidade acaba sendo diferente de acordo com o seu ambiente. Armas básicas e movimentos são compartilhados, assim como boosts que você pode comprar em pequenos santuários espalhados por ambos os locais. No entanto, inimigos são diferentes (apesar de terem uma certa semelhança entre si), e a personagem pode desbloquear algumas habilidades especiais quando está neste mundo misterioso.

No geral, o combate contra os inimigos comuns é mais tranquilo, apesar de alguns deles serem bem chatinhos. Você pega os padrões com o tempo e vai conseguindo encará-los – ou então só esquiva e sai correndo, qunado a luta não é uma parte obrigatória da progressão. Contudo, é preciso prestar atenção a um detalhe: a durabilidade das armas. Sim, elas quebram conforme são usadas, a não ser que você as repare usando um kit de ferramentas, mas eles são escassos, assim como a maior parte dos itens, então é importante demais fazer uma boa gestão do seu inventário.

Especialmente porque há uma grande variedade de armas e de itens, mas sua bolsa não permite carregar tudo. Tem facas e foices, que servem para golpes rápidos, mas também o cano que já foi visto em materiais promocionais do jogo, e o taco de baseball, para combates equilibrados, e marretas/machados para golpes mais lentos, porém causando muito dano. Sem falar nos itens de cura, como pilulas, bandagens e kits médicos, e as oferendas que você coleta para conquistar os boosts citados anteriormente – vida, vigor e sanidade, que são os três medidores de Hinako.

Prepare-se para o combate com Hinako em Silent Hill f (Foto: Reprodução/Thiago Barros)
Prepare-se para o combate com Hinako em Silent Hill f (Foto: Reprodução/Thiago Barros)

O primeiro é autoexplicativo, o segundo é o que permite que você realize ações e o terceiro é para usar o foco, que ajuda você a ser mais eficiente nos contra-ataques nos combates ou dar “ataques focados”, que causam mais dano, mas têm uma maior exigência de vigor. Os itens são acessados usando atalhos bem simples com L1 e R1, mas fique ligado: é preciso dar o tempo da animação para eles serem usados, então evite fazê-lo muito perto de inimigos que podem atacar, ou você não vai conseguir utilizá-los.

As boss fights seguem este mesmo esquema, e apesar de terem, sim, uma pegada um pouco mais soulslike, não são tão punitivas e, mesmo que você acabe precisando repetí-las algumas vezes, muito provavelmente não terá problemas caso já esteja acostumado com games de ação e aventura, especialmente na dificuldade narrativa. Isso não faz com que elas sejam menos interessantes. Pelo contrário. Cada grande luta é intensa, tem particularidades e gera aquele sentimento recompensador de dever cumprido ao ser concluída com sucesso.

Tudo com uma ambientação impecável. Os gráficos são bonitos, a performance é boa, a trilha sonora e os efeitos de áudio contribuem bastante para a imersão e, apesar de em alguns momentos os movimentos de Hinako serem um pouco “travadões”, temos um pacote completo aqui. E até dá para justificar essa questão do combate não ser lá tão fluido. Ela é só uma estudante de ensino médio, não uma heroína super forte ou alguém que tem uma arma de fogo a seu dispor para sair atirando nos outros. Então, no fim das contas, está tudo mais do que justo.

Silent Hill f: vale a pena?

Assim como nos outros jogos da franquia, Silent Hill f chega para incomodar. Tocar em feridas. Causar reflexões. Além de, claro, ter o horror das criaturas e o ambiente tenso de um jogo de terror, ele prova discussões sobre temáticas que são pouco abordadas nos games, mas aparecem cada vez mais em outros produtos da indústria do entretenimento, visando gerar maior exposição para elas, e isso é importante – mesmo que o game exagere um pouquinho no tom em uma parte ou outra (o que também dá para entender por se tratar de um cenário de 60 anos atrás).

Qual é o verdadeiro enredo de Silent Hill f? (Foto: Reprodução/Thiago Barros)
Qual é o verdadeiro enredo de Silent Hill f? (Foto: Reprodução/Thiago Barros)

Agora, para quem está preparado e acostumado com estas particularidades, ou simplesmente quer dar uma chance para se aventurar por ali, é um jogaço. Tanto na parte técnica, quanto na parte de gameplay, ele entrega tudo o que todos esperam de um jogo com o nome desta franquia. A Konami acertou em cheio em reviver Silent Hill de uma forma tão diferente, mas ao mesmo tempo tão fiel às raízes do que fez com que ela se tornasse uma das maiores séries da história dos videogames em todos os tempos.

E fica aqui uma dica: saboreie. Explore, investigue, colete os itens pelo cenário e, principalmente, leia o que vai sendo adicionário ao seu Diário. Há descrições robustas sobre cada personagem, cada monstro, cada detalhe do jogo, que irá ajudar você a formar o grande quebra-cabeças de Silent Hill f. Até porque, o jogo é curtinho, o que é uma péssima notícia para algo que custa R$ 400 na PS Store, então é recomendado mesmo para quem vai aproveitar ao máximo agora neste período de lançamento – ou depois, com uma boa promoção.

Veredito

90

Ficha Técnica

Desenvolvedor

Konami

Consoles

PS5

Jogadores

1

Vantagens do jogo Silent Hill f

Vantagens

  • Ambientações e caracterizações impressionantes
  • Jogabilidade mais variada do que o de costume
  • História misteriosa e que prende muito o jogador
  • Combates desafiadores e recompensadores
  • Variedade de inimigos e de armas é bem interessante
Desvantagens do jogo Silent Hill f

Desvantagens

  • Gameplay não é o mais afiado do mundo nos combates
  • Mais opções de dificuldade seriam bem-vindas para iniciantes
  • Duração é bem curtinha e única motivação a jogar mais são os finais extras
  • Temas pesados demais podem afastar uma boa parte do público

Veredito

90

capa do jogo Silent Hill f

Jogo

Silent Hill f

Autor

foto do author do artigo Thiago Barros

Thiago Barros

Editor-Chefe

Dez anos de MeuPlayStation, 18 de jornalismo e produção de conteúdo. Muitas histórias para contar e muitos jogos para jogar!

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