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SAROS PREVIA MEUPS
SAROS

Saros: vale a pena?

“Game is King”, é assim que a Housemarque se define em seu próprio site. O jogo é rei. A filosofia está presente desde Stardust, lá de 1993, e foi sendo aprimorada até Returnal, em 2021. Agora, com Saros, ela atinge seu ápice. O novo projeto é puro suco de videogame.

Saros assimila alguns elementos roguelite de Returnal, mas decide fugir da estrutura para se tornar uma experiência mais convidativa. Menos punitivo, mas ainda assim igualmente desafiador, o título aposta em um conceito chamado de “bullet dance”, no qual os dedos do jogador parecem dançar no controle para atirar, esquivar, pular, defender e sobreviver.

A proposta de Saros é mais do que fazer o jogador sofrer. É fazê-lo sentir que está em constante evolução. A cada ciclo, nome dado às runs, o protagonista retorna mais forte, com mais recursos e novas habilidades, tornando chefes e inimigos desafios progressivamente mais superáveis.

Em um estúdio onde o jogo é rei, é muito satisfatório ver o castelo bem definido: uma ambientação sci-fi convincente, uma jogabilidade construída de forma consciente e uma experiência digna da mais nobre realeza.

Sci-fi parrudo e instigante

Na aventura de Saros, o jogador controla Arjun Devraj, executor-líder da Echelon IV. Ele e sua tripulação viajam até Carcosa, a comando da empresa Soltari, para investigar o desaparecimento das expedições anteriores que colonizaram o planeta para extrair Lucemita, um recurso energético único. O que Arjun não imaginava é que Carcosa escondia muito mais do que um simples recurso material.

A Housemarque acerta ao se afastar da abordagem mais subjetiva de Returnal para contar uma história mais direta. Há menos espaço para interpretação, embora ainda existam elementos subentendidos. Arjun, interpretado por Rahul Kohli, ganha um peso dramático bem-vindo, com ótimas cenas que transmitem sua dor e conflito.

Personagens secundários de Saros
Os NPCs de Saros apresentam expressões faciais mais simples, em contraste com o protagonista, que conta com maior nível de detalhe e naturalidade. Fonte: captura de tela.

O mesmo não acontece com todos os NPCs. Há um problema semelhante ao da primeira versão de Horizon Zero Dawn. Enquanto o protagonista apresenta boas expressões faciais e dublagem consistente, os demais personagens ficam abaixo desse padrão, causando certo estranhamento, especialmente em uma proposta mais cinematográfica.

Um dos grandes destaques é a ambientação. Carcosa é dividida em diferentes biomas que variam entre áreas abertas florestais e estruturas alienígenas colossais, criando uma atmosfera sci-fi marcante. O visual, em comparação com Returnal, é mais detalhado, com maior variedade de ambientes.

Biomas de Saros
Cada bioma do jogo é hipnotizante. Fonte: tela de captura.

O ciclo da vida e da morte

Saros é um termo científico que se refere a um ciclo astronômico de 18 anos, 11 dias e 8 horas, utilizado para prever eclipses solares e lunares. No jogo, esse conceito se reflete diretamente na experiência. A cada exploração de Carcosa, Arjun vive um novo ciclo, afetando seus aliados, o mundo ao redor e a si mesmo.

A proposta é mostrar a adaptação do protagonista aos perigos do planeta. O sistema roguelite poderia ser mais punitivo, mas a Housemarque optou por torná-lo mais acessível, aproximando-o de uma experiência de aventura. Ainda assim, os riscos são constantes, e cada tentativa fortalece o personagem, algo evidente no gameplay.

Cenários de Saros
Cada cenário traz desafios à altura do próprio Arjun. Fonte: tela de captura.

Desta vez, cada um dos nove biomas funciona como uma fase. Ao concluir uma área, o jogador garante um checkpoint para a próxima. Diferente de Returnal, em que era necessário atravessar múltiplas áreas seguidas, aqui cada região é independente, embora morrer dentro dela faça o jogador retornar ao início daquela fase.

Mesmo sendo mais acessível, Saros continua exigente. Nas batalhas contra chefes, o conceito de “bullet dance” se destaca, exigindo domínio completo das mecânicas. A evolução do jogador é perceptível a cada tentativa.

Batalhas contra os chefes em Saros
Cada batalha em Saros é um momento memorável. Fonte: tela de captura.

Ao completar ciclos, o jogador obtém Lucemita, usada para desbloquear melhorias, slots de artefatos e novas habilidades. Quanto mais se joga, mais forte o personagem se torna. Isso se torna ainda mais evidente no endgame, quando áreas iniciais se tornam mais fáceis.

Há também a possibilidade de ajustar a dificuldade com modificadores que adicionam vantagens ou desvantagens. Essa mecânica amplia o desafio, embora as recompensas não sejam tão atrativas quanto poderiam ser.

Modificadores em Saros
Cada modificador permite aumentar ou baixar o nível da jornada. Fonte: tela de captura.

Poder na palma da mão

Em Saros, os inimigos são agressivos, mas o jogador se sente preparado para enfrentá-los. Há boa variedade de criaturas e equipamentos. O jogo conta com cinco armas principais, com variações que totalizam doze opções.

