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Pragmata
Pragmata

Pragmata: vale a pena?

É heroico aprender a ser pai de alguém que não veio do seu sangue. Novo título da Capcom, Pragmata ensina que cada gesto entre Hugh Williams e a androide Diana, seja numa brincadeira de esconde-esconde em momentos de calma, seja num simples high five depois de uma batalha intensa, carrega o peso de uma construção diária. Não por destino, mas por escolha. Diana não herdou os traços do protagonista, mas a jornada vivida o transformou em guardião. E, mais do que isso, fez com que ele a amasse.

A boa fase da Capcom parece estar longe do fim. A publisher japonesa, responsável por franquias consagradas como Resident Evil, Monster Hunter, Street Fighter e muitas outras, decidiu apostar em uma propriedade intelectual inédita com Pragmata. E, apesar das incertezas em torno do projeto, especialmente após o anúncio em 2020 e os adiamentos sucessivos, a empresa acertou novamente.

Um astronauta e uma androide

Em um futuro não tão distante, a humanidade descobre o minério lunum. Esse material é capaz de reproduzir praticamente qualquer coisa, desde que existam dados suficientes daquilo que se deseja replicar. A partir daí, a prática do lunafilamento passa a ser estudada em uma estação lunar que recebe grandes investimentos.

A base é totalmente automatizada por uma inteligência artificial chamada IDUS, responsável por controlar todas as funções do local, com destaque para o sistema de segurança. Com ela, diversas tarefas diárias dos pesquisadores humanos que vivem por lá são simplificadas. Robôs criados pela IA ajudam no transporte de materiais, na orientação dentro da estação e em outras atividades rotineiras. Parece até uma crítica à nossa realidade atual, em que a inteligência artificial deixou muita gente preguiçosa por aí.

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Certo dia, a Terra perde contato de forma abrupta com a estação lunar. Por causa disso, um time de quatro astronautas é enviado ao local para investigar a situação. Ao chegarem lá, um desastre separa o grupo e deixa apenas o protagonista Hugh Williams, gravemente ferido, à mercê da própria sorte. É nesse momento que ele conhece Diana, uma androide Pragmata com aparência de garotinha, que o salva de uma morte praticamente certa.

A história de Pragmata gira justamente em torno da relação entre Hugh e Diana. Num primeiro momento, essa conexão parece um pouco apressada. Hugh chega à estação criticando robôs e inteligências artificiais, mas pouco depois já demonstra uma proximidade considerável com a androide. Ainda assim, essa estranheza perde força à medida que entendemos melhor a vida do protagonista e a forma como ele enxerga o conceito de família.

E é aí que mora a beleza da narrativa. Em uma pegada que lembra The Last of Us, com Joel e Ellie construindo aos poucos uma relação de pai e filha sem laços de sangue, Pragmata segue por um caminho parecido. Não atinge o mesmo nível emocional do clássico da Naughty Dog, mas certamente toca em pontos sensíveis, especialmente para pais gamers.

Seja ao brincar de esconde-esconde com Diana, seja ao conversar sobre a Terra, Hugh vai assumindo a responsabilidade por ela em pequenos gestos. Ele preenche o vazio e a solidão que a menina sentia. Em troca, Diana ensina a Hugh que máquinas também podem carregar algo próximo de uma alma.

É verdade que o início de Pragmata poderia contar com um roteiro mais refinado e menos previsível. Ainda assim, vale insistir. Com o passar das horas, a jornada de Hugh e Diana conquista. Só fica a sensação de que a campanha poderia durar mais. O fato de o jogo ocupar apenas 33 GB no download já dava uma pista disso.

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Gameplay de Pragmata é ouro puro

Pragmata brilha mesmo quando o assunto é gameplay. Se você acha que o gênero de tiro em terceira pessoa já está saturado, vale saber que o novo título da Capcom consegue fugir da sensação de mais do mesmo.

No jogo, o jogador controla principalmente as ações de Hugh, que utiliza armas futuristas de estilos variados, entre elas armas primárias, ofensivas, táticas e defensivas, para enfrentar diferentes tipos de robôs, desde humanoides até máquinas que lembram animais. À primeira vista, isso não parece exatamente inovador, mas é Diana quem muda completamente a dinâmica.

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Hugh Williams (Foto: Vinícius Paráboa)

A androide permanece o tempo todo nas costas de Hugh, com a função de hackear os robôs que atacam o jogador. Ao fazer isso, o player entra em uma espécie de minigame em formato de labirinto, no qual é necessário usar os botões triângulo, X, círculo e quadrado para conduzir o cursor até o nodo verde. O objetivo é expor as fraquezas dos inimigos, protegidos por armaduras robustas, para então conseguir causar dano.

Mas não basta apenas chegar ao nodo verde. O ideal é encontrar um trajeto em que o cursor passe também pelos nodos azuis, responsáveis por ampliar o efeito do hacking. Sem isso, a janela de vulnerabilidade dos inimigos se torna curta demais, o que reduz bastante a eficiência nos combates.

