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to a T: vale a pena?

Quase 12 anos depois do lançamento de Alphabet, o lendário designer de jogos Keita Takahashi está de volta. Mas você não conhece Alphabet? Tudo bem… vamos voltar então a 2004, mais especificamente a Katamari Damacy. Ah, parece que as coisas mudaram, não?

Sim, o criador da icônica franquia de plataformas e humor retorna ao lugar de onde nunca deveria ter saído, agora investindo mais uma vez em seu conceito cômico, absurdo e visualmente colorido com o surpreendente to a T.

Trazendo uma crítica social f***, Takahashi assume de vez as discussões atuais sobre aceitação e diferenças, sob comando de seu novo estúdio de jogos: uvula. Mas será que ele tem potencial para destronar a série de quebra-cabeças que fez história nos videogames?

Em busca da perfeição

Uma criança parece ter nascido toda errada: em vez de ter a composição física alinhada, ela possui uma envergadura em T e não consegue, de forma alguma, reverter essa condição. E com isso, diversos desafios começam a aparecer.

Na adolescência, apesar de ter aceitado sua forma, especialmente pela ajuda do amigo de quatro patas, diversas questões começam a flutuar por sua mente: por que os colegas de escola implicam tanto? Eles seriam mais especiais por terem o corpo “normal”?

to a T
Fonte: André Custodio

Certo dia, um objeto estranho cai na Terra e faz as pessoas de uma pequena cidade sentirem que algo está mudando. Com isso, uma nova dinâmica estabelece, fazendo que o protagonista e seus amigos reflitam sobre a essência humana: o que significa “ser perfeito”?

to a T é um jogo de aventura, conduzido por narrativa, que combina elementos de plataformas e quebra-cabeças. Muito simples, o título tem uma campanha de aproximadamente 5h, mas seus 100% podem esticar esse tempo para mais de 15h.

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Fonte: André Custodio

Os jogadores têm a liberdade para customizar totalmente a personagem principal, selecionando desde sexo até itens de vestuário. Além disso, o cachorro também pode ser customizado e tem um guarda-roupas exclusivo com dezenas de itens cosméticos.

Vale reforçar que eles são gratuitos. Não há microtransações e o título é 100% single-player. Dessa forma, caso você queira comprar itens em to a T e participar de atividades paralelas, basta andar pelo mapa e sair coletando moedinhas de várias cores.

Alívio cômico e muitas bobagens

Voltando no tempo, é possível recordar que Katamari não tinha um grande foco na história. A aventura era guiada por uma trama bastante excêntrica e relativamente desconexa, dando a impressão de que fosse apenas “qualquer coisa”.

Infelizmente, to a T sofre com esse mal. E pior: o jogo possui muitas animações, diálogos e reviravoltas narrativas. Os elementos que permitiam aproveitar um conceito promissor estavam lá, mas a uvula não soube aproveitar e preferiu manter o gameplay absurdo.

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Fonte: André Custodio

Indo ao contrário, vemos um ônus com um bônus. A ideia de apostar em algo excessivamente cômico e bobo tornou a experiência agradável, leve e muito acessível. É muito legal interagir com todos os NPCs e ver seus respectivos comportamentos no mundo.

O protagonista explora florestas, residências, escola e áreas fechadas, tudo com o objetivo de desenvolver a crítica imposta pela história. Esses trechos de jogabilidade são reforçados por comandos simples de correr, pular e realizar ações.

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Fonte: André Custodio

Além disso, to a T tem um sistema de controle de corpo pelos analógicos. Os braços esquerdo e direito podem ser acionados para cumprir desafios específicos, atuando separadamente em relação ao resto do corpo. E isso funciona muito bem.

O fato é que o game tem um gameplay extremamente agradável. Atividades secundárias, missões principais e exploração conversam bem com a ótima trilha sonora e com o tempo de campanha, que se propõe como o suficiente para não tornar o jogo cansativo.

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Fonte: André Custodio

Isso também se mistura a alguns easter eggs, a diálogos “sem pé nem cabeça”, a um idioma próprio no melhor estilo The Sims e a um rico sistema de personalização com mais de 500 itens únicos.

Mundo interessante e único

O mapa de to a T merece atenção. Ele conta com uma ampla verticalidade, bem como com diversos quarteirões cheios de segredos e de recompensas. Além disso, em toda esquina há moedinhas para coletar, caso você queira investir em roupas e outras peças.

Os visuais animados do game são caprichados e se destacam pela riqueza de cores. Eles evidenciam a atmosfera positiva do jogo e são o que mais engrandece a experiência no geral, já que as críticas sociais são apresentadas com baixa profundidade.

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Fonte: André Custodio

Os personagens, com designs simples (semelhantes aos Amiibo), também possuem belas expressões faciais. Já em relação à colisão e à física, todos respondem ao contato com o protagonista, seja perguntando como ele está ou reclamando de um empurrão.

to a T aposta no nonsense, incorporando bem os dramas japoneses voltados para o público infantil/adolescente. Dessa forma, é certo que os jogadores darão boas risadas tanto ao lerem o termo “bunda” quanto por não entenderem absolutamente nada que acontece.

to a T: vale a pena?

to a T é um jogo extremamente casual e simples, contendo uma história bastante objetiva, apesar da excessiva quantidade de alívio cômico e de absurdos. Excêntrico, o game é o que se espera de uma obra de Keita Takahashi, mas com particularidades positivas.

Com gameplay direto, um mundo super interessante, atividades recompensadores e diálogos cheios de frases soltas, o título se assemelha a um esquete de comédia, mas contendo virtudes que o colocam como algo que vale a pena ser experimentado.

to a T
Fonte: André Custodio

Isso não significa que você deva adquirir to a T às cegas. Esses elementos podem agradar públicos específicos, mas certamente incomodarão “new-geners” e os mais exigentes. Dessa forma, compre apenas se quiser investir em um jogo 100% descompromissado.

Veredito

73

Ficha Técnica

Desenvolvedor

uvula

Consoles

PlayStation 5

Jogadores

1

Vantagens do jogo to a T

Vantagens

  • Gameplay divertido e acessível
  • Ótimo conceito original
  • Visuais animados muito bonitos
  • Sistema de áudio bem realizado
Desvantagens do jogo to a T

Desvantagens

  • Experiência com pouca profundidade no geral
  • Foco narrativo impacta tempo real de jogo

Veredito

73

capa do jogo to a T

Jogo

to a T

Autor

foto do author do artigo André Custodio

André Custodio

Redator

Fã de jogos de terror e desbravador de soulslike vez ou outra. Consegui me livrar de FIFA por motivos pessoais (ruindade) e hoje me sinto uma pessoa melhor. Também curto platinas, mas não vou atrás de algo que me tira do sério.

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