Além disso, existem as Armas de Energia, que utilizam bem os recursos do DualSense. Ao pressionar parcialmente o L2, ativa-se o disparo secundário. Ao pressionar totalmente, entram em ação as armas especiais. Essa dinâmica torna o combate fluido e estratégico.

Itens em Saros
O jogador sempre encontrará novas formas de superar os desafios. Fonte: tela de captura.

O sistema ainda inclui habilidades como Sobrecarga, escudo, esquiva e aparo. Cada mecânica se conecta à outra de forma orgânica. Por exemplo, o escudo absorve projéteis específicos, alimentando outros sistemas de ataque. O aparo cria oportunidades ofensivas. Tudo funciona de maneira integrada.

Nada em Saros parece supérfluo. Cada elemento contribui para a evolução do jogador. Inclusive, habilidades permanentes permitem revisitar áreas anteriores para acessar novos conteúdos.

Experiência de Saros
A experiência de Saros é unificada, com cada elemento conversando entre si. Fonte: tela de captura.

A jogabilidade é extremamente satisfatória. Os controles respondem rapidamente, os efeitos visuais são impactantes e o uso do DualSense aumenta a imersão.

Como ponto menos favorável, as armas principais lembram bastante as de Returnal, faltando maior criatividade. Além disso, a troca de artefatos exige um custo elevado, o que pode desencorajar a experimentação.

Tiros em Saros
Pistola, metralhadora, espingarda… Muitas coisas são parecidas. Fonte: tela de captura.

A pura expressão do videogame

É curioso como Saros transmite claramente o prazer de jogar videogame. É uma experiência envolvente, intensa e altamente polida.

As batalhas contra chefes são marcantes, com momentos de alta tensão. É difícil não terminar uma boss fight e não ficar com o coração palpitando.

Belos cenários em Saros
Saros é convidativo e assustador. Fonte: tela de captura.

A performance técnica impressiona, mantendo fluidez mesmo com muitos elementos em tela. Explorar novos biomas revela cenários detalhados e visualmente impactantes. A sensação de descoberta é constante.

O sistema de builds e progressão é natural e incentiva novas tentativas. A vontade de continuar jogando surge de forma espontânea. Mesmo encarando um universo hostil, o jogador se sente convidado a explorar e lidar com os perigos.

Qualidade técnica em Saros
Sem quedas de frame ou problemas, Saros é um exemplo técnico. Fonte: tela de captura.

A trilha sonora complementa a experiência, alternando entre intensidade nos combates e ambientação nas explorações, reforçando o tom cinematográfico que a Housemarque desejava atingir.

Saros representa bem o que um videogame pode oferecer: uma experiência coesa entre gameplay, narrativa e audiovisual.

Belíssimos cenários em Saros
Coisa fina! Fonte: tela de captura.

Saros: vale a pena?

Saros é um título essencial para o PS5. Mesmo sendo um roguelite, sua estrutura se aproxima mais de uma aventura acessível e progressiva.

Com campanha entre 15 e 20 horas, o jogo mantém um ritmo adequado, sem se prolongar desnecessariamente. Para quem busca completar tudo, a duração pode chegar a 30 ou 40 horas.

Ciclos em Saros
Em cada ciclo, o jogador leva de 30 a 40 minutos, mas pode fazer uma run passando por todos os biomas. Fonte: tela de captura.

Apesar de parecer mais acessível que Returnal, o jogo ainda oferece desafios relevantes, especialmente com o uso de modificadores. A variedade de builds e habilidades incentiva a experimentação.

Se, para a Housemarque, “o jogo é rei”, Saros assume o trono e estabelece o reinado de um gameplay intenso, responsivo e extremamente divertido.

Ciclo encerrado em Saros
Cada tentativa é uma nova história. Fonte: tela de captura.

A cópia de Saros foi fornecida pela PlayStation Brasil.

Veredito

93

Ficha Técnica

Desenvolvedor

Housemarque

Consoles

PlayStation 5

Jogadores

1

Vantagens do jogo SAROS

Vantagens

  • Jogabilidade refinada e altamente viciante
  • Evolução consistente da fórmula de Returnal
  • Integração inteligente e coesa das mecânicas
  • Uso exemplar dos recursos do DualSense
  • Ambientação e direção de arte marcantes
  • Loop de progressão envolvente e extremamente satisfatório
Desvantagens do jogo SAROS

Desvantagens

  • Personagens secundários apresentam qualidade técnica inferior
  • Falta de maior inovação no arsenal principal
  • Variedade limitada nas armas principais

Veredito

93

capa do jogo SAROS

Jogo

SAROS

Autor

foto do author do artigo Raphael Batista

Raphael Batista

Produtor de conteúdo em vídeo no MeuPlayStation, com atuação voltada à cobertura de jogos e tendências da indústria. Tem preferência por experiências narrativas e franquias marcantes, como The Witcher 3, Metal Gear Solid, God of War e Marvel’s Spider-Man, trazendo uma visão próxima da comunidade e do dia a dia dos jogadores.

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