O mais interessante é que o TPS e o hackeamento acontecem simultaneamente. Entrar no minigame não desacelera o tempo na maior parte das situações. Ou seja, o jogador precisa aprender a atirar em vários inimigos, desviar de ataques com o R1 e, ao mesmo tempo, expor os pontos fracos deles.

Com esse conjunto de mecânicas, cada encontro com robôs se torna divertido. Claro, o jogador precisa evitar ser cercado, porque quando muitos inimigos se acumulam na tela a situação fica bem mais complicada.

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Ainda sobre o combate, outro ponto muito positivo está nas boss fights. Pragmata entrega confrontos memoráveis contra chefões, todos com designs próprios, padrões de ataque distintos e múltiplas fases. Em especial, o segundo chefe oferece uma luta desafiadora e bastante marcante, mas melhor não ir além disso para evitar spoilers.

Na exploração, Hugh também conta com recursos que fazem sentido dentro da proposta do jogo. Como estamos na pele de um astronauta, há mecânicas ligadas à gravidade, e os propulsores do traje são fundamentais para alcançar objetos escondidos e saltar entre plataformas. Existe um medidor que limita o uso contínuo desses propulsores, mas ele recarrega rapidamente quando você para de utilizá-los por alguns segundos.

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Diana também é importante durante a travessia dos cenários. Com ela, é possível hackear portas por meio de outro minigame com os botões do controle e liberar o caminho adiante.

Pragmata ainda possui um hub central, chamado Abrigo, onde o jogador pode aprimorar habilidades de Diana e Hugh. Dá para aumentar o dano do hacking, melhorar as armas, ampliar o HP de Hugh, passar por sessões de treinamento, ler documentos e até brincar de esconde-esconde com Diana. É um espaço simples, mas funcional, que reforça ainda mais a conexão entre os dois protagonistas.

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No Abrigo, Hugh e Diana interagem com vários objetos (Foto: Vinícius Paráboa)

Gráficos belos no modo Qualidade, mas o modo Desempenho cobra seu preço

Na parte gráfica, Pragmata também entrega um bom resultado. No PS5 base, plataforma utilizada para esta análise, o jogo oferece dois modos: Qualidade e Desempenho. O primeiro prioriza resolução, mirando no 4K, enquanto o segundo sacrifica parte do visual para buscar 60 FPS.

Cada modo cumpre bem a sua proposta. No Qualidade, os gráficos são muito bonitos. Já no Desempenho, a taxa de quadros se mantém estável. O problema está justamente no impacto visual desse segundo modo. Em alguns momentos, a redução na qualidade é agressiva demais, afetando inclusive rostos e detalhes dos personagens.

Fora esse ponto, há pouco a reclamar. Os designs dos personagens são bons, os cenários são bem construídos e variados, e mesmo na Lua o jogador se depara com florestas e mares artificiais que ajudam a dar personalidade à ambientação. O DualSense também marca presença com os gatilhos adaptáveis, algo que combina bem com a proposta futurista do jogo.

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Cabelos de Diana no modo Desempenho estão esquisitos (Foto: Vinícius Paráboa)

Pragmata: vale a pena?

Pragmata é mais um acerto na longa sequência positiva da Capcom. Existem alguns tropeços que podem diminuir o impacto da experiência para certos jogadores, mas, no geral, é difícil não recomendar o game.

Ao combinar mecânicas de tiro em terceira pessoa com hacking em tempo real, o gameplay se torna cativante e viciante. E, caso você ache que isso pode ser exagero, vale lembrar que existe uma demo disponível para testar a jogabilidade antes da compra. Melhor ainda: o título não chegou por preço cheio na PS Store.

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Já a história talvez não alcance o mesmo peso emocional de outras grandes referências do gênero, mas ainda assim funciona. A relação entre Hugh e Diana tem sinceridade suficiente para envolver, e isso acaba sendo um dos maiores trunfos do jogo. Pragmata talvez não seja revolucionário em todos os aspectos, mas sabe exatamente onde tocar o jogador. E isso, no fim das contas, vale bastante.

Veredito

85

Ficha Técnica

Desenvolvedor

Capcom

Consoles

PlayStation 5

Jogadores

1

Vantagens do jogo Pragmata

Vantagens

  • Gameplay dinâmico entre TPS e minigame de hacking
  • Gráficos no modo Qualidade são bonitos
  • História poderia ser melhor, mas ainda entretém
  • Boa variedade de inimigos e armas
  • Lutas contra chefões são memoráveis
Desvantagens do jogo Pragmata

Desvantagens

  • A relação entre Hugh e Diana parece forçada no início da história
  • Gráficos no modo Desempenho estão abaixo do que poderiam ser
  • Duração curta

Veredito

85

capa do jogo Pragmata

Jogo

Pragmata

Autor

foto do author do artigo Vinícius Paráboa

Vinícius Paráboa

Vinícius Paráboa é redator no MeuPlayStation, com experiência na cobertura do universo PlayStation e da indústria de games. Acompanha a evolução da marca desde o PS1, com foco em notícias e tendências do mercado. Tem afinidade com clássicos como Crash Bandicoot, Sonic e Spyro, além de franquias como Persona, Assassin’s Creed e God of War.

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