Jogo
Midnight Murder Club
Alguns jogos foram feitos para serem levados a sério. Outros, para serem lembrados com carinho. E há aqueles que simplesmente existem para provocar caos, gritos e gargalhadas entre amigos.
Midnight Murder Club se encaixa nesse último grupo.
Ele aposta em algo diferente, que mistura tensão e comédia dentro de uma mansão escura e cheia de armadilhas. Um grupo mascarado se enfrenta em partidas mortais onde cada passo pode ser o último.
O conceito é criativo, funciona bem no começo e entrega momentos realmente únicos, principalmente quando jogado em grupo. Mas nem tudo brilha no escuro. A diversão existe, mas com validade.
A dinâmica é direta e eficaz. Os jogadores entram armados com um revólver de seis balas, uma faca e uma lanterna. Cada item tem seu papel crucial. O revólver é lento, mas letal. A faca, discreta e eficiente. Já a lanterna é talvez o equipamento mais importante da partida. Acender a luz pode significar enxergar o inimigo no momento certo ou denunciar a própria posição para todos ao redor.

Essa tensão entre ver e ser visto é o coração da jogabilidade. Tudo acontece em meio à escuridão, e o jogo exige escuta ativa, atenção aos sons e leitura precisa do ambiente. A movimentação silenciosa pode render vitórias surpreendentes, enquanto um clique de lanterna no momento errado pode significar eliminação instantânea.
A sonoplastia desempenha papel central. Cada passo, respiração ou barulho ecoa pela mansão e carrega consequências. Com o uso de chat por proximidade, o jogo ganha outra dimensão. É possível deduzir a posição de adversários apenas ouvindo os sons ao redor. Isso gera momentos tensos e hilários, em que sussurros viram gritos, e o silêncio repentino entrega mais do que palavras.
Essa mecânica se encaixa especialmente bem quando a partida acontece entre amigos. Com suporte para até cinco convidados através do passe gratuito, basta uma única compra para que todos participem. A combinação entre jogabilidade simples, som e interação social faz com que cada sessão seja única. E por R$56,90, o acesso se torna ainda mais convidativo, principalmente considerando que apenas uma cópia é suficiente para um grupo inteiro.

E é nas partidas em grupo que Midnight Murder Club mostra todo o seu potencial. Entre estratégias improvisadas, sustos sinceros e gargalhadas inesperadas, o jogo entrega bons momentos. O caos é controlado, a competição é acirrada e a comédia surge naturalmente das situações absurdas criadas durante cada rodada.
Os modos de jogo são variados, incluindo combates todos contra todos, partidas em equipe e desafios com curingas que alteram as regras. Esses curingas introduzem armadilhas como candelabros que despencam do teto, caveiras flamejantes e até uma discoteca bizarra dentro da mansão. Esses elementos aumentam o fator imprevisibilidade e mantêm o ritmo por um bom tempo.
Apesar da variedade, nem todos os formatos são equilibrados. Um dos modos mais problemáticos coloca jogadores comuns contra “o diabo”. Enquanto os humanos precisam explorar a escuridão às cegas, o adversário possui visão noturna e já conhece os pontos de interesse. A desvantagem é clara e quase insuperável, especialmente quando há mais de um diabo na mesma partida. A frustração toma o lugar da diversão.
Esse tipo de desbalanceamento quebra a experiência, principalmente quando se tenta manter o jogo interessante a longo prazo. A sensação de injustiça tira a vontade de repetir a partida e evidencia falhas no teste de gameplay competitivo.
O maior obstáculo está na longevidade. O jogo oferece apenas um mapa. Mesmo com as diferentes regras e curingas, a repetição se instala rapidamente. Em poucas sessões, tudo já foi explorado, e a sensação de novidade se esvai. Isso prejudica o ritmo, diminui o engajamento e transforma o que era promissor em algo passageiro.

Além disso, o matchmaking apresenta dificuldades sérias. Sem um grupo de amigos, é praticamente impossível encontrar partidas. O jogo parece não ter uma base ativa de jogadores suficiente para sustentar partidas rápidas com desconhecidos, o que limita o acesso a novos públicos e isola a experiência em bolhas privadas.
Midnight Murder Club começa bem. É criativo, tenso, engraçado e fácil de entender. A proposta de jogar no escuro, ouvindo sussurros e tomando decisões baseadas em som e luz é original e entrega momentos marcantes. Jogar com amigos transforma tudo em uma celebração do improviso, e o passe de convidado junto com o preço acessível são pontos muito positivos.
Mas a experiência sofre com limitações sérias. A ausência de mapas adicionais, os modos desbalanceados e o matchmaking comprometido reduzem drasticamente o apelo do jogo com o passar dos dias. Falta conteúdo, falta estrutura e falta incentivo para continuar voltando.
É um jogo com uma ótima ideia, mas que não consegue sustentar seu potencial por muito tempo. Ideal para sessões curtas com amigos, mas longe de ser algo duradouro. Uma experiência divertida como um disparo no escuro. Intensa, inesperada, mas que se apaga rápido.
Veredito
65
Desenvolvedor
Velan Studios
Consoles
PlayStation 5
Jogadores
1
Veredito
65
Jogo
Midnight Murder Club