Jogo
MADiSON VR
Felizmente, o PS VR2 vem se aproveitando muito bem do gênero de terror. E mesmo com vários títulos relevantes nesta categoria, ainda parece haver espaço para mais. Foi assim que MADiSON VR chegou: chutando a porta e assumindo de vez a coroa.
Mas calma lá: não é porque o jogo é bom que você deve investir impensadamente seu suado dinheiro. Pense bem antes de embarcar nesta jornada insana ao inferno, pois a aventura promete trazer traumas irreversíveis para sua mente.
Sabendo que a adaptação para realidade virtual do popular game de terror é tudo isso mesmo que estão comentando, siga com a gente e saiba mais sobre esse projeto que redefine com autoridade tanto o estilo de horror psicológico quanto o uso de tecnologias em RV.
Preso em sua residência, Luca se vê em um pesadelo sem fim ao descobrir que sua família passou por eventos trágicos. Sem entender o que é real ou ficção, o último sobrevivente é atormentado por visões perturbadoras que levam para um nome: Madison Hale.
Em seu aniversário de 16 anos, o jovem é presenteado com uma câmera instantânea. Porém, enquanto desbrava o que restou de um lar abandonado, ele descobre que o artefato, na verdade, é capaz de ligar o mundo dos vivos com o dos mortos.

Agora, cabe a ele entender como escapar do local com vida. Mas a jornada não será fácil: o espírito de um serial killer vigia constantemente os passos do protagonista, revelando estar relacionado com atividades demoníacas e com um ritual bizarro.
MADiSON VR é um jogo de terror psicológico que combina puzzles com sobrevivência. O game é uma adaptação direta da versão flat, originalmente lançada em 2022 pela Bloodious Games. Sua campanha consiste tanto na construção atmosférica quanto em jumpscares.

De início, vale a pena elogiar a consistência do jogo. MADiSON VR equilibra perfeitamente o horror inquietante com os famosos “sustos de pular”. A campanha curta de apenas 2h30 rende momentos inesquecíveis e funciona quase como um filme interativo.

A localização para menus e textos em português do Brasil deixa tudo mais ajustado, apesar de haver muitos elementos de interpretação. Documentos, coletáveis e segredos adicionais completam uma história intensa e brutal, onde uma família foi totalmente destruída.
Enquanto Luca explora a casa decadente, a câmera é utilizada para mostrar caminhos tortuosos no mundo dos mortos. Cada “capítulo” ocorre em um cenário diferente, introduzido através de uma porta vermelha que apenas a instantânea é capaz de abrir.

Ao longo do jogo, é possível conhecer catacumbas, catedrais, esgotos, cemitérios e outros locais perturbadores. Cada região possui suas próprias características, enriquecidas pelos efeitos fenomenais de partículas, iluminação e sombras.
Além disso, a casa principal de MADiSON VR também está lotada de quebra-cabeças. Luca passará por vários andares e cômodos resolvendo problemas e analisando objetos específicos. Tirar fotos de cada um pode revelar a real natureza dos itens.

O título inclui sessões com perseguidores apavorantes. Como os sustos no game são pontuais e com um excelente timing, os jogadores não estão seguros a momento algum e precisam solucionar puzzles com sabedoria e através de um backtracking constante.
Por falar em quebra-cabeças, esses elementos são muito inteligentes e intuitivos — longe de serem óbvios. O ambiente e as assombrações causam uma pressão intensa a todo instante e exigem que a cabeça esteja no lugar. Não ceder é essencial.

Essa mecânica da câmera funciona muito bem com o PS VR2. Como MADiSON VR possui suporte ao rastreamento ocular, a movimentação é muito interessante e realista, assim como os efeitos de vibração no próprio headset.
Assim como um jogo souls, MADiSON VR traz uma satisfação ímpar com a conclusão dos capítulos. O fim de cada história resulta no retorno para casa, mas o local fica cada vez mais amaldiçoado, assim como há também em títulos como Silent Hill 4.
O game também possui uma exploração satisfatória, ótimas interações com objetos e uma sensação angustiante de perigo. Mesmo em momentos mais “tranquilos”, barulhos de porta, ranger de pisos e melodias ocorrem baixinho ao fundo.

O sistema de mixagem de áudio em MADiSON é excelente — para não dizer perfeito. Jogar com headset é uma experiência absurda e muda completamente o cenário de jogo, devido à compatibilidade com som espacial em 3D.
Outro destaque fica por conta da narrativa intrigante. A história do jogo evolui de uma forma muito natural, e mesmo os eventos mais confusos conseguem se conectar quando Luca investiga documentos e encontra referências pela casa.

De fato, MADiSON VR funciona como um filme interativo, com uma excelente condução dos diretores e respeitando a essência de uma boa jornada de horror psicológico. Há muitos games de terror excelentes por aí, mas o port em RV de MADiSON é algo nunca visto.
Experiência autêntica de terror, MADiSON VR é claustrofóbico, assustador, angustiante e bizarro. O título conta com uma atmosfera bem construída, que se aproveita dos maravilhosos efeitos técnicos e de som para ampliar a sensação de “coisa ruim”.
O jogo da Bloodious Games é recomendadíssimo para todos que estão com os exames cardiológicos em dia e, óbvio, curtem o estilo de terror. E mesmo para quem é medroso, o jogo merece essa atenção por revolucionar suficientemente o hardware do headset do PS5.

Há algumas falhas em termos de popping de iluminação em cantos e em uma campanha que poderia ser um pouco maior, mas elas são ofuscadas por um respeito extremo ao gênero de horror e pela condição sufocante imposta a cada segundo.
MADiSON VR custa R$ 174,90 na PS Store, mas não se engane com esse preço relativamente salgado para o dispositivo. Vale muito a pena mesmo o investimento. Certamente você se divertirá, assim como os convidados que forem chamados para sua casa.
Veredito
86
Desenvolvedor
Bloodious Games
Consoles
PlayStation VR2
Jogadores
1
Veredito
86
Jogo
MADiSON VR